Hora de agradecer
janeiro 21, 2012
É claro que eu aprendi muito com a minha atividade, coisas que inclusive eu não teria aprendido em mais lado nenhum, mas eu não acho que faz falta para ninguém entrar nessa atividade para aprender o que eu aprendi. É um mundo muito podre, cheio de gente estúpida e egoísta, e que não aconselho ninguém a conhecer.
Mas há um outro lado. Não é o lado mais forte, mas um lado que existe. Um lado de pessoas que valem a pena. Um lado em que algumas pessoas ainda são capazes de ver uma acompanhante como uma mulher, uma pessoa.
Este post de hoje é apenas para agradecer a estas pessoas. Estas, que foram carinhosas e queridas comigo ao longo da minha atividade. Estes clientes, que se sensibilizaram, que conseguiram compreender aquilo que eu falava do fundo do meu coração. E estes leitores, que vieram ao blog ler o que eu dizia de coração aberto.
Sei que tem gente que me admira em silêncio, à distância. Sei que tem gente que torce por mim. Sei que tem muita gente que interpreta o que eu escrevo apenas da forma que melhor lhes convém, mas também tem gente que se reconhece no que escrevo ou que consegue sentir aquilo que eu escrevo.
Obrigada a todos, de coração. Obrigada pelo carinho e pelos corações abertos.
O pênis com duas cabeças
janeiro 21, 2012
Estava contando ontem no meu twitter que atendi um homem que tinha um pênis que ia entrar para a lista dos mais esquisitos que já vi: era um pênis com duas cabeças!
Não eram dois pênis, mas era como se uma cabeça saísse de dentro da primeira cabeça, que fazia com que metade do pênis parecesse aquele cogumelo, como se fosse um chapéu em cima de outro chapéu.
Qualquer pessoa normal teria dado um salto a gritar «P**a que pariu, que m*rda é essaaaaa?????», mas uma coisa que uma acompanhante tem que aprender é a ser fria, e a reagir com indiferença, até em situações mais críticas.
É claro que tudo tem um limite, mas é aí que a gente tem que ser astuta, e conseguir avaliar uma situação o mais rápido possível. Você nunca sabe, por exemplo, se uma pessoa já não é traumatizada com o problema que ela tem, e não seria nada gentil enfiar o dedo na ferida.
Óbvio que, acima de tudo, eu não faria nada para me prejudicar. Desculpe amorzinho, mas a primeira coisa que avalio é se vai me prejudicar ou não. Sem que ele percebesse, analisei o pinto dele, a cabeça de baixo era mais grossa que a cabeça de cima, mas era só essa parte das cabeças que era mais grossa, o resto era um pau até bem fino e, mesmo a parte das cabeças, não tinha maior grossura que um pinto normal, ou seja, as cabeças só faziam com que o pau fosse assim meio deformado, se é que posso dizer assim. É claro que, só de olhar, eu já conseguia prever o desconforto, talvez até alguma dor em algumas posições, mas nada tão pior do que outras coisas que já passei, então resolvi encarar.
Aí fui, fiz sexo com o gajo, ele gozou – obviamente só ele – e então, só depois disso, que eu fui conversar com ele.
- O seu médico já viu isto?
- Já.
- E ele não quis operar?
- Sim, quis.
- E por que não operou?
- Porque eu não quero.
Ficou um clima tenso, e por isto também que eu falei depois, porque a situação seria muito pior se ainda não tivéssemos feito sexo. Apesar de ter falado com calma e com educação, ele ficou mesmo muito incomodado com este assunto, eu quis insistir na conversa e ele foi cínico, desviou o assunto para “as possíveis coisas piores que eu devo pegar aqui”, mas eu voltei a falar do caso dele e ele disse qualquer coisa meio querendo dizer que o corpo era dele e que ninguém tem nada a ver com isto.
- Claro, o corpo é teu, concordo, você faz com ele o que bem quiser, você pode ter o seu pênis do jeito que quiser… desde que, claro, não vá enfiá-lo em ninguém. Porque a partir do momento em que você pensa em enfiá-lo em alguém, isso acaba dizendo respeito à outra pessoa sim. A partir do momento que eu posso ser esta pessoa, isso é da minha conta sim!
Ele ficou meio sem reação, mas eu continuei:
- O problema da maioria dos homens é o egoísmo. Vocês querem ter o maior pau do mundo, mas não querem nem saber se estão machucando uma pessoa, se estão ou não estão dando prazer para ela. Acho que vocês se importam mais em mostrar para os outros homens que têm um pauzão, em poderem comparar com os outros homens, do que propriamente em serem gentis e delicados com uma mulher, e dar prazer a esta mulher. Se você ama o seu pau, e se encontra uma mulher que também ama o seu pau, até aí tudo bem, mas você não pode obrigar outras pessoas a acharem isso normal e a amarem o seu pau também.
Eu sei que fui dura. Mas eu tinha que dizer isto para ele, por saber que possivelmente nenhuma mulher disse isto.
Não sei se ele é casado ou se tem namorada, não perguntei. Se tiver, é uma sofredora, porque encarar uma vez pra saber como é ainda vai, mais que uma vez seria tortura e todo dia seria um suicídio sexual. Se ele não for casado e nem tiver namorada conforme suponho, possivelmente a vida sexual dele é completamente assim, visitando acompanhantes. Mas enquanto acompanhante, sei como as coisas funcionam: a gente atende um cara, se não gosta de atender inventa uma desculpa, ou põe o número dele na lista dos rejeitados, ou seja, evita a pessoa. O cara não sai prejudicado, porque o que não falta é acompanhante por aí, então amanhã ele vai em outra, depois outra, depois outra, e nunca vai faltar acompanhante para ele porque o que mais tem é acompanhante em Portugal, sempre vai ter uma que ele ainda não conhece, que ainda não conhece o problema dele. Como ninguém diz nada, como de certa forma não lhe falta sexo, o homem vai passar a vida toda achando que está tudo bem, quando não está.
Às vezes o que mais cansa sendo acompanhante é isto, estar tendo sempre que salvar o mundo (o mundo de alguém), estar vez ou outra pegando situações complicadas, que talvez mais ninguém encararia, exceto nós acompanhantes. Neste aspecto, alguns homens costumam ser muito covardes, porque eles jogam os problemas deles todos em cima de nós, acompanhantes. O que eles fazem, ao nos procurarem, é disfarçar o problema, fingir que ele não existe, porque é muito mais simples do que resolver realmente o problema, encará-lo de frente.
Por isso que desde que entrei nesta atividade que sei que não sirvo para isto, porque eu deveria encarar tudo de forma natural, e não encaro. Eu devia ficar feliz por perceber que os homens precisam de nós, acompanhantes, porque afinal o nosso sustento vem disto, dos homens que precisam de nós por seja lá que motivo for. Não encaro assim, e aquilo que a maior parte das pessoas encara como uma força eu vejo como uma fragilidade.
Só atendo quem eu quero
janeiro 7, 2012
Há uma coisa muito simples, mas pelos vistos muito difícil de entender, por mais que eu já venha falando disto há anos: só atendo quem eu quero.
Não proponho uma violação consentida. Violação, consentida ou não, é violação na mesma, o que faria com que cada um dos meus clientes fosse um violador.
É verdade, eu não sei se vou te querer no primeiro encontro, não tenho como saber isto. Poderei fazer um filtro ao telefone, aceitar quem parece que eu vou gostar de atender, mas nada me garante que, chegando na hora, se eu não poderei ter errado na minha avaliação. Mas, mesmo assim, uma coisa eu garanto: vou fazer de tudo para criar um bom clima entre nós, para tentar gostar de você, para tentar fazer com que tudo corra bem entre nós. E daí, claro, também vai depender de você: se você também for agradável, se me respeitar, não tem motivos para as coisas não correrem bem.
Como eu dizia, num primeiro encontro eu não tenho como saber se vou gostar de uma pessoa ou não, se vou querer estar com esta pessoa ou não. Mas para um próximo encontro, de certeza, eu já vou saber isto sim. Se eu não te disser nada, quer dizer que está tudo bem, mas se eu te disser «Não venha mais», acredite, é para não vir mais mesmo.
