Quando somos incompatíveis – Parte 10
Agosto 31, 2008
Há um acordo, e esse acordo tem regras e condições que precisam ser respeitadas. É muito simples: se um homem concorda ele procura essa acompanhante, se não concorda procura por outra que ofereça o que ele pretende, simples como isso.
Explicou que o que queria era que eu indicasse uma acompanhante que não lhe “tirasse a fotografia” assim tão rápido como eu fiz. Aí eu expliquei para ele: só se ela for muito inexperiente, tiver entrado agora na actividade. Caso contrário, todas logo tiram o tal retrato. É que o homem tem comportamentos-padrão, digo, quando procura por acompanhantes. É claro que há aquele que vai se mostrando aos poucos, que vamos descobrindo aos poucos. Mas também há aquele que nos é muito claro, não adianta insistir. E quando digo “não adianta insistir” é por ter passado por esse período de menor experiência em que houve essa insistência, comprovadamente inválida. Quer dizer, para aquela acompanhante que só interessa ganhar mais alguns trocados, pode ser que finja não tirar o tal retrato. Para ela será indiferente as motivações dele, se ela é apenas mais uma para ele ou não, porque ele também será apenas mais uns trocados para ela. Mas se ele está me falando de acompanhantes que terão uma relação verdadeira, é óbvio que irão tirar um retrato, pelo menos no mínimo comparando com o tal retrato daqueles homens que nos tratam tão bem, como pessoas únicas e queridas, aqueles que buscam por mulheres, por pessoas, e não por apenas mais um pedaço de carne ou um “servicinho”.
Não estava falando isso tudo para traumatizá-lo, mas para ele aprender que as pessoas têm o seu valor, um valor enquanto pessoas. E não foi precipitado o tal retrato que lhe tirei. Com certeza ele não concordará com o que diz de mim a maioria das acompanhantes que me conhecem, ou seja, que sou a pessoa mais paciente do mundo, afinal ele achou o meu retrato precipitado. Mas sou mesmo, muito paciente, muito, exageradamente. Se dessa vez não investi nessa relação – ou seja, podia ter fingido não notar que ele queria apenas mais uma acompanhante, e ficar ali dizendo tudo o que ele queria ouvir, fazendo tudo o que ele queria que eu fizesse, com a intenção de que no futuro ele voltasse a me visitar e pudéssemos começar a construir melhor a relação – porque nesse caso era mesmo evidente: não haveria futuro para nós, não havia “nós”, justamente porque não era o que ele buscava. Ele buscava apenas por um momento em que se sentisse satisfeito, só isso. Amanhã ele ia procurar outra, e mais outra, e mais outra. Eu podia ter dado, em termos de sexo, em termos de falar o que ele queria ouvir, etc., o melhor. Não ia adiantar. Não ia adiantar porque não havia vínculo com a pessoa, mas apenas com o momento e com o que ele queria que aquela pessoa – que podia muito bem ser qualquer outra – lhe oferecesse.
Sabe como ele ficou? Tonto, como em estado de transe. Nunca havia acontecido algo igual, ele me disse. Senti que ele foi embora assim, se sentindo lesado. Mas se olharmos também para esse lado da “lembrança”, ele não devia se sentir assim não, afinal a recompensa que ele deixou na cómoda foi justamente para aquilo que recebeu. Não foi o planeado, mas acabou se tornando até uma coisa, digamos assim, justa. Mas claro, era preferível que eu tivesse dado o sexo e fosse eu a ser lesada…
Ele disse uma coisa que me tocou, essa parte foi a única que realmente me tocou. Disse que se sentia numa espécie de selecção, e que não tinha passado nessa selecção. Isso veio num tom triste, e me tocou. Me tocou porque jamais, em momento algum foi esta a minha intenção. Mas também não foi minha culpa. Se ele tivesse me procurado com algum sentimento, se a intenção dele fosse outra… as coisas poderiam ter sido bem diferentes. Foi duro, duro mesmo. Mas talvez tenha o lado bom. Talvez ele perceba um pouco o que é fazer o outro de objecto, como o outro se sente como objecto. Talvez, na próxima vez que esteja com uma acompanhante, passe a olhar para ela enquanto pessoa. Ou talvez, ao invés de ficar procurando em tantos lados por apenas um momento, um pequeno momento, possa valorizar os grandes momentos que as pessoas mais próximas lhe proporcionam, não exactamente à sua maneira, não exactamente como ele gostaria que fosse, mas de forma verdadeira, franca.
(Continuo amanhã)
Quando somos incompatíveis – Parte 9
Agosto 31, 2008
Achou que eu era muito complicada, muito cheia de condições. Mas é um direito meu, não é não? Ou sou mesmo obrigada a estar com todos os homens, a fazer sexo com todos os homens? É isso o que deve ser, uma violação consentida? A questão é que para muitos homens – os tais 75% do “mercado” – é isso mesmo. E como fingir faz parte do ofício – digo, na prostituição – o homem acaba se convencendo que, quando procura uma mulher e acha que ela é obrigada a fazer sexo com ele, que ela o faz porque quer ou que gostou muito. Como nos tempos da escravidão ainda, mas ele quer acreditar que o escravo – não estou falando de sadomasoquismo – gosta de ser escravo. “Vai sonhano, sinhozinho”… Esse tipo de homem – estou falando daquele que procura por um “serviço” em que o outro tem uma “obrigação” com ele – aliás, precisa de acreditar nisso, e é isso o que alimenta o “negócio”.
