Cozinha
Março 31, 2008
Confesso que não gosto de cozinhar. Quer dizer, na verdade gosto. O que não gosto é daquela rotina de ter que cozinhar todos os dias, quando você tem aquela responsabilidade de fazer o almoço e o jantar diariamente por causa das pessoas que vivem contigo.
Quando vivia em bordel eu raramente cozinhava. No primeiro bordel por causa da tal cozinha que descrevi no meu livro. No segundo bordel porque tinha uma cozinheira que fazia o almoço e o jantar para nós. No terceiro bordel porque trabalhava quase 24h, não dava tempo “para essas coisas”, a gente já acordava e ia para o restaurante para almoçar, para logo a seguir ir para o bordel. No penúltimo bordel onde trabalhei também tinha alguém para nos fazer a comida, mas eu detestava a comida de lá, completamente sem gosto, sem contar naquela coisa, até hoje não sei comer sem arroz, comer sem arroz para mim é o mesmo que não comer.
E é uma questão de gosto pessoal, eu particularmente não gosto da cozinha portuguesa. Poderia dizer que era uma questão de cultura, mas não é, afinal muitos amigos meus gostam. Não estou dizendo que não gosto de toda a cozinha portuguesa, há alguns pratos que gosto sim. A questão é que, para uma pessoa que não come carne vermelha – não por ser vegetariana, e nem quer dizer que nunca coma carne vermelha, simplesmente não gosto, não acho a mínima graça – por vezes não há muita opção (dependendo do local ou do restaurante onde estou). Já tive situações em que saí com alguém para um restaurante e isso aconteceu, nenhum prato me agradava e eu fiquei comendo folha.
No primeiro apartamento onde vivi com mais duas meninas eram elas a cozinhar. Eu ajudava nas compras de mercado mas raramente comia lá, não me sentia à vontade, sabe quando você vive numa casa, divide todas as despesas, mas você não sente que mora lá? Sei lá, a sensação era esta. As meninas eram legais comigo sim, mas não me sentia à vontade, apesar de dividir as despesas era como se sentisse que morava de favor, então só ficava no meu quarto, às vezes ia para a rua, cinema, biblioteca ou ginásio, de noite voltava para me arrumar e depois ia para o bordel, era assim o meu dia-a-dia.
Então quando aluguei o meu próprio apartamento enfim sentia ter uma casa que era mesmo minha, aí voltei a cozinhar. E para a minha surpresa, tudo dava errado, afinal não me acostumava com alguns produtos ou com a força do fogo, ou talvez fosse mesmo o tempo que estive sem “praticar”. Meu arroz era aquele “unidos venceremos”, se jogasse para o tecto ele ficaria ali preso durante uma semana.
Então naquela altura tinha a GNT em casa e comecei a assistir a Ana Maria Braga, e ela mudou a minha vida, risos, risos.
Hoje não preciso cozinhar todos os dias, porque uma comida que faço hoje dura uns três dias. Continuo sem gostar muito de ir a restaurantes, comida para mim tem que ter gosto de alho.
Então tem dias, como ontem, que cismo de inventar alguma coisa na cozinha. É todo um ritual, toda uma preparação. Mas o resultado costuma ser excelente.
O peito de peru que fiz ontem afinal já tinha inventado antes, mas resolvi substituir a sopa de cebola – que uso para fazer o molho – pela sopa de espinafre. Ainda prefiro o que fazia com a sopa de cebola, mas ainda assim ficou muito bom, inclusive com um gosto mais cítrico, porque dessa vez coloquei limão e aumentei a quantidade de cebola.
Quando estou nesses dias fico completamente concentrada, afinal comida é algo que a gente deve fazer com amor. Por isso o telefone tocou, eu ouvi mas nem fui ver quem era. E afinal era o Conterrâneo, mandei mensagem hoje cedo para ele.
Acordei hoje antes das 5, porque dormi cedíssimo, por volta das 23h (sim, esse horário para mim é muito cedo, habituei-me às madrugadas).
Agora vou organizar umas coisas aqui e preparar o pequeno-almoço, bom dia para vocês!