Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte Final
dezembro 27, 2011
Às vezes me ponho a pensar: E se não fosse eu, como ia ser? Digo, e se não houvesse serviços de acompanhantes, como faria por exemplo o tal rapaz que referi, o que tem deficiência mental?
Eu sei, todo mundo pensa que o sexo é uma luxúria, mas não é assim não, pelo menos não em todos os casos. Tocar, ser tocado por alguém, receber a atenção de alguém, é tão importante como comer, beber e dormir. Sim, sexo também é importante, mais para uns do que para outros, mas importante sim.
Sei que é mais fácil pensar no cara galinha piranhudo e putanheiro, mas não é só esse tipo de cliente que nos procura. Sei que há toda uma condenação, todo um lado moral em relação aos homens casados que procuram acompanhantes – e nas acompanhantes como maçã e como serpente da história -, mas às vezes me ponho a pensar nisto também: será que os homens traem porque simplesmente acordam com vontade de trair? Será que um homem acorda e pensa “ai que vadia essa minha mulher, ela merece um chifre, por isto vou fazer sexo com a primeira que aparecer?” Não, não é bem assim, acreditem, nem sinónimo de falta de sexo. Os homens são assim e pronto. Alguns, pelo menos. E nós, acompanhantes, somos um reflexo disto, ou melhor, uma resposta a isto, mas não apenas a isto porque este não é o único grupo que nos procura.
Sejamos honestos: o mundo não é justo. Tem gente bonita e inteligente por aí que não consegue arranjar um namoro, então me diz aí qual a probabilidade desse rapaz, com deficiência mental, encontrar alguém? Não estou dizendo que uma pessoa com deficiência não encontre alguém, que não exista deficientes com vidas normais como a de todo mundo, só estou sendo realista: é mais difícil sim. Então, em muitos casos – não sei quantos, mas certamente muitos – esta acaba por ser uma alternativa sim: recorrer aos serviços de uma acompanhante. Esse rapaz, por exemplo, perdeu a sua virgindade com uma acompanhante e, possivelmente, passará um bom tempo procurando acompanhantes, até encontrar alguém. Fútil? Não, porque é justamente isto que vai dar bases para o futuro dele. Como na verdade, para muitos homens, com ou sem deficiência.
A sociedade cobra bastante dos homens. As mulheres também. É dele a responsabilidade de saber tudo, encontrar ponto g, ter ereção, saber conduzir a relação sexual, etc. Só que ninguém nasce sabendo. E então por vezes eu também penso nisso, naqueles que tudo sabem em função do convívio comigo, e no quanto isto terá evitado, certamente, muitas decepções ou mesmo separações.
Essa atividade tem um lado muito ruim, sei disso, melhor que ninguém, inclusive porque mais que ninguém sofri e vou sofrendo, ao longo dos percursos, ao descobrir tudo isto. Mas também tem esse outro lado, e quando me lembro disso vejo que afinal é muito fácil condenar o que não se conhece, muito fácil olhar só para um lado da moeda.
Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte III
dezembro 18, 2011
«Sou a moça que o teu pai pagou para ir para a cama contigo», eu não ia dizer isto, apesar de desconfiar que, mesmo com a deficiência mental que tem, ele soubesse perfeitamente disto.
- Ô Miguel… Mas tu não sabes mesmo quem eu sou? Não sabe o meu nome?
- Diz-me tu.
- O meu nome é Paula, Miguel.
- Pauuuuuuuuula… – repetiu ele.
Acabei de me enxugar e voltamos para o meu quarto, ele me seguiu tranquilo.
- Seu pai já deve estar desesperado à tua espera, Miguel. Deve achar que te sequestrei, que te prendi em minha cama…
- Acha nada… – disse ele enquanto vestia a roupa.
- Por que estás a rir tanto, Miguel? Estás feliz?
- Foi muito bom. Nunca mais vou esquecer.
Valeu tudo. Só por ter ouvido isto, valeu tudo mesmo. Só não me emocionei à frente dele porque não seria certo.
- Você fez muitas coisas hoje, Miguel, e viveu muitas coisas novas. Pela primeira vez você fez à canzana, pela primeira vez viu uma mulher se masturbar ao vivo para ti… uau, quanta coisa!