Mas eu não tenho “negócios”. Para gostar de fazer sexo com alguém, estabeleço o que gosto. Não me disponho a atender todo mundo ou a querer fazer sexo com todo mundo, mas apenas com aqueles que têm os mesmos objectivos que eu. Nisso estou falando de cumplicidades, de orgasmo espiritual inclusive.
Sou complicada por achar que tenho o direito de só querer fazer sexo com quem acho compatível comigo? Não estou dizendo que sou melhor que o homem ou que alguém; eu só acho que, quando um não quer, dois não brigam. Acho que, se eu quero uma coisa e a outra pessoa quer outra, a princípio já é um absurdo ela me procurar se quer uma outra coisa, se está ali tão claro aquilo que quero, que não é o mesmo que ela quer.
Tenho a minha página web que facilita bem as coisas. Se o homem quer é um serviço de prostituição, ou seja, ter alguém ali para ser uma espécie de escrava paga para lhe fazer o que quer, certamente ele nem vai pensar – ou não deve – em me procurar. (O tempo da escravidão, pelo menos para mim, já acabou há tempos!) Ou seja, na página sou bem clara quanto a isso, ou seja, se o propósito do homem não é construir uma relação, não é ter uma relação humana, verdadeira, intensa, franca… ele não vai gostar de estar comigo, logo, então melhor não me procurar.
Ainda me perguntou se podia recomendar alguma acompanhante. Mas veja… Eu só recomendo uma pessoa para uma acompanhante amiga minha se sinto que ela também vai gostar de estar com ele. Aquela dos 15, 20 minutos, por exemplo, aceitaria recebê-lo, mas acho que ele não ia gostar de estar com ela, porque ela é ainda muito mais frontal que eu. Não que ele seja má pessoa; a questão é que ele poderia ter ido se encontrar com as acompanhantes que conhece, afinal conhece já algumas, e o que ele quer é apenas mais uma. Mais uma para “experimentar”, sei lá. Falei de mais uma amiga minha, e ele se espantou quando eu disse que ela era ainda mais exigente que eu. Não disse isso para “queimar” a colega e amiga, até porque gosto muito dela, mas justamente por ser esta a verdade, e é um direito dela, e eu, justamente como amiga, não ia recomendar para ela alguém que eu já sei que ela não ia gostar. O simples facto de ele não trazer a lembrança num envelope, por exemplo, para ela seria algo terrível, imperdoável. Se contasse então que, talvez por engano, o valor era menor que o combinado… bom, aí nem essa de 15, 20 minutos ia querer recebê-lo.
Quando somos incompatíveis – Parte 8
Agosto 31, 2008
Apesar de termos nos tratado com educação, ele não gostou de estar comigo, e a recíproca é verdadeira.
Não que ele não seja boa pessoa. É coisa de compatibilidade mesmo. Ou melhor, de incompatibilidade. Eu não era aquilo que ele procurava, nem ele era aquilo que eu procurava, e nesse sentido estou falando de sensações, emoções.
Ele disse antes de ir embora: “Tomara que nunca se engane nas suas análises”, como quem diz que posso estar enganada. Mas tenho a certeza absoluta, não me enganei. Não é por construir uma relação que ele busca, e acho que um pouco de honestidade consigo próprio não faz mal a ninguém. Aliás, se tivesse sido honesto consigo próprio teria procurado por alguém que daria o que ele quisesse, e se sentiria bem com aquilo, ao invés de procurar uma amante profissional achando que é tudo a mesma coisa.
Não me faço de vítima, e por isso não gosto quando o homem fica se fazendo de vítima. “Talvez o que procure no fundo seja isso”, ele me disse numa hora, quando eu estava finalizando a massagem. Pode ser que no futuro ele até procure por isso, mas nesse momento não. Sendo muito sincera, parecia dizer isso para dizer o que eu queria ouvir, para me colocar mansinha e a fazer o que ele pretendia. Não gosto que tentem me manipular, isso é feio.
Ele ainda me perguntou se sou assim com todos os meus amantes, admitindo estar espantado com a minha frontalidade. No fundo ele pensava assim: “Impossível essa mulher ter muitos homens que a procuram, sendo assim tão ríspida”. Mas eu não sou ríspida não, eu só não sou é hipócrita. “Sou assim com todos eles”, respondi, e era a pura verdade. A questão é que não haverá qualquer tipo de conflito se, afinal, aquela pessoa que me procura vem buscando por carinho, por construir uma relação. Ou seja, tudo o que eu disser será bem interpretado porque afinal a pessoa busca mesmo por aquilo. Todavia, se a pessoa não busca por isso, é lógico que ela vai entender o que eu disser como rispidez. Há 75% de homens que buscam apenas pelo “sexo pago”. Uma trepadinha, um orgasmo bem fingido, uma babação de ovo para ele se sentir o máximo. Esse homem que paga pelo sexo acha que paga também pela simpatia, que paga pelos sentimentos. Só que não é assim. E os homens que me procuram, esses 25% que sobram, tudo o que não querem é essa falsidade. Eles chegam abertos, de corpo e alma. Eles não querem um “serviço”, eles querem uma pessoa. Eles não querem uma coisa só de corpo, eles não querem apenas uma satisfação sexual – até porque conseguiriam sozinhos -, e nem mesmo querem apenas uma companhia – fazendo as contas, comprar um cachorro seria mais barato. Eles querem construir uma relação, isso mesmo que eu disse.
