Pensando em fazer sexo anal

outubro 16, 2011

Comentei sobre isto por esses dias no meu twitter, ando a pensar muito em sexo anal. Pra quem não sabe, pra quem perdeu o início do blog, eu faço muito sexo anal sim, mas… nos homens, com um vibrador! Em mim… apenas 3 vezes e meia. Este “e meia” porque, da primeira vez que tentei, o meu cliente não conseguiu penetrar e, de facto, não chegou a acontecer, apesar de termos tentado muito.

E qual foi a última vez que fiz sexo anal? Ai, já nem me lembro. Foi no comecinho do blog, bem no comecinho, antes de ter publicado o livro ainda.

Por qual razão eu não continuei fazendo sexo anal? Ah, por um montão de coisa. Primeiro porque não gostei, doeu toda vida e não achei piada – apesar de defender que ninguém pode dizer que gosta ou desgosta de nada quando só fez 3 vezes e meia. Depois porque, de certo modo, eu queria ter uma coisa que fosse mais minha, sabe? É que a vagina já tem a sua lubrificação natural, já o ânus necessita de muitos outros cuidados, e lubrificantes – raramente uso lubrificantes no sexo vaginal; acho que numa relação é o meu próprio corpo que tem que produzir lubrificação, e se não produz lubrificação é porque o homem não está me dando prazer, e se ele não está me dando prazer é porque alguma coisa está errada, já que na minha teoria o sexo é algo para o prazer de ambos, caso contrário seria masturbação, todavia eu notava que, para o sexo anal, lubrificante seria mesmo indispensável -, e aquela coisa toda, e de repente esta sensibilidade toda me assustou, por isto não quis trazer isto para a profissão, preferindo deixar para a minha vida privada (apesar de, na minha vida privada, também não ter chegado a fazer sexo anal com nenhum namorado).

Mas na verdade, na verdade mesmo, o motivo mais forte está no facto de não querer fazer uma coisa na qual sou pouco experiente. É que eu sou muito profissional, até mesmo nas minhas relações PESSOAIS, me entendem? Eu sei, vocês não entendem, mas é assim: eu estou atenta, o tempo todo, inclusive quando estou tendo muito prazer, porque me sinto responsável pelo sexo. Estou atenta se está tudo bem com o preservativo, se não vai rasgar ou soltar, estou atenta com o meu corpo, estou atenta com o corpo do cliente e etc. Tenho que estar atenta porque, se eu não estiver, geralmente o cliente não está. Aliás, o homem, em geral, independente de ser cliente ou não, na hora da empolgação esquece de tudo, e por isto que eu tenho que prestar atenção, seja  para evitar doenças, seja para preservar o meu conforto, para não me machucar, etc. É muito mais fácil o homem machucar uma mulher, ou o sexo não ser bom para a mulher, do que o homem ser machucado ou não sentir prazer, e por isto tenho que ser eu a estar preocupada com tantos detalhes, atenta a tantos pormenores. Mas eu consigo estar atenta a tudo e ter prazer, isto porque ao longo dos anos fui me adaptando, mas o facto é que eu não consigo deixar tudo simplesmente por conta do homem, porque sei que, se fizesse isto, eu não teria o mesmo prazer que tenho, e ainda mais, corria o risco de doenças ou de o sexo não ser confortável para mim.

E aí foi isto. Ao longo dos anos, fui fazendo tudo o que sei fazer. O que me sinto segura. Aquilo que consigo controlar. Mas fui me desviando do anal mais por isto, por não ter total segurança, e, muito sinceramente, por também não confiar plenamente nos homens para deixar por conta deles, inclusive porque, muitas vezes, os homens que atendo não fizeram tanto sexo na vida quanto eu, rs.

Mas andei pensando muito nisto. Pensando que, se calhar, era um passo que eu devia dar. Até para me sentir mais segura. Até para descobrir que, talvez com outros homens, eu possa ter novas sensações. Também é algo que eu sinto precisar fazer, para me sentir mais completa enquanto escort. Eu sempre me sinto a menininha inexperiente, apesar dos anos de actividade, apenas por não fazer anal. Eu que sou tão mente aberta, me sinto uma puritana, por não fazer algo que para a maior parte das pessoas é tão comum, tão natural. De certo modo, acabou se tornando um tabu na minha vida.

Amigas minhas já me deram diversas dicas. Uma amiga me disse o seguinte: Ela faz, mas não é uma garantia. Quando o homem chega, dependendo do tamanho do pênis dele, aí que ela vai decidir se faz mesmo ou não. Por isto que tem honorários com sexo anal ou sem sexo anal – tanto no mercado nacional como no internacional isto é comum -, o homem chega e paga o valor do encontro, mais um valor extra pelo sexo anal, mas se ela ver que com o pênis dele não vai conseguir, devolve para ele o valor extra do anal, é mais honesto assim. Outra amiga, acompanhante de elite, me aconselhou o seguinte: não deixe o homem se empolgar, a sensibilidade da vagina é uma coisa, a sensibilidade do ânus é outra, jamais deixe o homem ficar penetrando a vida toda, como se fosse na vagina.

Não quero fazer sexo anal com todos os homens, quero apenas estar preparada para isto quando decidir fazê-lo com alguns clientes especiais. E o primeiro passo já dei: fui ao sexshop e comprei um desensibilizante.

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