- Foi muito bom, nunca mais vou esquecer, nunca mais vou esquecer.
Eu também acabava de me vestir. Peguei o meu vidro de Chanel nº 5 e passei no pulso, coloquei perto das narinas dele:
- Então, Miguel, gostas?
- Gosto sim, muito bom.
- Onde tu moras, Miguel?
- Ihhhhh… Eu moro longe, muito longe daqui.
- Muito longe? E o Miguel veio de tão longe só para me ver?
- Pois foi. Se eu tivesse uma esposa como tu, ai o que eu fazia…
- Vais casar, Miguel?
- Quero casar sim, estou até já à procura de casa!
- Que bom, Miguel, espero que sejas muito feliz. Vou ligar para avisar que já estás pronto, está bem?
- Está bem sim.
- Quem era aquela pessoa que te trouxe cá?
- Era o Zé.
- E quem é o Zé, teu pai?
- Não, o Zé é apenas um amigo.
- Ah, está bom. Então vou ligar para ele.
O Zé subiu e viu que o Miguel estava muito bem, muito feliz. Não era preciso dizer nada, a expressão do Miguel mostrava tudo. Chamou o Miguel para ir embora e ele obedeceu, mas interrompi o caminho pedindo um beijo no rosto, como despedida, que ele deu com muito carinho. O Zé agradeceu muito e disse que ia me indicar para outros clientes. Saíram da minha casa, o Miguel na frente e o Zé atrás dele. Sei que quem estava lá fora em frente ao carro, o bonitão forte com cara de segurança de discoteca, era o pai dele, mas não fui à janela bisbilhotar reações. Eu sabia, tinha a certeza de que tinha feito o meu melhor trabalho.
Atendimentos que me dão muito orgulho – Parte II
dezembro 17, 2011
Quando foi hoje, decidimos passar o dia juntas, a gente conversando e os telefones tocando, risos. Ela foi tomar banho para atender cliente em breve e pediu para que enquanto isso eu atendesse o telefone dela, e saiu da casa de banho, ainda em toalha, e ficou a ouvir o que eu dizia para um cliente que ligou para o telefone dela.
- Tens a voz muito sexy, deixas-me logo com tesão.- disse ele.
- Obrigada.
- É, tua voz deixa-me com tesão, mas não é pra mim não, é pra um amigo que vou levar aí.
- Mas vão vir os dois?
- Sim, mas eu não fico não, é só pra ele, mas eu tenho que subir com ele.
- Desculpe, querido, mas só pode subir quem for ficar. Não atendo plateia.
- Mas eu tenho que ir com ele. Ele é filho do meu amigo e quero que o trates muito bem.
Nesta hora quase enfureci. Claro que eu vou tratar bem, eu trato todo mundo bem, bastando que também me tratem bem, e não precisam me dizer que tenho que tratar bem.
- Peraí, mas ele é maior de idade, não é? Olha que eu não atendo menor de idade!
- Não, fique tranquila, ele tem 23 anos, mas eu tenho que subir com ele!
Minha amiga ficou intrigada:
- Então, ele tem 23 anos e não sabe nem vir sozinho? A conversa desse gajo está muito estranha, homem sério vem é sozinho, a não ser que ele saiba que tem mais meninas, mas no meu anúncio só está escrito que sou eu sozinha.
- Bom, então é assim: o número do gajo é este aqui ó, final xxx. É só não atender este número se estiver com receio. O gajo que me ligou deve ter seus 40 a 50 anos, mas tinha alguém do lado dele, talvez dos 35 aos 40, falando qualquer coisa, ou seja, do lado não estava o tal de 23, ou então são os dois mais o tal de 23, ou seja, está estranho isso, porque ele falou que era para um rapaz de 23, mas a voz que ouvi ao lado não era de uma pessoa de 23 anos, tenho certeza.
Tempo passou, ligaram outras pessoas, chegou o cliente dela, ela foi para o quarto atendê-lo, e pediu para eu ficar novamente atendendo o telefone dela.