(Continuo mais tarde…)
Quando somos incompatíveis – Parte 7
Agosto 30, 2008
Não sou o tipo de pessoa que diz “oi, paga logo”. Mas já quase passei por algumas rasteiras, por isso será muito comum eu pedir a “lembrança” antes do atendimento. Na minha página está bem claro: o homem me recompensa é pelo meu tempo de companhia, sexo existe se for de livre vontade e consentimento de ambas as pessoas adultas envolvidas.
Por isso, se eu quisesse dizer “oi, paga logo”, também não estaria errada, afinal se ele me recompensa pelo meu tempo, e se ele já está dentro desse tempo, não seria errado pedir. (Seria falta de educação pedir antes de dar boa tarde ou boa noite, mas não errado).
Mas ainda converso alguns minutos antes. Aliás, na maior parte das vezes só costumo pedir a “lembrança” quando começamos a nos tocar.
Tenho uma lembrança para o convívio e outra lembrança para a massagem. Apesar de ambos atendimentos terem o mesmo tempo, para a lembrança da massagem peço um valor menor.
Ele vinha para o convívio, não para a massagem. Convívio pode incluir massagem. Convívio pode ser sexo, se for da vontade de ambos, sexo e massagem ou, se o sexo não for da vontade de ambos, apenas conversa, ou conversa e massagem. O facto de eu ter uma lembrança com o valor mais baixo para a massagem é apenas para facilitar para aquelas pessoas que, afinal, apenas têm o objectivo da massagem mesmo, como fariam numa clínica de estética (não estou falando de massagem erótica ou descompressão, coisas que não faço).
Quando ia para iniciar a massagem, então, pedi que ele desse a lembrança. Deixou numa cómoda, sem envelope, mas as notas assim espalhadas. Peço na página para trazer num envelope, mas não impliquei. Semana passada mesmo houve quem dissesse: “Desculpe, Paula, não tive tempo de providenciar o envelope”, e claro, não impliquei. Mas no caso dele era diferente, deixou ali as notas mas também não disse nada sobre ter o conhecimento sobre o envelope. As notas ficaram ali na cómoda, e também não conferi. Vou explicar: o facto de pedir ao homem que traga a lembrança num envelope branco é justamente pelo facto de ser mais fácil conferir de forma discreta, afinal é uma imagem péssima uma mulher contando dinheiro, nota por nota, e no envelope é só dar uma olhada no número de notas, muito mais discreto assim. É uma imagem menos dura, pelo menos.
Só rolou a massagem mesmo, e conversa, afinal não me senti à vontade para fazer sexo com ele. Mas por causa daquele “climão” que sentia – aquela coisa de sentir ter sido a minha “obrigação” fazer sexo; ele não disse nada, eu que fiquei sentindo isso – cismei porque cismei de lhe devolver parte do dinheiro, ou seja, ficar apenas com aquele valor da massagem. Falei que ia lhe devolver parte do dinheiro e ele disse que não, que não precisava, que não queria que o devolvesse. Não precisava mesmo, afinal eu tinha ficado mais de uma hora com ele, e, tendo ele me procurado para um convívio, e sabendo que o convívio pode ser sexo apenas se for do consentimento de ambos, sabendo que me recompensa é pelo meu tempo de companhia, etc., o valor correcto seria aquele mesmo, o do convívio.
Ó, mas eu cismei. E quando eu cismo… eu cumpro, risos.
É que eu já sou gato escaldado, não quero que um homem pense que posso estar querendo dar uma de esperta. Sei lá, apesar de toda a honestidade no meu site, apesar de lá estar escrito que o sexo só acontece quando é da vontade de ambos – ou seja, estava a ser honestíssima – sei que na cabeça do homem – ou de alguns homens – as coisas não acontecem bem assim, fingem concordar porque tencionam ganhar aquilo, mas nem sempre calculando que não vão receber aquilo, até porque muitos estão acostumados com essa coisa fácil, sem precisar de afecto, sem precisar de conquistar.
E sabe, mesmo eu sendo desonesta comigo, mas não com ele, eu queria devolver aquela parte, nada me tirava da cabeça devolver essa parte, ficar apenas com a parte da massagem. Olha, uma coisa que homem algum pode me acusar é de ser desonesta. É muito mais fácil, se fizermos as contas na ponta do lápis, descobrirmos que sou mil vezes desonesta comigo mesma – me roubando, me lesando – do que descobrir que lesei um homem, que fui desonesta com ele num mísero cêntimo que for.
Ele dizendo que não, que ficava por aquele valor do convívio mesmo, que não queria receber uma parte de volta. Aí vou contar o dinheiro, para lhe devolver a parte que cismei de devolver. Como a maioria das pessoas deixa o valor com a gorjeta incluída, a minha ideia era devolver o valor a mais e também o valor da gorjeta, ficar apenas com o valor da massagem, não fazia sentido ficar com uma gorjeta se, afinal, não dei ali o que dou para as pessoas amáveis que me procuram.
