Falar sobre crenças e sobre a fé (6)
Março 29, 2008
Talvez tenha passado desapercebido, ou talvez tenham notado uma contradição no meu livro (Alugo o Meu Corpo). Por um lado mostrava um lado catolicíssimo, por outro lado falava por exemplo de Dona Maria Padilha. Porque na minha terra isso não é nada incomum ou assim tão estranho (claro, em todos os lugares há os fanáticos e aqueles que não aceitam as crenças e a fé alheia). Ao mesmo tempo que por parte da família directa eram todos católicos, tinha também um parente que me levava para a Umbanda e por vezes também ia para o Centro Espírita para receber o passe. (Apesar de não admirar tais livros enquanto literatura, talvez tenham percebido isso em mim pelo facto de já ter lido por exemplo Zíbia Gasparetto ou de ter falado um dia do livro Violetas na Janela, livros estes que, apesar de nem sempre gostar da escrita, leio pelas histórias e inclusive em função de um pedaço da minha fé).
Para alguns talvez não se encaixem alguns conceitos, outros dirão que assim uma pessoa adora a vários deuses, outros dirão que estou acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo, mas eu continuo acreditando que Deus é um só – dividido em três, Pai, Filho e Espírito Santo, conforme me ensinaram na catequese – e que não importa a religião, desde que se mantenha o amor por Deus, desde que se mantenha o amor pelo próximo e inclusive, que a fé não seja um acto passivo, mas que se demonstre em actos para com o outro.