Sou avisada que tem um carro suspeito lá fora. Suspeito no sentido de não ser nenhum conhecido nem vizinho. O carro tem uma porta aberta e dois homens do lado de fora, de pé. Um é alto e forte e tem cara de segurança de discoteca, o outro tem roupa de fisioterapeuta e é baixinho. Ele começa a andar meio distante do carro e pega o telefone. Neste momento, pego o meu telefone também porque sabia que era para mim que ele ia ligar. Quer dizer, para o telefone da minha amiga.
Curiosamente, ele ligou de um novo número, e para dizer que já estavam aqui, mas ele não sabia que eu estava a vê-los.
- Tenho mesmo que subir até aí para levá-lo, mas logo volto e deixo vocês sozinhos, quando chegar aí logo vês.
Pensei que o tal rapaz de 23 anos estaria dentro do carro, mas afinal, quando o carro chegou, ele já tinha tirado o rapaz do carro e colocado perto da minha porta. Mas eu estava imaginando: possivelmente era um cadeirante, por isto tinha que trazê-lo, e então podia ser.
Minha amiga estava no quarto, atendendo o cliente dela, então era eu que tinha que atendê-lo. Ainda mais agora, sabendo que podia ser um cadeirante, não ia deixar a pesssoa lá fora esperando.
Fiquei preocupada porque minha casa não tem espaço para uma cadeira de rodas. Mas como ele disse que iria trazê-lo, imaginei que possivelmente seria ao colo, porque já houve uma situação assim, na zona Centro, quando eu vivia num apartamento sem elevador.
Chegou ele com o rapaz de 23 anos, mas não era um deficiente físico, e sim um rapaz com alguma deficiência mental que sinceramente não sei dizer qual é, nem perguntei. O senhor entrou, passou-me discretamente o dinheiro para a mão e pediu que eu tratasse bem dele.
- Olha que maravilha, vês como ela é boa? – ele ainda disse para o rapaz, que sorriu parecendo contente.
O rapaz falava. Não era muito, mas falava, e apenas quando eu perguntava alguma coisa. Não me olhava muito no olho, constantemente só olhava para baixo. Mas tinha um sorriso no rosto, contente, ao mesmo tempo tímido.
O senhor foi embora e pediu que, quando eu acabasse, lhe desse um toque.
Trouxe o rapaz para o meu quarto, e ele me seguiu, sempre de cabeça baixa e sorriso tímido, igual de criança que vai fazer travessura. Aliás, notei que tinha que tratá-lo como criança, conversar com ele como se fosse criança.
… Uma criança sim, mas uma criança que tem 23 anos, e que, como tal, também precisa de sexo. De tocar, de ser tocado.
Perguntei se era a primeira vez que ele fazia isso e ele disse que não. Perguntei se era inexperiente e ele disse de novo que não.
- Então qual o seu nome? – inquiri.
- Miguel. – respondeu ele.
O nome dele não é Miguel, mas vou chamá-lo assim nesse post.
- O Miguel gosta muito de mulher, não é, seu safadinho?
Ele ria e olhava para as minhas pernas como se eu não tivesse como ver que ele estava olhando para as minhas pernas.
- Então, Miguel, minhas pernas são bonitas?
- São, são sim.
- Então vem fazer carinho nas minhas pernas, vem. Vê só, passa a mão, são macias, não são? Deixa eu te tocar também, Miguel… Nossa, que gostoso! Será que podíamos ficar pelados? Se você tirar uma peça de roupa sua, eu tiro uma da minha, podemos brincar assim?
Ele concordou, e aos poucos estávamos nus.
- Pode me tocar, Miguel, onde quiser.
Ele tocava, acanhado.
- Agora é melhor deitar, deita e relaxa, porque eu que vou te fazer carinho.
Acariciei-o devagar. Depois, com calma, peguei um preservativo e fiz o oral, de seguida sentei em cima dele e cavalguei.
Ele gemia, e, sinceramente, parecia muito familiarizado com o ato sexual. Estava mesmo muito à vontade, e sabendo fazer direitinho.
O ato estava tornando-se muito demorado, lembrei que a minha amiga já tinha até acabado de atender o cliente dela faz tempo, sei disso porque ouvi o barulho da casa de banho. Mas ainda demorava, então perguntei:
- Alguma vez você fez de quatro, Miguel?