Aí sabe o que descubro? Que estava faltando uma parte. Não, não estou falando da gorjeta, que afinal não é obrigatória – os homens que, por educação, costumam deixar, ou então trazer alguma prenda, é apenas um simbolismo, uma forma de dizer que não está te recompensando por um serviço, mas que você é uma pessoa especial – mas uma parte do valor estabelecido para convívio. Ah, com essa vocês não contavam!
Não foi por querer da parte dele, pelo menos me pareceu sendo honesto quando disse que pensava ter colocado ali mais. Eu contei na frente dele, mostrando que não, que tinha ali apenas o valor da massagem mesmo, e não o valor do convívio. A sorte era não ter saído de perto dele, porque se tivesse saído dali, o que acontece é que o homem fica pensando que você escondeu alguma nota, tipo para dar um golpe. Semana passada tinha acontecido o mesmo, e apesar de ter sido ressarcida, fiquei mais atenta, afinal esses enganos podem acontecer. (Isso quando alguém não fizer isso de caso pensado…) Ele ainda abriu a carteira, penso que a procurar a nota que faltava que ele pensava ter colocado ali, mas não havia mais daquela nota, me pareceu. E então, apesar de ele ter batido o pé que não queria que eu lhe devolvesse dinheiro algum, indirectamente o devolvi. Mas veja por outro lado: se as coisas tivessem acontecido segundo o padrão masculino – o padrão do homem que pensa que paga pelo sexo -, ou seja, se eu tivesse feito sexo com ele, acabaria tendo sido lesada, dado ali estar um valor menor que o estabelecido.
Agora veja só… Eu ali muito preocupada com a situação, afinal não estava com à vontade e com vontade de fazer sexo com ele… Eu muito preocupada porque, afinal, entendia que era isso o que ele buscava… Mesmo sendo honesta por estabelecer que o homem me recompensa é pelo tempo de companhia, não sendo eu obrigada a fazer sexo com ele, aquilo me preocupou… Me preocupou porque, mesmo eu sendo tão honesta, ele se sentiria lesado porque afinal, era sexo o que buscava… Mas eu ali me preocupando, mas pronta para ser lesada, porque, afinal, a recompensa que ele deixou na cómoda não era para convívio, mas mesmo só para massagem. É porque acho que deve haver alguma confiança, não gosto de ficar contando dinheiro na frente do homem. Mas se logo no princípio eu tivesse visto que ali estava o valor da massagem, e não o valor do convívio, eu nem teria me preocupado tanto, nem teria ficado procurando em mim uma compatibilidade com ele, se, afinal, ali o que estava era o valor da massagem, logo isso devia significar que o que pretendia era mesmo apenas uma massagem…
(Continuo amanhã…)
Quando somos incompatíveis – Parte 6
Agosto 30, 2008
Não é exagero meu não. Eu não sou de ver as coisas cor-de-rosa. Você acha que muito homem se importaria se, assim que chegasse, eu desse uma boa tarde rápida, pedisse o dinheiro e o levasse logo para a cama? Eu poderia fazer, meus queridos, exactamente a mesma coisa que fazia antes no bordel, não pensem que muito homem ficaria descontente. Tenho uma amiga que ri de mim, porque ela também costuma atender por uma hora, a lembrança dela é a mesma que a minha… Ela ri porque eu costumo ficar por 50 minutos a 1h com os homens no quarto, muitas vezes até passo do tempo, quando ela no máximo dos máximos gasta 15 ou 20 minutos. Não é por tempo; acabou o “servicinho” o homem tem que colocar a roupa e ir embora, diz ela. Ela ri de mim porque, afinal, é muito mais inexperiente que eu, mas acha estranho eu fazer assim, diz que estou “andando para trás”. A questão é que, se fosse para atender os clientes dela, realmente eu faria o mesmo, e nem precisaria de tanto tempo. Os clientes dela não buscam por carinho, nem por afecto, mas por uma trepadinha. Não penso que estou “andando para trás” por estabelecer que quero atender aqueles que gosto de atender, ou seja, aqueles que buscam por carinho, aqueles que querem construir uma relação. Mas me sinto sim, muito desgastada, quando acho que tenho esse direito de atender aqueles que buscam por isso que estabeleci e aparece alguém que quer apenas uma “trepadinha”. Porque ao estabelecer que quero uma coisa e vendo que afinal o que uma pessoa busca é outra, de duas uma: ou vou me manter eu mesma e não vou dar aquilo que a pessoa busca – porque o que ela busca não é o que defini oferecer -, ou então vou ser “obrigada” a fazer como a minha amiga, dar a tal trepadinha rápida e até nunca mais. Mas veja: eu não precisava ter esse trabalho todo, mantendo sites, cuidando de tudo sozinha, criando os textos, etc., se fosse apenas para dar uma trepadinha rápida. Para uma trepadinha rápida eu precisava apenas, aliás, de uma simples página: uma foto, preço, faço x e y, número do telefone.
Ele perguntou se eu não podia estar errada na análise que fazia dele. Olha, como eu queria estar errada!