Não entendo como é que as pessoas podem ter tanta dificuldade com o «não». Para quê estar com uma pessoa que não te quer, que não gostou de você, que não combina com você, quando poderia estar com outra pessoa, que gosta de você e que quer estar contigo?
Não é qualquer coisa que faz com que eu diga «não» para um cliente, e nem é tão frequente assim. Quando acontece, é porque o desrespeito foi muito grande.
Tenho uma memória relativamente boa, mas sabe como é, conheço muita gente. Se estiver distraída, então, aí fica difícil mesmo a memória funcionar. Ontem, à noite, tinha um senhor tentando marcar um encontro, mas, chegando na minha rua, disse ele que não conseguiu dar com o endereço, então combinou que me ligava hoje, porque ontem estava com um pouco de pressa. Achei melhor assim, afinal ele tinha demorado tanto tempo que já estava um bocado tarde.
Hoje recebi um cliente para quem estive a ensinar as técnicas da posição à canzana (veja detalhes no meu twitter: www.twitter.com/acompanhante), e na hora que este cliente chegou, e entrou para o quarto, o tal que tentou marcar ontem me ligou novamente, mas não era uma boa hora, já que eu ia atender outro, mas, como já havia uma outra chamada perdida dele, perguntei se gostaria que eu lhe desse um toque quando estivesse disponível, e ele disse que sim.
Ele já havia tentado durante um bom tempo procurar o meu endereço, agora tinha vindo de novo, era injusto se não o atendesse, pensei. Entretanto ele não marcou hora, tentou à sorte ver se eu poderia estar disponível, e deu azar, rs. Entretanto, pelo facto de ter estado ontem à procura, resolvi ter consideração e fiquei de avisá-lo quando estivesse disponível.
Atendi o tal cliente da posição à canzana, ainda conversei com ele, fiquei dando umas dicas, depois disso o cliente foi embora e eu fui tomar banho. Saindo do banho, liguei para o tal senhor que tinha ligado antes, avisando que estava já disponível. Ele tinha decidido ficar pelo bairro à espera, e não estava a mais que 2 ou 3 quarteirões do meu apartamento. Voltei a dar a direção e comecei a me vestir enquanto ele se encaminhava.
Fui buscar uma lima para as unhas, que estava dentro de uma caixa, em cima do armário. Quando o telefone tocou, a campainha tocou ao mesmo tempo, eu estava em cima da cadeira com a caixa na mão e tudo caiu em cima de mim, mas ainda assim continuei falando ao telefone e fui atender o vendedor à porta.
Em resumo, estava distraída, como estou muitas vezes quando tudo acontece ao mesmo tempo. Para concluir, quando o cliente chegou, e apenas quando o cliente chegou, que eu fui reparar que já o conhecia.
Mas nem foi tão simples assim: ele chegou, eu olhei pra cara dele, cumprimentei automaticamente, encaminhei-o para a sala, e só quando chegamos à sala que eu perguntei para ele se a gente já não se conhecia.
Por mais putanheiro que um cliente seja, acho sempre mais fácil um cliente reconhecer uma menina com quem ele já fez programa, do que ser a menina a reconhecè-lo, afinal fazemos sexo todos os dias, mas nem todos os clientes vão a meninas todos os dias, ou mais do que uma vez por dia, rs.
Bem, então vocês acreditam que eu olhei dentro do olho do cliente, perguntei se ele já esteve comigo, e que ele disse que não? «Não, acho que nunca estive contigo não…», disse ele, todo sonso!
Fiquei lembrando de todo o jogo dele, de fingir que não encontrava o endereço, e isso me deu mais raiva ainda, mas fingi serenidade de monge budista.
Perguntei de novo, só para ele ter oportunidade de dizer a verdade, e o sonso novamente disse que não. Realmente, ele não era um tipo fácil de lembrar, porque era um tipo físico bem normal, mas eu reparei que ele tinha o cabelo pintado de preto, esta era a única diferença do outro encontro para cá.
Não lembro há quanto tempo atrás que o atendi e que falei que estava proibido de voltar cá, talvez tenha sido seis meses a um ano atrás, mas não creio que seja mais que isto. Sei que, deste tempo para cá, eu não mudei de endereço. Ou seja, mesmo que ele não se lembrasse de mim – o que já não seria fácil, menos fácil ainda esquecer de alguém que recusou a gente -, ele certamente se lembraria do endereço, certamente se lembraria que já esteve neste apartamento!
Mas não, ele preferiu se fazer de sonso. E pior, preferiu usar da minha possível falta de memória, eles acham que a gente atende milhares de homens e que acabamos por esquecer. Pimenta no olho dos outros é sumo de uva.
Todo cliente sabe o que pode e o que não pode fazer. Claro que não vou levar a mal errinhos bobos, ou que o cliente faça uma coisa errada sem saber que está fazendo errado. Igual ao rapaz que atendi antes, à canzana: ele estava fazendo tudo errado, mas eu não briguei com ele por causa disto, muito pelo contrário, expliquei como é que fazia certo. E ele, claro, foi bom aluno.
Um cliente sempre sabe o que pode ou o que não pode fazer. O que vou entender como respeito ou como falta de respeito. Se ele faz uma coisa errada, e eu digo “não faça isso que eu não gosto, não faça isso que eu vou ficar chateada contigo, não faça isso que eu vou me sentir desrespeitada, não faça isso porque se você fizer isto eu vou deixar de te atender”, acredite, eu estou falando sério. E se eu chego a proibir alguém de vir aqui, acredite, não foi do nada, nem foi por nada: foi por algo grave, e, principalmente, por algo que foi avisado antes.
Não sou tão dura ou tão inflexível o quanto pareço. Pelo contrário, o meu problema é ser flexível de mais, ficar com pena das pessoas, me colocar mais no lugar delas do que no meu. Quanto chega no limite, é porque na verdade este limite já passou faz tempo.
No caso dele foi também assim. Eu avisei, disse para não fazer uma coisa, e ele fez, insistiu. Eu falei com ele: Há coisas que uma pessoa não pode fazer nem de brincadeira, se você insistir eu deixo de te atender. E ele insistiu.
Neste dia, coloquei-o para fora da minha casa, avisando que nunca mais aparecesse. Ele sabia o motivo. Ele sabe.
Agora apareceu e, para piorar, tentou usar da minha suposta falta de memória. “Lembrei-o” que já tinha estado comigo, ele concordou com aquele tom de que só naquele momento recuperava a memória, e então estive a recordá-lo também do que tinha se passado. Ele pediu desculpas, mas eu já tinha dito a ele que não desculpava e, mesmo que desculpasse, não ia ter clima para fazer sexo com ele porque sempre que fosse fazer sexo com ele me lembraria do que aconteceu, e perderia o clima.
Foi ruim pra ele de novo. Porque afinal ele gastou o tempo dele, veio até aqui, para não ser atendido. Se fosse esperto, teria ido em alguém que pudesse querer estar com ele, e não teria perdido tempo.
amanteprofissional.com renovado
janeiro 6, 2012
Há pelo menos 2 tipos de clientes:
- O cliente que na verdade é um não-cliente muito curioso, que está sempre à caça de pornografia e de aventuras pela internet, mas que não é um cliente regular, apenas uma pessoa que está sempre em busca de novidade, algo ou alguém que não conhece;
- O cliente regular de acompanhantes, que o faz independente de qualquer coisa.
