Acompanhantes por opção e escolha (3)
Março 28, 2008
Mas como eu ia dizendo…
Há que se ter cuidado com a mentirada que há por aí.
Como disse, acredito – e admiro – na B. quando ela diz que gosta de ser acompanhante porque há toda uma série de argumentos e uma consistência nos seus actos. Você vê na postura, no profissionalismo, no trabalho todo que faz a nível de imagem, etc., etc. Quem pensa que não dá trabalho está muito enganado. Ser sério dá mais trabalho do que não ser.
Mas eu não acredito em muita gente que diz que gosta de ser acompanhante, porque falta essa consistência, porque falta esse “reconhecimento”. Primeiro porque, por vezes, a garota diz que gosta de ser acompanhante e nem é acompanhante, esse foi apenas “um nome bonitinho para o que faz”. Ou às vezes nem faz.
Um exemplo muito comum… Às vezes a pessoa afirma que gosta de ser acompanhante. Aí você pergunta a razão e a pessoa responde: “Porque gosto de sexo, porque gosto muito de sexo”. Claro, é isso o que o cliente quer ouvir. (Como se fosse muita novidade alguém gostar de sexo, ou como inclusive quisesse dizer que toda pessoa que gostasse de sexo tivesse que ser prostituta, ou acompanhante, a tal palavrinha que utilizam).
Se uma pessoa gosta de sexo, nem seria normal que ela fosse acompanhante ou prostituta (digo, se fosse esta a razão principal como dizem).
Porque se é apenas um desejo por sexo, este é conseguido com uma facilidade muito maior fora do acompanhamento ou da prostituição. Veja só, você vai num bar ou numa discoteca, e convenhamos, o simples facto de ser mulher garante que, se você quiser, poderá ter sexo com um ou com vários homens.
Você pode andar na rua e lançar um olhar para alguém, e de repente estarem a fazer sexo, simples assim.
Acham que é complicado para uma mulher arranjar alguém para fazer sexo? Difícil é encontrar alguém para casar, ou para namorar, para te enviar flores, para ir contigo num museu, para cuidar de você quando está com febre, para te ligar no dia do seu aniversário… para fazer sexo é muito fácil encontrar alguém, você nem precisa de procurar.
Até numa casa de prostituição o cliente precisa ir até lá, ou precisa ligar antes, saber as condições, etc., etc., e o sexo que deveria ser “fácil” não é tão fácil assim, afinal há uma série de regras. Sexo fácil, para mim, é quando ando na rua, olho para um homem e ele olha para mim, a gente tem vontade, vai e faz, o resto é tudo muito complicado.
Enquanto amante profissional, mais complicado ainda. Eu podia dizer, “gosto muito de sexo”, o que não seria uma mentira. Mas era o mesmo que responder aquela pergunta “qual é a sua posição favorita”. Eu prefiro estar por cima, é verdade, afinal sou tântrica e não fujo à regra, mas na verdade a minha posição favorita – ou o que quer que seja – vai depender também do outro, o que sinto com uma pessoa não é o mesmo que sinto com outra. Tenho por exemplo um cliente com quem adoro fazer sexo de pé, o que não quer dizer que vou querer fazer sexo de pé com todos os homens, é apenas uma coisa entre eu e ele, uma sensação, uma vontade que dá, não há algo que se aplique em todos os casos.
Sexo por sexo é algo muito simples, o que quero é algo muito além.