Quando um homem quer uma relação com uma mulher, digo, construir uma relação, há uma demonstração clara disso. Não através das suas palavras – um homem é até capaz de dizer que te ama se você estiver por cima dele – mas do seu comportamento, dos seus gestos.
A questão é: ou o homem quer construir uma relação ou ele não quer; ou busca por isso ou não busca. Nenhum homem é obrigado a vir ter comigo se ele não concorda com as minhas condições. Se ele não quer construir uma relação, ninguém disse que ele é obrigado a me procurar. O grande problema é este, quando ele me procura querendo outras coisas diferentes daquelas que estabeleço.
Não estou dizendo que um homem está errado em ter mil acompanhantes e se encontrar uma vez por ano com cada uma delas. Se é isso o que ele quer, é isso o que deve procurar. Se um homem acha que precisa ter mil relações… bem, o problema é dele. E se ele acha que precisa disso e procura por isso… óptimo, está procurando por aquilo que acha que precisa. O problema é quando ele me procura, afinal a mim ele só deve procurar se quer construir uma relação, e não por querer que eu seja uma dessas mil. Tipo, eu não busco uma relação com indiferença, eu não quero um “trabalhinho de bordel”, mas construir uma relação mesmo…
Como eu dizia, tem a ver com a intenção, muito mais do que com as palavras dele. Vou dar um exemplo: hoje vou estar com o Músico, meu amante há anos e anos. Na Zona Centro, obviamente, nos encontrávamos com mais regularidade, afinal ele mora lá. Agora eu estando em Lisboa não nos encontramos mais do que uma vez por mês.
Não é por romantismo que eu busco. Busco por uma sensibilidade maior. Busco por sentir que aquela pessoa que está comigo está mesmo comigo. Busco por sentir que, para ele, não sou um objecto. Busco sentir que não é indiferente, para ele, ser eu ou outra pessoa que lhe dá o que pretende. Busco por uma relação humana, intensa, mais alma que corpo.
Se você visse as mensagens que o Músico me manda pensaria: “Paula, esse daí certamente não é seu amante”. Afinal nas mensagens, e nas palavras, o Músico não é nada sensível. “Então, Paula, vamos dar uma foda essa semana?”, é assim que ele me contacta a dizer que quer marcar um encontro.
Mas eu prefiro essa frontalidade do Músico do que as palavras doces que, afinal, querem dizer a mesma coisa. Não gosto de jogos.
Todavia, apesar de toda essa frontalidade, o Músico é uma das pessoas mais doces que conheço. Nunca me desrespeitou. Nunca alguma vez, no seu olhar, notei alguma “obrigatoriedade” minha quanto a fazer o que ele quisesse. O Músico tem todo aquele ar de “não quero construir uma relação, quero apenas fazer sexo contigo”, mas, afinal, o que andamos a fazer nesses últimos anos? Construímos uma relação, isso sim. Fizemos muito sexo também, mas sobretudo construímos uma relação. Ou seja, não são as palavras, mas os actos.
Apesar de ter esse ar de “homem do mundo”, sem cobranças de parte alguma o Músico foi se tornando uma dessas pessoas que ficam. Por quê? Porque mesmo que ele não admitisse, havia essa vontade dentro dele.
Quando somos incompatíveis – Parte 5
Agosto 30, 2008
Quanto mais o tempo passava, mais eu me questionava: então, faço ou não faço sexo com ele? A questão é que era um encontro de apenas uma hora, logo, se deixasse muito para depois, não sobraria mesmo tempo.
Ele foi se tornando mais simpático na conversa. Mas veja só, não se faz sexo com um homem apenas porque ele é simpático. Os bêbados aqui da esquina – lembra que já falei do Zé Cachaça? – são todos muito simpáticos, mas nem por isso saio fazendo sexo com eles.
Como ele disse gostar que passem cremes no seu corpo, resolvi lhe fazer uma massagem, e enquanto fazia a massagem podia ver se conseguia encontrar algum clic, alguma gota de compatibilidade que mostrasse que uma relação entre nós poderia ser construída.
Mas não, não dava. Não por ele ser melhor ou pior que alguém, mas por sentir que não havia nele uma porta aberta para o afecto, que não era o que buscava, ou que isso não fosse bom para ele. (Bom seria apenas por ser sexo, porque sexo é sempre considerado algo bom para a maioria das pessoas do sexo masculino; mas seria apenas sexo, e para ser apenas sexo eu não precisava ser amante profissional, eu não precisava dessa série de estruturas, etc…).
Fui ficando nervosa com essa situação, e falando mais rápido. Devia ter seguido a minha intuição desde o princípio, eu pensava, erro meu ficar com esse medo de ser injusta ao telefone, pensando que afinal a pessoa podia apenas não saber se expressar… O problema é este, eu adorar os tímidos (os tímidos verdadeiros, e não aqueles que fingem ser tímidos ou que se acham tímidos quando não são), e os tímidos por vezes têm esse problema, não sabem se expressar ao telefone, logo sempre corro o risco de a pessoa ser realmente tímida e eu não tê-la atendido apenas por isso, por não saber se expressar. E então por vezes pode acabar sendo assim, só ao vivo posso ter a certeza.