Ao contrário do que muita gente pensa, sempre mantive o amanteprofissional.com mais pela questão filantrópica – e do que ele é, do que representa, do idealismo, etc. - do que pela parte financeira. O amanteprofissional.com me trouxe bons clientes sim, mas, também, muita gente curiosa, muita perda de tempo. Cliente que é cliente não faz muito barulho: só faz o telefonema, vem e pronto, depois só me liga novamente quando for para marcar o próximo encontro. O amanteprofissional me trouxe bons clientes sim, mas trouxe uma maioria de gente que só fica fazendo barulho, que gosta de ficar no meio de acompanhantes, que se deslumbra, etc. O tempo todo ficou um montão de gente me dizendo que eu devia colocar foto, que eu devia fazer isto e mais aquilo, mas afinal os clientes que nunca viram uma única foto minha são, e continuam sendo, aqueles que realmente me sustentam. É que uma coisa é trabalhar para aqueles que visitam acompanhantes regularmente, outra coisa é estar com aqueles que o fazem só esporadicamente, porque de repente deu vontade. Esse cara que fica pensando muito, que demora muito tempo visitando páginas até de facto escolher alguém, na verdade, será apenas uma perda de tempo: porque o sujeito fica visitando milhares de páginas, anotando números, depois liga para todo mundo, depois não lembra que já te ligou e liga pra você de novo, não há um único dia que não me liga alguém que já me ligou, mas que acha que está me ligando pela primeira vez.
Para essa semana mesmo, eu tinha 3 marcações através do amanteprofissional: uma de um cliente conhecido (que realmente veio, mas, se vocês perceberam, o amanteprofissional.com esteve fora do ar até hoje de manhã), depois de um médico que me ligou em Janeiro do ano passado dizendo que um dia vinha e que durante um ano inteirinho não veio, e outra de um rapaz que disse que vem no Domingo, mas eu tenho certeza absoluta que ele não virá. Sobre o tal médico, em Janeiro do ano passado ele tinha ligado e eu já tinha ficado na dúvida em relação a ele; a questão é que ele falou de mais, e cliente que fala de mais geralmente faz pouco. A regra é a seguinte: se cliente me liga, mas se no máximo no próximo mês ele não marca um encontro de facto, é porque ele provavelmente é só garganta. E não deu outra: tem um ano já isso, e olha que ele já voltou a me ligar depois, e de novo não marcou, e agora ligou esse mês, dizendo que vinha, marcou para um dia desses, ao meio-dia, e quando foi quinze para meio-dia ele mandou mensagem, dizendo que não teve vôo, que ia tentar vir no meio da tarde, mas se desde o dia anterior ele sabia do problema do vôo, por que não desmarcou desde o dia anterior? Não gostei mesmo, e mandei uma mensagem para ele dizendo que não foi educado desmarcar com 15 minutos de antecedência, porque eu podia ter colocado outra pessoa para aquele horário e não coloquei. Agora sobre o rapaz que marcou para Domingo, eu nem vou ficar esperando, vou é atender outra pessoa, porque já sei que ele não vem. Ontem mesmo ele mandou uma mensagem, caçando conversa, e não “lembrava” que já tinha marcado encontro comigo, rs.
Eu não tinha renovado o domínio, foi isso que aconteceu, por isso que o amanteprofissional estava fora do ar por esses dias. E eu não tinha renovado porque, pelo menos financeiramente, o amanteprofissional não me faz falta, nunca fez. Aliás, até posso dizer que o amanteprofissional me atrapalha em muitos aspectos, mais do que me ajuda.
O amanteprofissional sempre representou um ideal para mim. Ele era, e de certo modo continua sendo, o espaço onde eu posso passar a minha mensagem, o que penso, o que passo, o que vivo e o que sinto. Mas com o passar dos anos, até eu cansei de dar murro em ponta de faca. É que eu tive que ver que as coisas nas quais eu acreditava eram pura utopia. Eu preguei o tempo todo sobre uma relação humana entre acompanhante e cliente, mas, de facto, isso só interessa para meia dúzia de homens, talvez não mais que isto. Infelizmente, nenhuma acompanhante vive trabalhando só para meia dúzia de homens, até porque essa meia dúzia de magníficos não poderá visitá-la com a regularidade necessária. Eu achava que se calhar tinha alguma espécie de missão com o amanteprofissional, que seria um agente modificador, entretanto veja o exemplo, eu há anos falo de doenças, alerto sobre as relações protegidas, mas nem por isso diminuiu no setor o número de pessoas que fazem relações desprotegidas, pelo contrário. Eu contei tanta coisa, eu alertei tanta coisa, mas tive que perceber que, exceto para uma meia dúzia, para o resto é indiferente se a mulher foi traficada ou não, se ela vai te atender obrigada ou não, o que interessa é que ela seja gostosa e possa fazer o que o cliente quer, independente da vontade dela. A questão é que, para uma maioria, o conceito de violação consentida é completamente aceitável e até normal.
Eu já tinha clientes antes do amanteprofissional, e nunca misturei os clientes com os clientes do amanteprofissional, e isso foi bom porque eu pude perceber as diferenças das coisas. Os clientes antes do amanteprofissional eram pessoas que nunca tinham visto uma única foto minha, e que pouco ou quase nada sabiam de mim, enquanto que no amanteprofissional eu me dei, me entreguei, me expus, na tentativa de construir uma coisa humana. Aos clientes do amanteprofissional, eu sempre tentei dar o melhor: um atendimento com muita atenção, muito carinho, e inclusive muito tempo, porque raros foram os clientes que atendi por uma hora certinha, pelo contrário, com grande parte eu passei do tempo. Já com os clientes que não eram do amanteprofissional, eu atendia bem sim, mas dentro do quase frio limite daquilo que é apenas uma relação profissional: oferecia aquilo que eles buscavam, mas nem mais e nem menos; fazia de tudo para nunca exceder o tempo e, se possível, rentabilizar ao máximo esse tempo. Em resumo: enquanto os clientes do amanteprofissional eu deixava-os à vontade, aos outros clientes eu deixava claro que havia um tempo e que este tempo tinha que ser respeitado, e que tinha alguém para atender depois deles, possivelmente alguém que já estava à espera. É claro que, por mais que atendesse bem a todos, os clientes do amanteprofissional tinham um atendimento mil vezes melhor, isto é facto. Todavia, agora veja só como a vida é traiçoeira, eu fui percebendo, ao longo do tempo, que aqueles clientes que atendo com pressa, no estilo “ai benzinho, vamos lá que tem um outro cliente lá fora já me esperando” são muito mais fiéis do que aqueles que atendo sem pressa alguma. Se calhar isso também tem a ver com o ego masculino, o cara está comigo e sabe que tem outro me esperando e isso talvez dê a ele aquela coisa da competição, sei lá. O que eu sei é apenas isso: não tenho clientes do amanteprofissional que estejam comigo 2 vezes por semana, os clientes do amante profissional vêm no máximo 2 vezes por mês (isso falando dos mais assíduos), enquanto que os outros, que não atendo com tanta qualidade, que atendo sempre na metade do tempo que era suposto, estão comigo entre 2 a 3 vezes por semana, e ainda dizem que não encontram nada melhor em lado algum.
Foi, de certo modo, o mesmo susto que levei com os clientes de hotéis. Até então, quando morava na Zona Centro, eu não fazia muitos hotéis por lá, depois quando vim para Lisboa me senti muito insegura nisso, demorei muito a começar a fazer hotéis. E até então eu achava que eu conhecia clientes bonzinhos em função do meu blog, mas depois, quando comecei a atender clientes estrangeiros em hotéis, que percebi que não tinha nada a ver com isto, porque afinal os clientes estrangeiros não liam o meu blog. Eu achava estranho as meninas falarem tão bem dos clientes de hotéis, e depois vi que elas realmente estavam certas: quanto maior o nível do homem, menos trabalho ele dá para a acompanhante. Enquanto que no atendimento no apartamento o homem quer coisas a mais, no hotel o cliente se contenta com bem pouco. Por vezes eu acabo o atendimento no hotel, olho pro relógio e falta ainda tempo pra caramba, pergunto então se o cliente não quer uma massagem, ou se calhar mais sexo, mas ele está sempre satisfeito, diz que se quiser eu já posso ir e etc., quando volta a Portugal me contacta de novo, sinal que aquilo agradou. Tem cliente que se deixar ele canta no seu chuveiro e fica morando na sua casa, enquanto que no hotel é o cliente que controla o tempo, que morre de medo de desrespeitar o seu tempo, e que geralmente te despacha bem antes de ter dado a hora. Eu sei nome e sobrenome do cliente de hotel, e o que vem no apartamento muitas vezes mente o nome, como se também tivessem nome de guerra, ô bobeira.
