Sei que esperavam de mim algo lógico, algo que posso justificar, algo até científico. Mas confesso, não consigo explicar esse arrepio no braço direito, o suor frio nas mãos – por vezes até com tremor – e essa sensação de mal-estar, a garganta apertando e o aperto no peito com um simples telefonema. Nas vezes que contrariei a minha intuição eu até gostaria de te dar uma justificativa lógica, “ah, eu tive a intuição e fui atender o gajo, me contrariando, e por estar contrariada que o atendimento não correu bem”, mas não, quando contrariei a minha intuição fiz de tudo justamente para provar a mim mesma que a intuição estava errada, ou seja, dei o meu melhor sorriso, fui a pessoa mais simpática e mais querida desse mundo com o cliente, mas é como se sentisse que o que ele tinha de ruim já vinha lá de fora, que não adiantava nada da minha parte para mudar a situação, ou para mudá-lo.

“Ah, talvez você não estivesse muito bem naquele dia, ou com algum problema na cabeça” – você tenta me explicar. Mas como posso explicar que não sinto essas mesmas sensações com os outros telefonemas naquele mesmo dia, telefonemas estes que por vezes vêm no minuto seguinte?

Sim, eu sei que é complicado de entender, mas dessa vez eu não tenho mesmo como explicar.