A questão é que essa coisa de “querer construir uma relação” não era algo que existia nele. Aí ele me disse: “Porque sou um homem casado, tenho filhos”, e eu pensando comigo “ah, tá, é o primeiro homem casado e com filhos que atendo…”. Sério, seria cómico se não fosse trágico esse negócio de o homem querer justificar um comportamento com “porque sou um homem casado, tenho filhos”. Conheço muitos homens que são casados e têm filhos, nem por isso todos eles precisam estar uma vez por ano com cada acompanhante – sei lá quantas -, muito menos é o facto de serem casados e terem filhos que é a causa de uns quererem uma relação humana e outros quererem uma relação em que o outro é seu objecto. Aliás, há homens casados e com filhos que nem pensam em ter uma companhia profissional. Ou seja, me digam tudo, mas não usem uma justificativa tão sem nexo como esta. A questão é: enquanto amante profissional, me disponho a receber aquelas pessoas que, dentro delas, estabeleceram querer uma relação humana, construir uma relação humana. É muito fácil babar o ovo de um homem, eu era obrigada a fazer isso directo em bordel, fui treinada para isso. Mas enquanto amante profissional não. Se ele me procura enquanto amante profissional, uma das primeiras coisas que deve saber é que não vou ficar babando o seu ovo, não vou dar aquela “massagem no ego” que ele procura em bordel ou casa de alterne. Ou há um desejo nele de haver uma relação humana… ou não há. Se não há, nem deveria ter me procurado.
Vou confessar uma coisa… Seria muito mais fácil ter feito sexo com ele. Podia ser o sexo mais fingido, um sexo tão frio e “profissional” como o do bordel. Ele iria embora contentinho, porque para o homem – boa parte – nem sempre os sentimentos importam, desde que você dê aquilo que querem que você dê. O homem – boa parte – prefere uma ilusão bem fingida do que uma palavra honesta. Tipo, se eu tivesse feito sexo com ele, pelo menos não ia ficar esse “climão” ruim. Podia não ter dado uma única gota de carinho, mas o simples facto de fazer o homem gozar faz com que ele afinal mude o seu semblante e pense que, afinal, lhe dei alguma coisa de muito boa, quando foi apenas sexo, e sexo quando é apenas sexo… é apenas sexo, só isso.
Olha, horrível sentir esse climão. Te juro, mais fácil mesmo era fingir, era dar o sexo e pronto, “serviço terminado”. Esquecer a necessidade de afecto para construir uma relação, fingir que estava no bordel, dar a trepadinha e pronto. Não ia ser tão difícil, afinal quantas vezes fiz sexo sem afecto algum?
A questão, ou a diferença, é que agora, nos últimos anos, desde quando me tornei amante profissional, resolvi me virar para aqueles com quem o sexo sempre foi verdadeiro, uma descoberta de ambas as partes, uma troca de afectos, de carinho, de ternura. Ou seja, aqueles que têm o coração aberto para o afecto, que me procuram por isso. Mas aí está o problema, quando alguém não me procura por isso. Quando o homem me procura com outros propósitos é como se me colocasse numa terrível saia justa.
Quando somos incompatíveis – Parte 4
Agosto 30, 2008
Acabo descobrindo que ele não tinha lido todo o meu site. Apenas leu na diagonal, quando muito. Possivelmente essa coisa de querer “construir uma relação” não ficou bem entendida.
É verdade, faço sexo com a maioria das pessoas que recebo. Grande maioria mesmo, não vou mentir, não preciso me fazer de santa. Mas não gosto de fazer sexo quando me sinto obrigada, quando sinto que “é a minha função”. E sou amante profissional justamente por causa disso. E quem me procura enquanto amante profissional é porque concorda também com isso. Quem me procura como amante profissional não quer um “serviço”, quer uma relação mesmo, verdadeira, honesta, frontal, sem jogos e truques.
Se o homem quer apenas ter uma relação sexual, ele não precisa de estar comigo. Ele pode ir no bordel, e não precisa de concordar com essas série de coisas que imponho como condições, e seria tudo mais fácil, e com satisfação bem mais garantida, inclusive. No bordel não são necessários os afectos, ao contrário de enquanto amante profissional. No bordel o homem paga um quarto por meia hora, ele quer usar o meu corpo para se masturbar e chegar ao orgasmo, eu atendo-o em 5 minutos e ninguém usa ninguém, ou os dois usam os dois, simples assim. Ou seja, se o que proponho não é estar no bordel, o homem que me procura deve ter uma postura diferente da do bordel. Conquistar, se relacionar ao invés de apenas ter relações.
Um homem que está uma vez por ano com cada acompanhante não me parece querer construir alguma coisa com cada uma delas. Ele quer construir algo para si próprio, e agora independe de ser algo verdadeiro ou apenas uma ilusão.
E ali, comigo, não parecia ser diferente. Pelo menos não senti afecto, não senti ternura, ao contrário das pessoas com as quais estou habituada a estar, que me procuram justamente porque sentem, de alguma forma, algo por mim. Não estou dizendo de amor, de paixão, apesar de por vezes também acontecer. Estou dizendo que, ao ler os meus textos na web, ao acompanhar os textos do meu site enquanto acompanhante, etc., as pessoas vão se sentindo mais próximas. Mas ele, como não leu tudo, como quis ser bastante objectivo, não tinha construído nenhum laço de afecto comigo, e isso era claro no seu olhar. Era claro que, o que ele buscava, não era exactamete aquilo que eu tencionava oferecer.