Em função de tudo isto e mais algumas coisas, eu tinha decidido não renovar o domínio amanteprofissional.com. Mas sabe como é, já são muitos anos e o amanteprofissional também se tornou um hábito para mim, uma casa. Calculo que continuarei como acompanhante mais um ano, dois anos no máximo, e então por via das dúvidas foi por este tempo que renovei o amanteprofissional.com, por mais 2 anos. Depois, sinceramente, não sei o que faço com ele. A sugestão que me deram foi transformar o amanteprofissional num site de anúncios, quando eu sair dessa atividade, porque, bem ou mal, o amanteprofissional é realmente um nome muito conhecido. Mas não sei não, por enquanto ainda tem muita coisa para acontecer.
Recomendo vivamente que, antes de ler este post, leia o Regras fundamentais antes de procurar uma acompanhante. Conforme eu dizia, não posso julgar um homem por ele ser casado ou não, não posso julgar ninguém pelos seus momentos privados, mas é preciso uma pessoa não ser egoísta nem irresponsável; procurar uma acompanhante não é coisa para meninos, é coisa para homens, não é para curiosos, deslumbrados ou indecisos, mas para aqueles que já sabem o que querem.
A situação mais chata que aconteceu hoje mais cedo foi que o cliente, no fim, me mostrou uma foto da família dele. Não é a primeira vez que acontece, e eu não gosto. Até entendo que clientes que me conhecem através do blog façam isto, porque criam uma relação de confiança em mim, mas este me viu em outro site, um site de anúncios, onde só sabia meu nome, foto e honorários. Para começar foi um encontro muito tenso, em que tive que fazer um esforço sobrenatural para ser simpática com uma pessoa que era arrogante, egoísta e pouco agradável (sabe quando você tenta colocar a pessoa à vontade, mas a pessoa não ri, está sempre seca, sempre desconfiada, sempre de nariz em pé e se achando melhor que todo mundo?), depois foram acontecendo uma série de situações que só me demonstravam que aquele homem não deveria de modo algum estar aqui, que não pertencia, que não tinha a característica dos meus clientes, que não fazia parte, e no fim foi isto, como cereja podre no topo do bolo, uma coisa é a vida dele, uma coisa é ele ser casado, mas a família dele não tem nada a ver com isto, portanto ele não tinha nada que ter me mostrado a foto da esposa e filha no telemóvel, porque eles não têm nada com isto e tinham que ser preservados.
Raramente, mesmo raramente atendo uma pessoa desagradável, mas pensa, estava aquele clima super tenso, a questão é que o cara resolveu ter crise de culpa e de consciência justamente na hora do encontro (ele devia ter tido essa crise antes, e não durante o encontro, rs, depois de ter ligado várias vezes, pedido informação, marcado, e olha que eu fui dura com ele ao telefone, praticamente quase o convenci a não vir, isto porque ele veio com muitas exigências e eu expliquei que era do meu jeito e pronto, mas que ele tinha outras opções, que ele não precisava vir ter comigo, mas veio porque quis, disse que ia pensar e que ligava depois, e ligou, aceitando tudo, ou seja, não foi algo por impulso, ou sem pensar), e foi a tal crise de culpa e de consciência que fez com que tudo se tornasse tão desagradável entre nós, porque por um lado ele estava tomando o meu tempo, por outro lado ele estava sendo egoísta, pensando só nele, qual menino mimado que ainda não sabe o que quer e achando que todo mundo pode girar em torno dele, mas no fim da nossa conversa ele fez isso, mostrou a foto da mulher e da filha, e foi bastante estranho porque era como se só de repente ele tivesse percebido que elas tinham alguma importância, mas veja bem, o clima estava tenso e desagradável, e se eu fosse uma pessoa que levasse aquilo a mal? Veja, ele estava tomando o meu tempo e desrespeitando o meu trabalho e a minha privacidade, estava um clima péssimo entre nós, ele mal sabia quem eu era, mostrar a foto da família foi uma atitude muito arriscada. Porque tipo, imagina se isto não é comigo, mas com outra pessoa? Imagina uma pessoa se sentir lesada e desrespeitada, imagina que um dia essa pessoa encontra por acaso com a tal esposa do homem? Não, não estou dizendo que as acompanhantes ou garotas de programa não são éticas, o que estou dizendo é que somos de carne e osso e que ninguém gosta de ser desrespeitado, por isto, apesar de termos a nossa ética, não foi nada legal ele mostrar a foto da família porque ele estava expondo alguém que não tinha nada a ver com aquilo. Tem gente que é mais calma, tem gente que ferve em pouca água, vai que fosse com uma garota que fervesse em pouca água, e que um dia, vendo a mulher dele na rua, falasse poucas e boas sobre o marido dela? Como disse, não é ético fazermos isto, mas também não foi ético nada daquilo que o cliente fez, inclusive o facto de ter exposto a família numa coisa privada dele.
Note, não estou contando uma cena sobre um cliente com quem tenho bons momentos e uma relação de cumplicidade. Não estou falando de um cliente amigo. Estou falando de um cara que eu ia atender pela primeira vez, que eu nunca vi em lado nenhum, e que também mal me conhecia porque nem meu blog ele lê. Não estou falando de uma situação agradável, mas de duas pessoas estarem ali e de eu estar rezando para não ter que atender aquele homem (sim, Ele ouviu as minhas orações). Ele era bem aparentado, mas era aquele tipo de pessoa que, quando chega, faz tudo ficar tenso, como se o tempo tivesse fechado no olhar dele, na postura, no modo de ser. Já conheci algumas pessoas como ele, mas felizmente não muitas. Apesar de estar acostumada a lidar com isto, e de já ser muito experiente e de já ter lidado com todos os tipos de situações, esta foi uma situação mesmo impossível de resolver porque para começar ele tinha a tal crise de culpa e de consciência, depois porque ele entendia o encontro como uma espécie de violação consentida (ele veio achando que era só pagar pelo sexo, e ainda veio com o papo de que não fazia aquilo muitas vezes, e eu com a experiência toda que tenho nem vou dar palpite a dizer o que acho, rs), e de seguida porque ele se achava melhor do que todos os clientes que eu atendo, e aí eu tive que explicar que não, que os clientes que eu atendo que eram muito melhores que ele porque os clientes que eu atendo não fazem aquela palhaçada toda e nem tomam o meu tempo.
Para ter momentos maravilhosos com uma acompanhante, você deve estar preparado para isto. Você deve querer isto, como algo só teu.
Regras fundamentais antes de procurar uma acompanhante
janeiro 5, 2012
Não é todo homem que pode procurar uma acompanhante. Há regras, entretanto, que são básicas e que a gente nem precisa falar tanto (de novo) nelas, como por exemplo ser maior de 18 anos, ter condições físicas, mentais, psicológicas e inclusivamente financeiras para procurar uma acompanhante, ser uma pessoa discreta, etc.
Tá bom, até aí é tudo muito óbvio.
Logo a seguir entra a questão do ACORDO. É um acordo verbal, que se inicia desde a página web ou anúncio ou conversa telefônica. Este acordo verbal é quando a acompanhante diz as suas condições ao cliente, e este, se aceita tais condições, marca um encontro com ela.
É tudo muito mais simples do que parece: se concorda o cliente vem, se não concorda ele não vem, e procura por outra, que talvez ofereça aquilo que ele procura.
O que pode complicar, justamente, é quando o cliente tenta impor as suas próprias regras, assim não dá. Por exemplo, se digo que não faço nada sem preservativo, o que o cliente tem que fazer – quer dizer, não teria, mas é a opção dele, eu não tenho nada com isso – é procurar uma outra pessoa que então faça o que ele quer, ao invés de tentar convencer quem ele já sabe que não quer e que não faz.
Já aconteceu isso, e não foi só uma vez: eu tinha dito pro cliente ao telefone que não fazia nada sem preservativo, o cliente disse que aceitava esta condição e marcou o encontro, mas, quando chegou aqui, tentou me induzir a fazê-lo. Na cabeça do cliente, eu ia ver que ele era “limpinho” e por isto ia aceitar fazer, ou então ia ver que ele era lindo de morrer, ia ter um ataque de tesão e acabaria por fazer algo sem preservativo com ele, só por ver o quanto ele era lindo. Tenso, viu?