(Continuo mais tarde…)
Quando somos incompatíveis – Parte 3
Agosto 29, 2008
Ele chegou, cumprimentei-o, conversamos. Ele diz que é tímido, e eu até brinquei dizendo que era um falso tímido, afinal tinha mais experiências com acompanhantes que muitos homens que conheço. Conversava bem, e bastante, mas me pareceu uma pessoa fechada, ou fechada em termos de afectos, digo. Não estou dizendo que ele não tenha muito afecto para dar. Estou dizendo que talvez, num tipo de situação assim, ele não estivesse tão disposto a despir mais a alma que a roupa.
A roupa, aliás, ele foi logo pedindo para despir, e eu permiti, afinal não há problema algum em um homem querer logo ficar à vontade. Mas bem, um tímido não chegaria tirando a roupa.
Antes de saber o que vou fazer com um homem, tento me ambientalizar, saber o que realmente ele precisa, o que tenho para dar, me sentir também à vontade, essas coisas. Veja só: o problema pode ser até meu mesmo, e não dele, mas a questão é que não conseguia mesmo me sentir à vontade com ele.
Porque ao telefone uma pessoa podia ser uma coisa, mas outra pessoalmente, acontece muito. Ao telefone eu tinha até calculado a hipótese de, pelo facto de ele não querer me passar o seu e-mail quando todos passam – e aqueles que não passam deixam o contacto telefónico, mas não apenas para aquele encontro, e não somente porque está longe das pessoas íntimas – tal manifestar alguma arrogância da parte dele. Porque veja bem: se há um comportamento-padrão nos homens sérios, se os homens sérios respeitam as minhas condições e dão o contacto quando peço, se ele queria fazê-lo diferente poderia ser também em função de se achar melhor que os outros. E eu, confesso, não gosto nada desses homens que já se acham melhores que os outros, quando afinal nem conhecem os outros…
Mas bem, a questão era essa. Talvez por culpa minha, não conseguia me sentir à vontade com ele. Ele não era grosseiro, não era arrogante, apenas senti-o distante daquilo que eu pretendia. Não havia doçura ou meiguice no seu olhar. Havia alguma tristeza, isso notei, que estava bem disfarçada, parecendo tristeza antiga, mas não falei sobre isso, seria demasiada invasão. Mas notei justamente isso, que ele estava fechado para aquilo que proponho oferecer.
Aí quis tirar a dúvida, perguntei quantas vezes costumava estar com uma acompanhante. Ele responde que “com cada uma delas, uma vez por mês”. No final aliás ele me perguntou: “O que queria que respondesse quando me fez essa pergunta?”, e eu respondi, “Exactamente isso, a verdade”.
Veja bem… Não importa para mim se um homem está com uma, dez ou mil acompanhantes. Eu, inclusive, costumo indicar as minhas colegas quando vejo que pode haver compatibilidades entre ambos (e por vezes pode acontecer de sermos amigas e “amantes” dos mesmos homens). Não sei com quantas acompanhantes ele se encontra, isso aliás não interessa. Mas a questão é a seguinte: se ele está apenas uma vez ao ano com cada uma das acompanhantes, que tipo de relação pode ser construída entre eles? Ele pode ter relações – sexuais ou mesmo emocionais – com cada uma delas, mas como permitirá que elas possam ter alguma espécie de sentimento com ele – seja afecto, consideração, etc. ? Porque, se ele está com várias delas, mas apenas uma vez ao ano com cada uma delas, não dá para o conhecerem melhor, não dá para a relação evoluir…
Continuo amanhã…
Quando somos incompatíveis – Parte 2
Agosto 29, 2008
Havia uma pequena probabilidade de que a pessoa de hoje desmarcasse o encontro. Não era uma grande probabilidade, mas uma pequena probabilidade. Assim como também havia uma grande probabilidade de o encontro não correr tão bem. Aí você me pergunta: se já havia essa probabilidade de o encontro não correr tão bem, por que aceitou marcar? E eu te respondo: para dar um voto de confiança. Veja bem: há aquelas pessoas que conseguem se expressar bem, manifestar claramente o que pensam, o que sentem, o que querem… e outras que não. Ao aceitar o encontro eu estava tentando não ser tão dura com as minhas análises, dando a oportunidade para que fosse mesmo isso, não saber se expressar.
Falemos do telefonema. Sendo amante profissional, naturalmente as pessoas que me contactam costumam ser muito meigas ao telefone, ou muito simpáticas. Ele não parecia antipático, mas um pouco seco. Até aí normal; podia não saber se expressar, podia ser a primeira vez a procurar por uma acompanhante, poderia estar acostumado com bordéis ou casas de convívio, etc., ou seja, nunca se pode logo tomar um juízo de uma coisa sem analisar múltiplas razões.