Sério, eu não sei onde é que as pessoas estão com a cabeça. É tudo muito mais simples quando há um acordo, quando este acordo é respeitado. Bom pra mim, bom pra você, bom pra todo mundo.
Mas há outras coisas que eu também acho importante o cliente saber, antes de procurar uma acompanhante:
1) Um encontro não é uma violação consentida
Gente, em que era estamos, hein? É um absurdo pensar que há homens que encaram um encontro como uma violação consentida, por ser paga. Violação, mesmo que consentida, é violação na mesma. Uma coisa é um homem ir ter com uma acompanhante, pagar pelo tempo dela, mas ir consciente de que tudo o que vir a acontecer será de consentimento e desejo de ambas as partes; outra coisa é o homem já ir achando que vai pagar pelo sexo, e que vai obter o sexo só porque ele paga, independente da vontade dela ou não. Claro, há sexo na maior parte dos casos, não vou mentir, mas uma coisa, até da minha parte, é eu sentir esta liberdade da parte do cliente, sentir que ele não veio para impor algo, porque isto é o que faz, justamente, que eu tenha vontade de estar com ele mais intimamente. Não, eu não sou obrigada a fazer sexo com quem quer que seja, assim como o meu cliente também não é obrigado a fazer sexo comigo, mas há um acordo, há um tempo de companhia que deve ser respeitado.
2) Relação One-to-One
A relação que eu tenho com os meus clientes, com cada um dos meus clientes, é única. A relação que tenho com o cliente A não tem nada a ver com a relação com o cliente B ou C, porque cada um é uma pessoa diferente, única. Mas além disso, a relação que eu tenho com o meu cliente é só com o meu cliente: esta relação não tem nada a ver com o pai dele, a mãe dele, a esposa dele, os filhos, cachorro ou papagaio. Apesar de ter sim, muitos clientes que chegam dizendo “ai, eu tenho relação aqui contigo porque me falta sexo lá em casa”, a verdade é que, no fundo, esta procura não tem nada a ver com a esposa dele ou com o sexo que a esposa dele faz ou deixa de fazer (até porque também tenho clientes que têm sexo bom e em quantidade em casa, e que nem por isto deixam de procurar acompanhantes), mas com uma relação que ele tem com ele próprio, com o seu próprio corpo, com suas próprias carências, com sua própria identidade, até porque ele podia ser um tipo de homem que tem pouco sexo mas que se contenta com o pouco que tem, assim como também podia ser o tal que tem muito e nem por isto procurar fora. Claro que eu também sou mulher e, como tal – principalmente enquanto ser humano, com defeitos e qualidades – tenho os meus próprios juízos, os meus próprios conceitos sobre o certo e errado, assim como acredito que muitos também têm em relação ao meu trabalho. Claro que, enquanto mulher, não acho a coisa mais linda do mundo um homem casado ir procurar sexo com outra, independente de ser acompanhante ou não, mas é justamente enquanto acompanhante que evitarei fazer sempre qualquer juízo. Enquanto acompanhante, eu estou ali para o cliente, e não para o passado dele, a família dele, ou tudo aquilo que o rodeia. Ele vem para ter comigo, uma coisa só eu e ele, e de facto nada mais além disso me interessa. É como se esse tipo de fuga fosse uma coisa só dele, que só pertence ao universo dele, e eu respeito isso, mas uma exigência importante é que, para viver o seu mundo, você de forma alguma prejudique aquilo que tem em volta. Por exemplo: se o cara é casado, eu não tenho nada a ver com isto e não posso julgá-lo, mas é obrigação dele tomar todas as precauções para não prejudicar a família dele em função daquilo que ele faz em privado.
3) É para quem faz, não para quem só faz barulho
Tenho vários amigos que conheci através do blog e que não são meus clientes, nem serão, e não é deles que falo. Falo daqueles que me procuram o tempo todo prometendo um programa um dia, e que nunca marcam: estes só fazem barulho, e nunca serão clientes. É preciso um homem ser homem, e encarar uma coisa: há quem esteja preparado para isto, há quem não esteja, há quem seja apto, há quem não seja, há quem possa fazer, há quem não possa. Não está preparado? Então não procure uma acompanhante, não perca o seu tempo e nem o dela. Há muita, muita gente que acha interessante estar sempre no meio de acompanhantes, seduzir acompanhantes e etc., sem no fundo nunca vir a procurá-la como cliente, mas isso na verdade é um grande incómodo, e uma grande perda de tempo. Não só isso: a falta de decisão, por exemplo, pode prejudicar a discrição dela. Isso não é para todos, meus caros. Se não sabe brincar, se não está preparado para brincar, saia da fila e não atrapalhe quem quer e pode brincar.
Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte Final
dezembro 27, 2011
Às vezes me ponho a pensar: E se não fosse eu, como ia ser? Digo, e se não houvesse serviços de acompanhantes, como faria por exemplo o tal rapaz que referi, o que tem deficiência mental?
Eu sei, todo mundo pensa que o sexo é uma luxúria, mas não é assim não, pelo menos não em todos os casos. Tocar, ser tocado por alguém, receber a atenção de alguém, é tão importante como comer, beber e dormir. Sim, sexo também é importante, mais para uns do que para outros, mas importante sim.
Sei que é mais fácil pensar no cara galinha piranhudo e putanheiro, mas não é só esse tipo de cliente que nos procura. Sei que há toda uma condenação, todo um lado moral em relação aos homens casados que procuram acompanhantes – e nas acompanhantes como maçã e como serpente da história -, mas às vezes me ponho a pensar nisto também: será que os homens traem porque simplesmente acordam com vontade de trair? Será que um homem acorda e pensa “ai que vadia essa minha mulher, ela merece um chifre, por isto vou fazer sexo com a primeira que aparecer?” Não, não é bem assim, acreditem, nem sinónimo de falta de sexo. Os homens são assim e pronto. Alguns, pelo menos. E nós, acompanhantes, somos um reflexo disto, ou melhor, uma resposta a isto, mas não apenas a isto porque este não é o único grupo que nos procura.
Sejamos honestos: o mundo não é justo. Tem gente bonita e inteligente por aí que não consegue arranjar um namoro, então me diz aí qual a probabilidade desse rapaz, com deficiência mental, encontrar alguém? Não estou dizendo que uma pessoa com deficiência não encontre alguém, que não exista deficientes com vidas normais como a de todo mundo, só estou sendo realista: é mais difícil sim. Então, em muitos casos – não sei quantos, mas certamente muitos – esta acaba por ser uma alternativa sim: recorrer aos serviços de uma acompanhante. Esse rapaz, por exemplo, perdeu a sua virgindade com uma acompanhante e, possivelmente, passará um bom tempo procurando acompanhantes, até encontrar alguém. Fútil? Não, porque é justamente isto que vai dar bases para o futuro dele. Como na verdade, para muitos homens, com ou sem deficiência.
A sociedade cobra bastante dos homens. As mulheres também. É dele a responsabilidade de saber tudo, encontrar ponto g, ter ereção, saber conduzir a relação sexual, etc. Só que ninguém nasce sabendo. E então por vezes eu também penso nisso, naqueles que tudo sabem em função do convívio comigo, e no quanto isto terá evitado, certamente, muitas decepções ou mesmo separações.
Essa atividade tem um lado muito ruim, sei disso, melhor que ninguém, inclusive porque mais que ninguém sofri e vou sofrendo, ao longo dos percursos, ao descobrir tudo isto. Mas também tem esse outro lado, e quando me lembro disso vejo que afinal é muito fácil condenar o que não se conhece, muito fácil olhar só para um lado da moeda.
Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte III
dezembro 18, 2011
«Sou a moça que o teu pai pagou para ir para a cama contigo», eu não ia dizer isto, apesar de desconfiar que, mesmo com a deficiência mental que tem, ele soubesse perfeitamente disto.
- Ô Miguel… Mas tu não sabes mesmo quem eu sou? Não sabe o meu nome?
- Diz-me tu.
- O meu nome é Paula, Miguel.
- Pauuuuuuuuula… – repetiu ele.