Disse que tinha visto o site, e nesse aspecto sim, pareceu muito seguro quando a querer o encontro. Na hora de marcar, porém, como aviso na minha página, muitas vezes peço o endereço de e-mail da pessoa. Isso porque, se da minha parte quero cancelar o encontro, tenho como fazê-lo de forma discreta, sem perturbar a vida pessoal da pessoa. Ele me diz que está de férias, que posso ligar para o seu telemóvel caso pretenda desmarcar. Mas veja… Ele permitia que ligasse para o seu telemóvel porque o único e-mail que tinha era o da empresa e o e-mail da empresa não queria me passar. Detalhe importante: os homens sérios, ou que pretendem uma relação séria, não se importam se o endereço de e-mail é o da empresa ou não. Exemplo de amantes que me contactam pelo e-mail da empresa? O Paternal, o Conterrâneo, etc., ou seja, pessoas meigas e lindas que tanto já descrevi no blog. Ou seja, o facto também de me permitir o contacto telefónico era apenas para aquela altura, enquanto estava de férias e longe das pessoas íntimas. Como se fosse um contacto para uma vez só, só para aquele momento. Não era um bom sinal. Era logo um sinal de que o que ele pretendia era apenas um encontro. E homem que pretende um só encontro não quer construir uma relação; ele quer apenas ter uma relação.
Eu podia estar enganada? Podia. Talvez ele tivesse tido más experiências com acompanhantes que acabaram invadindo a sua vida particular e por isso se recusava a me dar um contacto menos “vago”.
Não estou dizendo que um homem, quando me procura, é obrigado a estar comigo dez mil vezes. Aliás, pode ser que ele até queira estar com alguém dez mil vezes, mas pode ser que eu nem seja essa pessoa, que na hora do encontro a gente veja que não é ao outro que quer, talvez outra, diferente. Mas é preciso haver, dentro dele, essa necessidade sim, esse desejo, ou seja, o desejo de estar com alguém frequentemente, o desejo de construir uma relação com essa pessoa.
Já já continuo…
Quando somos incompatíveis
Agosto 29, 2008
É simples, é muito simples. Há aquelas pessoas que são compatíveis e aquelas que não são. Ser ou não compatível não quer dizer que um seja melhor que o outro; significa apenas que queremos ou buscamos por coisas diferentes, aí não adianta insistir.
O homem que atendi hoje não saiu daqui bem. Pensa ele, talvez, que apenas ele não tenha saído bem. Mas não sabe ele: eu fiquei péssima. Péssima porque, veja bem, eu insisto e insisto com as pessoas, peço para lerem as condições, peço para me procurarem apenas se concordam com a minha filosofia, se se sentem encaixados no perfil que procuro, etc. Raramente acontece, mas há esses dias em que acontece sim, ou seja, abro a porta e é alguém que não se encaixa mesmo. Volto a repetir, não por ser melhor ou pior, mas por simplesmente buscar outro tipo de coisas.
Foi antes da minha página sair do ar que ele marcou, ou seja, ao aceitar o encontro não foi uma coisa no escuro, ele teve toda a oportunidade de saber mais sobre mim antes de me procurar.
Eu sabia que a pessoa que marcou para ontem no final da tarde iria cancelar o encontro. Aliás, eu aceitei fazer a marcação justamente por isso, porque sabia que a pessoa ia cancelar, risos. Tipo, ele falava de uma coisa, eu falava de outra, a gente não chegava a um acordo. Eu tentava fazer com que ele falasse mais de si, e ele, pelo contrário, ficava querendo saber a minha disponibilidade quando eu dizia para ele que a minha disponibilidade depende muito do “quem”. Quem é você? É um homem meigo? Está buscando por carinho? Está buscando por construir uma relação ao invés de apenas ter uma relação? Então tá, deixa eu ver a minha agenda. Caso contrário, estou indisponível, não adianta insistir. Mas como ele insistia, ficaríamos horas ao telefone sem chegar a lado algum se eu não fingisse aceitar a marcação. E foi o que foi, eu aceitei e a pessoa cancelou o encontro no dia do encontro. Como eu sabia que ia acontecer? Sabendo. (A experiência nos ensina tanto!)
Para dar um exemplo, atendi uma pessoa por esses dias maravilhosa. Por razões que essa pessoa me explicou quando nos encontramos, estava realmente muito cansado. Quer dizer, no sexo ele já não parecia cansado não, nem sei onde foi buscar tanta energia, risos. Mas ele estava me dizendo que, ao ver como o dia de trabalho estava a ser cansativo, já previa que, quando chegasse o horário do encontro comigo, estaria esgotado. Vou dizer com o que ele trabalha, até porque não é um trabalho incomum, e a situação dele é certamente igual ao dos seus outros colegas, logo não estarei a comprometê-lo ao dar aqui essa informação: ele é bancário. Então ele estava me explicando que, nessa altura das férias, é quando as pessoas se lembram de reclamar de tudo o que não reclamaram o ano inteiro e no ano passado após as férias, e que então o trabalho no Banco se torna exaustivo, e aquele era um desses dias em que ele se sentia mais cansado que todos, e foi desse jeito que ele chegou aqui em casa, exausto. (Claro, dei um super tratamento de restauro de energias para ele, risos…) Mas desmarcou? Pensou em fazê-lo, me disse, mas não o fez. Teve consideração. (E como a vida é um espelho, ele teve consideração por mim e eu, automaticamente, também tive consideração por ele). Era o primeiro encontro que teríamos, péssima forma de se dar a conhecer falhando logo no primeiro encontro. Quem é sério o mostra nos mais pequenos gestos.
Já já continuo…