Acabei de me enxugar e voltamos para o meu quarto, ele me seguiu tranquilo.
- Seu pai já deve estar desesperado à tua espera, Miguel. Deve achar que te sequestrei, que te prendi em minha cama…
- Acha nada… – disse ele enquanto vestia a roupa.
- Por que estás a rir tanto, Miguel? Estás feliz?
- Foi muito bom. Nunca mais vou esquecer.
Valeu tudo. Só por ter ouvido isto, valeu tudo mesmo. Só não me emocionei à frente dele porque não seria certo.
- Você fez muitas coisas hoje, Miguel, e viveu muitas coisas novas. Pela primeira vez você fez à canzana, pela primeira vez viu uma mulher se masturbar ao vivo para ti… uau, quanta coisa!
- Foi muito bom, nunca mais vou esquecer, nunca mais vou esquecer.
Eu também acabava de me vestir. Peguei o meu vidro de Chanel nº 5 e passei no pulso, coloquei perto das narinas dele:
- Então, Miguel, gostas?
- Gosto sim, muito bom.
- Onde tu moras, Miguel?
- Ihhhhh… Eu moro longe, muito longe daqui.
- Muito longe? E o Miguel veio de tão longe só para me ver?
- Pois foi. Se eu tivesse uma esposa como tu, ai o que eu fazia…
- Vais casar, Miguel?
- Quero casar sim, estou até já à procura de casa!
- Que bom, Miguel, espero que sejas muito feliz. Vou ligar para avisar que já estás pronto, está bem?
- Está bem sim.
- Quem era aquela pessoa que te trouxe cá?
- Era o Zé.
- E quem é o Zé, teu pai?
- Não, o Zé é apenas um amigo.
- Ah, está bom. Então vou ligar para ele.
O Zé subiu e viu que o Miguel estava muito bem, muito feliz. Não era preciso dizer nada, a expressão do Miguel mostrava tudo. Chamou o Miguel para ir embora e ele obedeceu, mas interrompi o caminho pedindo um beijo no rosto, como despedida, que ele deu com muito carinho. O Zé agradeceu muito e disse que ia me indicar para outros clientes. Saíram da minha casa, o Miguel na frente e o Zé atrás dele. Sei que quem estava lá fora em frente ao carro, o bonitão forte com cara de segurança de discoteca, era o pai dele, mas não fui à janela bisbilhotar reações. Eu sabia, tinha a certeza de que tinha feito o meu melhor trabalho.
Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte II
dezembro 17, 2011
Quando foi hoje, decidimos passar o dia juntas, a gente conversando e os telefones tocando, risos. Ela foi tomar banho para atender cliente em breve e pediu para que enquanto isso eu atendesse o telefone dela, e saiu da casa de banho, ainda em toalha, e ficou a ouvir o que eu dizia para um cliente que ligou para o telefone dela.
- Tens a voz muito sexy, deixas-me logo com tesão.- disse ele.
- Obrigada.
- É, tua voz deixa-me com tesão, mas não é pra mim não, é pra um amigo que vou levar aí.
- Mas vão vir os dois?
- Sim, mas eu não fico não, é só pra ele, mas eu tenho que subir com ele.
- Desculpe, querido, mas só pode subir quem for ficar. Não atendo plateia.
- Mas eu tenho que ir com ele. Ele é filho do meu amigo e quero que o trates muito bem.
Nesta hora quase enfureci. Claro que eu vou tratar bem, eu trato todo mundo bem, bastando que também me tratem bem, e não precisam me dizer que tenho que tratar bem.
- Peraí, mas ele é maior de idade, não é? Olha que eu não atendo menor de idade!
- Não, fique tranquila, ele tem 23 anos, mas eu tenho que subir com ele!
Minha amiga ficou intrigada:
- Então, ele tem 23 anos e não sabe nem vir sozinho? A conversa desse gajo está muito estranha, homem sério vem é sozinho, a não ser que ele saiba que tem mais meninas, mas no meu anúncio só está escrito que sou eu sozinha.
- Bom, então é assim: o número do gajo é este aqui ó, final xxx. É só não atender este número se estiver com receio. O gajo que me ligou deve ter seus 40 a 50 anos, mas tinha alguém do lado dele, talvez dos 35 aos 40, falando qualquer coisa, ou seja, do lado não estava o tal de 23, ou então são os dois mais o tal de 23, ou seja, está estranho isso, porque ele falou que era para um rapaz de 23, mas a voz que ouvi ao lado não era de uma pessoa de 23 anos, tenho certeza.
Tempo passou, ligaram outras pessoas, chegou o cliente dela, ela foi para o quarto atendê-lo, e pediu para eu ficar novamente atendendo o telefone dela.
Sou avisada que tem um carro suspeito lá fora. Suspeito no sentido de não ser nenhum conhecido nem vizinho. O carro tem uma porta aberta e dois homens do lado de fora, de pé. Um é alto e forte e tem cara de segurança de discoteca, o outro tem roupa de fisioterapeuta e é baixinho. Ele começa a andar meio distante do carro e pega o telefone. Neste momento, pego o meu telefone também porque sabia que era para mim que ele ia ligar. Quer dizer, para o telefone da minha amiga.
Curiosamente, ele ligou de um novo número, e para dizer que já estavam aqui, mas ele não sabia que eu estava a vê-los.
- Tenho mesmo que subir até aí para levá-lo, mas logo volto e deixo vocês sozinhos, quando chegar aí logo vês.
Pensei que o tal rapaz de 23 anos estaria dentro do carro, mas afinal, quando o carro chegou, ele já tinha tirado o rapaz do carro e colocado perto da minha porta. Mas eu estava imaginando: possivelmente era um cadeirante, por isto tinha que trazê-lo, e então podia ser.
Minha amiga estava no quarto, atendendo o cliente dela, então era eu que tinha que atendê-lo. Ainda mais agora, sabendo que podia ser um cadeirante, não ia deixar a pesssoa lá fora esperando.
Fiquei preocupada porque minha casa não tem espaço para uma cadeira de rodas. Mas como ele disse que iria trazê-lo, imaginei que possivelmente seria ao colo, porque já houve uma situação assim, na zona Centro, quando eu vivia num apartamento sem elevador.
Chegou ele com o rapaz de 23 anos, mas não era um deficiente físico, e sim um rapaz com alguma deficiência mental que sinceramente não sei dizer qual é, nem perguntei. O senhor entrou, passou-me discretamente o dinheiro para a mão e pediu que eu tratasse bem dele.
- Olha que maravilha, vês como ela é boa? – ele ainda disse para o rapaz, que sorriu parecendo contente.
O rapaz falava. Não era muito, mas falava, e apenas quando eu perguntava alguma coisa. Não me olhava muito no olho, constantemente só olhava para baixo. Mas tinha um sorriso no rosto, contente, ao mesmo tempo tímido.
O senhor foi embora e pediu que, quando eu acabasse, lhe desse um toque.
Trouxe o rapaz para o meu quarto, e ele me seguiu, sempre de cabeça baixa e sorriso tímido, igual de criança que vai fazer travessura. Aliás, notei que tinha que tratá-lo como criança, conversar com ele como se fosse criança.
… Uma criança sim, mas uma criança que tem 23 anos, e que, como tal, também precisa de sexo. De tocar, de ser tocado.
Perguntei se era a primeira vez que ele fazia isso e ele disse que não. Perguntei se era inexperiente e ele disse de novo que não.
- Então qual o seu nome? – inquiri.
- Miguel. – respondeu ele.
O nome dele não é Miguel, mas vou chamá-lo assim nesse post.
- O Miguel gosta muito de mulher, não é, seu safadinho?
Ele ria e olhava para as minhas pernas como se eu não tivesse como ver que ele estava olhando para as minhas pernas.
- Então, Miguel, minhas pernas são bonitas?
- São, são sim.
- Então vem fazer carinho nas minhas pernas, vem. Vê só, passa a mão, são macias, não são? Deixa eu te tocar também, Miguel… Nossa, que gostoso! Será que podíamos ficar pelados? Se você tirar uma peça de roupa sua, eu tiro uma da minha, podemos brincar assim?
Ele concordou, e aos poucos estávamos nus.
- Pode me tocar, Miguel, onde quiser.
Ele tocava, acanhado.
- Agora é melhor deitar, deita e relaxa, porque eu que vou te fazer carinho.
Acariciei-o devagar. Depois, com calma, peguei um preservativo e fiz o oral, de seguida sentei em cima dele e cavalguei.
Ele gemia, e, sinceramente, parecia muito familiarizado com o ato sexual. Estava mesmo muito à vontade, e sabendo fazer direitinho.
O ato estava tornando-se muito demorado, lembrei que a minha amiga já tinha até acabado de atender o cliente dela faz tempo, sei disso porque ouvi o barulho da casa de banho. Mas ainda demorava, então perguntei:
- Alguma vez você fez de quatro, Miguel?
- Não, nunca.
- Gostaria de experimentar?
E ele veio experimentar o sexo à canzana, que também parecia já ter feito antes. Segundo depois percebi, ele já viu muitos filmes.
O sexo porém estava demorando muito. Eu já estava ficando sinceramente preocupada com aquela situação, com aquele rapaz que não gozava nunca. E ainda por cima lembrava da minha colega que já devia estar uma arara comigo, porque ela queria cozinhar logo depois que atendesse o cliente dela, e não podia ir para a cozinha enquanto eu não acabasse de atender (para o barulho não desconcentrar o cliente).
Comecei a masturbá-lo, como última alternativa. Falei obscenidades, muitas. Mas nada. Rapaz ali, pau duríssimo, excitádíssimo com tudo, mas não gozava. Troquei de mão, nada.
Pedi que ele se masturbasse para eu ver, por vezes o corpo está habituado à mesma mão. Ele começou a se masturbar, desesperadamente, queria porque queria gozar, e não conseguia.
Eu já estava ficando preocupada com o tempo que aquele rapaz gastava para se masturbar, mais um pouco e ele quebrava o próprio pau. E ele ali, insistindo.
Me masturbei para ele, gozei, e ele ainda estava tentando.
Voltei a falar obscenidades. Nada.
- Tenho que conseguir, tenho que conseguir! – repetia ele.
- Sim, claro que você vai conseguir, é só se concentrar!
Mais um bom tempo e nada, ele já desesperado.
- Acho que não vou conseguir…
- Vai sim, claro que vai! Mais força, mais velocidade, não pára não, quero ver você gozando pra mim…
Nisso ele já estava suando muito, suava que pingava, alagava a cama toda. E enfim, depois de muito tempo e muito suor, o rapaz gozou.
E quando gozou, vocês não imaginam a satisfação dele. Era uma coisa assim incrível, como se tivesse conseguido gozar pela primeira vez na sua vida.
- Viu que você conseguiu? Pode se sentir orgulhoso! Você tentou e venceu!
Ele sorria contente, muitíssimo contente.
Como estava muito suado, perguntei se queria tomar banho. Ele aceitou. Aliás, ele aceitava todas as minhas sugestões sem discutir.
Levei-o à casa de banho. Dei banho nele lá, como uma criança. Passei meu sabonete no corpo dele, passei meu shampoo, e ainda brinquei com ele:
- Você não é casado não, né? Porque, se você for casado, sua mulher vai brigar porque agora você vai ficar com o perfume do meu sabonete líquido!
Ele riu, e disse que não era casado.
Enxaguei-o. Dei uma toalha limpa e disse que podia se enxugar. Ficou em pé, em cima do tapete da casa de banho, se enxugando enquanto eu tomava o meu banho. Eu tomava o meu banho com a cortina aberta, e brigava:
- Olha que você não enxugou as orelhas! Estou vendo que não enxugou entre os dedos! E esse pescoço molhado? Enxuga direitinho que eu estou vendo, hein?
Eu ali acabando de tomar banho enquanto ele acabava de se enxugar, até que ele de repente me olha com quem tivesse acabado de acordar de um sonho e diz:
- Afinal… Quem és tu????
Atendimentos que me dão muito orgulho
dezembro 17, 2011
Preparem-se, post grande, em que vou ter que contar muita coisa para chegar num ponto só. Vou ter que dividir em pelo menos duas partes.
…
Primeiro, ontem estava chateada, muito chateada mesmo. Sabe quando a pessoa olha para trás e vê que a vida está sempre lhe dando rasteira? Você pensa que enfim as coisas tranquilizaram, afinal não, lá vem outro golpe, e sempre um mais forte que o outro.
Aí tem hora que você cansa de ficar juntando os caquinhos outra vez. De ter que se levantar de novo, e de novo, e de novo. Tem hora que dá vontade de jogar a toalha, jogar tudo para o espaço e esquecer. Recomeçar, esta é a minha palavra, esta é a palavra que me acompanha sempre, e eu sinceramente estou cansada de recomeçar, estou sempre recomeçando, do zero de novo, toda vez, isso já está irritante.
Mas bem, isso foi ontem, e ontem foi outro dia. Ontem levei o tal golpe, chorei tudo o que tinha que chorar, andei pela rua com as lágrimas caindo pela cara e os olhos vermelhos, mas pronto, foi ontem. O problema continua ali, grande, gigante, mas não tenho outra alternativa a não ser resolvê-lo, lutar. Sei que não vai ser uma luta fácil porque o problema é grande, talvez leve uns 10 anos da minha vida para resolver isto agora, mas pronto, tenho alternativa? Ah, não vou stressar não, chega.
Bem, então ontem eu chorei, gritei, me descabelei. Mas depois disso tudo fui para a cama dormir, decidida: «Você já chorou tudo hoje, mas amanhã você vai acordar linda e maravilhosa e vai lutar. Ponto.» E assim foi.
…
Estive ao telefone com vários amigos da minha vida pessoal, amigos mesmo muito próximos, do tipo que passam Natal na minha casa, viajam comigo, saímos toda semana para almoçar, essas coisas. E nessas horas a gente tem que levantar as mãos para os céus, e lembrar que também tem muita gente boa nas nossas vidas.
E eu já tinha pensado também nisso, nas dádivas da vida. Eu estava muito preocupada com o meu problema, achando que era o fim do mundo, achando que era algo praticamente impossível de resolver, mas depois vi: sou saudável, forte, inteligente, e só isso já é muito maior do que qualquer coisa. Se eu não fosse saudável, se não fosse forte nem inteligente, aí sim, eu tinha que me preocupar, mas se tenho essas qualidades, já é meio caminho andado pelo menos.
Amigos então vieram me aconselhar, e me puxar a orelha: você é inteligente, mas não é esperta. Você está sempre se lesando em função dos outros porque deixa que os outros façam isso contigo. Os seus clientes, por exemplo…
- Os meus clientes o quê?
- Você trata-os como se fizessem parte da sua vida. Você inventou um conceito de amante profissional, você quis dar carinho, você quis que eles fizessem parte da sua vida, mas eles não fazem.
- Mas alguns fazem.
- Pára com isso, Paula. Na hora que você precisar, eles não vão estar lá. Talvez um, talvez dois, talvez três, com sorte talvez meia dúzia, mas a maioria não.
- Tá, isso eu já sei faz tempo.
- Sabe não. Se você soubesse, não ficava sempre a defendê-los. Mas Fulano isto, mas aquele outro aquilo… Paula, acorda, você desperdiça tempo e energia com quem não merece, com quem não vai te dar nada em troca.
- Não é verdade, conheço pessoas que são bastante amáveis comigo…
- Tá, Paula, mas é como te disse, talvez um, talvez dois ou com muita sorte meia dúzia. E, mesmo assim, você sabe, você já deve ter percebido que é muito circunstancial. O homem está contigo quando ele quer, quando ele precisa, e não quando você quer ou quando você precisa dele; quando convém a ele, aí sim, ele está contigo, quando ele tem algo a ganhar. E, mesmo assim, não importa se você é a mais linda, a mais inteligente, a mais meiga ou a mais gostosa de cama, se tiver outra do lado da casa dele, ou que ele não conhece, ou que atravesse a mesma esquina dele, ele vai querer estar com ela, porque homem é assim e ponto, você já deve saber disto. O bicho homem está sempre em busca de novidade, do desconhecido, você mesma me disse isto uma vez, por isto não entendo a razão de você se dar tanto a conhecer, se o que motiva-os é o mistério, o que não conhecem, o que não experimentaram ainda, e, principalmente, quem ainda não experimentaram…
- Tá, eu sei.
- Paula, os homens não são leais nem às esposas deles, muito menos então serão às suas acompanhantes. Então pare de defendê-los desse jeito, pare com essa mania de querer sempre dar o melhor, bla bla bla bla, você só está gastando energia, garota, porque as meninas que não dão o melhor continuam ganhando tanto ou mais que você, e sem fazer esforço nenhum.
- Tá, mas elas são elas e eu sou eu.
- Ok, Paula, você que sabe. Mas você vai ter que aprender que não pode passar a sua vida perdendo sempre tanto tempo. Te liguei um dia desses, você disse que ia atender cliente, eu te disse que ligava depois, liguei meia hora depois você nada, quarenta minutos depois você nada, uma hora depois você nada, você só retornou a chamada uma hora e vinte depois, ou seja, atrasou com cliente, e aposto que nem cobrou dele o tempo extra, e eu sei que você vive fazendo isto, com esta sua ideia de “dar sempre o melhor atendimento”. Se liga, garota, esse valor que ele te pagou ele vai dar para qualquer uma, independente se ela atender bem ou se atender correndo, independente de ela dar um atendimento mais ou menos com sorriso falso ou se der melhor atendimento, você não sabe disso?
- Sim, eu sei.
- Desculpa estar falando isto, mas é que eu vejo: você perde muito o seu tempo.
- Eu também sei.
- Você já aprendeu que não pode ficar contando sempre só com os clientes mais carinhosos, mais educados, mais humanos e tudo isto, não aprendeu? Já aprendeu que aquele que diz que gosta muito de você, que é muito carinhoso contigo, que acha que o tal do atendimento humano é a melhor coisa do mundo etc., fazendo as contas, não é o que paga as suas contas, não aprendeu?
- Vixi… Faz tempo que eu já sei disso.
- Você sabe, Paula. O homem até pode achar o conceito muito interessante, mas, na prática, o que acontece é que ele está de pau duro. E se ele está de pau duro, ele não está nem aí se quem vai resolver o problema dele vai ser uma acompanhante humana ou não, se vai dar o melhor atendimento ou não, se ela é traficada ou não, se ela está sendo explorada ou não, o que ele quer, simplesmente, é que alguém resolva o tal “problema” dele.
- Eu sei.
- Sabe e não sabe. Porque ao longo dos anos eu vi você se desgastar por causa de cliente, quando não vale a pena. Quer ser amiga deles? Seja, mas só durante o atendimento. Ele vem, você recebe durante aquele tempo, ele vai embora então acabou a relação, não vale a pena, até porque amanhã você nunca sabe mesmo.
- Hummm.
- Você percebeu isto tarde, eu sei, e foi esse um dos seus grandes dramas dos últimos tempos. Você acreditou numa coisa que na verdade não existe. Mas essa coisa só existia mesmo na sua cabeça, Paula, porque qualquer menina com meia semana de atividade já tinha percebido tudo bem antes de você.
- Tá bom, me chame de idiota, eu mereço.
- Só te dando um toque, mas agora vamos falar de outro assunto que esta conversa enjoou. Vou dormir aqui na sua casa hoje, está bem?
- Tá, mas mais tarde vou atender um cliente, então você se tranque no quarto.
…
Sempre fui contra esse negócio de ter gente em casa, até porque sou reservada, e gosto da minha privacidade. Mas agora quase todo dia eu tenho gente aqui, ou vou para a casa de alguém. Sei lá, estava me sentindo estranhamente sozinha nos últimos tempos. E apesar de não gostar que ninguém se meta muito na minha vida, pessoas mais íntimas – mesmo íntimas – eu permito. Por vezes, faz muita falta um olhar vindo de fora, um puxão de orelha construtivo, uma opinião de alguém que realmente gosta de você.
Meu outro amigo concorda plenamente com a minha amiga, apesar de ele não ser do babado. Ele conhece muita gente da atividade, e diz que só eu que fico com essa frescurice toda. «Paula, atende o cliente, mas ponto. Não fica aí se consumindo com tudo isto não. Acabou o atendimento? Volte imediatamente para a sua vida, ao invés de fazer do resto do seu dia uma continuação daquilo que acabou de viver.»
…
Faz tempo, já faz muito tempo, que de vez em quando atendo clientes da minha amiga. Às vezes vou para a casa dela, ou ela vem para a minha, a gente fica conversando, de vez em quando aparece cliente no meio da conversa, uma ou outra vai atender cliente, depois a gente continua a conversa de onde parou, como se não tivesse sido interrompida.
Só que os clientes dela são… como vou definir? Ah, são “clientes de convívio”, sabe? Cara chega, quer sexo do bom, mas só isto. Pra ele, pouco importa se eu chamo Maria ou Catarina, a vida que eu tenho, o que penso do mundo ou o que quero para o meu futuro. Importa que ele quer se satisfazer, só isso. Claro que, dentro disto, vou tratá-lo bem e ele vai me tratar bem, mas ponto, tudo começa e termina ali. E não, não é tão ruim quanto parece, mas é só de vez em quando que eu atendo clientes dela, só quando a gente está no papo e marca com vários ao mesmo tempo, risos, aí tipo, chega um e ela atende, mas depois liga outro dizendo que chegou também, então é feio deixar o cara esperando, por isto que atendo. É que o atendimento dela não tem marcação, até porque, onde ela atendia, os clientes marcavam e não apareciam, ela ficava igual boba esperando cliente aparecer – muitas vezes perdendo cliente que estava à porta por causa daquele que jurou que vinha àquela hora -, mas rapidamente mudou a estratégia e hoje só atende assim, e pra todo mundo – não é exatamente todo mundo, notei que existe sim um filtro – ela diz que está disponível na mesma hora, até porque cliente às vezes é enrolado, pergunta daquela hora mas afinal só vem mais tarde, não dá pra ficar contando, e assim funciona bem melhor.
Existe uma grande diferença entre “cliente de convívio” e “cliente de acompanhantes”. Cliente de convívio quer encontro na hora, cliente de acompanhante marca hora. Cliente de convívio quer meia horinha, vinte minutos, cliente de acompanhante quer no mínimo uma hora. Cliente de convívio não importa se você tem mais 30 mulheres dentro do apartamento, cliente de acompanhante não, quer privacidade, não quer ser visto por ninguém. Cliente de acompanhante quer conversar contigo, saber mais de ti, por vezes fala dele também, o que é sempre interessante, já o cliente de convívio vem já tirando a roupa, a gente troca nome, dois beijinhos e depois é só sexo, objetivamente, o que por vezes até é interessante. Cliente de acompanhante costuma ser mais confiável, são pessoas mais distintas, cliente de convívio às vezes é mais complicado, e por isto mesmo que por vezes as meninas se sentem muito mais seguras trabalhando para uma “casa” do que enquanto independentes.
Minha amiga, acho que já contei aqui, não tem muita paciência para ficar conversando com cliente. Prefere aquele atendimento jogo-rápido, do que ter que ficar muito tempo com cliente, ou esperando cliente. De certo modo, nem posso dizer que ela está de todo errada.
Conheço pessoas em todo lado. Conheço acompanhantes do mais alto nível, como também pessoas que trabalham com convívio, boites, alterne, rua, etc. E como disse aqui várias vezes, respeito todas de igual maneira, nenhuma é melhor que a outra.
Aliás, eu mesma comecei em boîte, depois fui para o convívio, e só depois me tornei acompanhante. Mas como disse, de vez em quando ainda faço convívio também, e de vez em quando é interessante, vivo coisas engraçadas…
…
Mas o que eu ia dizer? Esta minha amiga veio pra cá ontem à noite porque estava preocupada comigo. Veio e falou muito na minha cabeça, risos.
Mas o principal que quero contar mesmo… vai ser no post seguinte. Diz respeito a um atendimento que acabei de fazer.