- Não, nunca.
- Gostaria de experimentar?
E ele veio experimentar o sexo à canzana, que também parecia já ter feito antes. Segundo depois percebi, ele já viu muitos filmes.
O sexo porém estava demorando muito. Eu já estava ficando sinceramente preocupada com aquela situação, com aquele rapaz que não gozava nunca. E ainda por cima lembrava da minha colega que já devia estar uma arara comigo, porque ela queria cozinhar logo depois que atendesse o cliente dela, e não podia ir para a cozinha enquanto eu não acabasse de atender (para o barulho não desconcentrar o cliente).
Comecei a masturbá-lo, como última alternativa. Falei obscenidades, muitas. Mas nada. Rapaz ali, pau duríssimo, excitádíssimo com tudo, mas não gozava. Troquei de mão, nada.
Pedi que ele se masturbasse para eu ver, por vezes o corpo está habituado à mesma mão. Ele começou a se masturbar, desesperadamente, queria porque queria gozar, e não conseguia.
Eu já estava ficando preocupada com o tempo que aquele rapaz gastava para se masturbar, mais um pouco e ele quebrava o próprio pau. E ele ali, insistindo.
Me masturbei para ele, gozei, e ele ainda estava tentando.
Voltei a falar obscenidades. Nada.
- Tenho que conseguir, tenho que conseguir! – repetia ele.
- Sim, claro que você vai conseguir, é só se concentrar!
Mais um bom tempo e nada, ele já desesperado.
- Acho que não vou conseguir…
- Vai sim, claro que vai! Mais força, mais velocidade, não pára não, quero ver você gozando pra mim…
Nisso ele já estava suando muito, suava que pingava, alagava a cama toda. E enfim, depois de muito tempo e muito suor, o rapaz gozou.
E quando gozou, vocês não imaginam a satisfação dele. Era uma coisa assim incrível, como se tivesse conseguido gozar pela primeira vez na sua vida.
- Viu que você conseguiu? Pode se sentir orgulhoso! Você tentou e venceu!
Ele sorria contente, muitíssimo contente.
Como estava muito suado, perguntei se queria tomar banho. Ele aceitou. Aliás, ele aceitava todas as minhas sugestões sem discutir.
Levei-o à casa de banho. Dei banho nele lá, como uma criança. Passei meu sabonete no corpo dele, passei meu shampoo, e ainda brinquei com ele:
- Você não é casado não, né? Porque, se você for casado, sua mulher vai brigar porque agora você vai ficar com o perfume do meu sabonete líquido!
Ele riu, e disse que não era casado.
Enxaguei-o. Dei uma toalha limpa e disse que podia se enxugar. Ficou em pé, em cima do tapete da casa de banho, se enxugando enquanto eu tomava o meu banho. Eu tomava o meu banho com a cortina aberta, e brigava:
- Olha que você não enxugou as orelhas! Estou vendo que não enxugou entre os dedos! E esse pescoço molhado? Enxuga direitinho que eu estou vendo, hein?
Eu ali acabando de tomar banho enquanto ele acabava de se enxugar, até que ele de repente me olha com quem tivesse acabado de acordar de um sonho e diz:
- Afinal… Quem és tu????
Atendimentos que me dão muito orgulho
dezembro 17, 2011
Preparem-se, post grande, em que vou ter que contar muita coisa para chegar num ponto só. Vou ter que dividir em pelo menos duas partes.
…
Primeiro, ontem estava chateada, muito chateada mesmo. Sabe quando a pessoa olha para trás e vê que a vida está sempre lhe dando rasteira? Você pensa que enfim as coisas tranquilizaram, afinal não, lá vem outro golpe, e sempre um mais forte que o outro.
Aí tem hora que você cansa de ficar juntando os caquinhos outra vez. De ter que se levantar de novo, e de novo, e de novo. Tem hora que dá vontade de jogar a toalha, jogar tudo para o espaço e esquecer. Recomeçar, esta é a minha palavra, esta é a palavra que me acompanha sempre, e eu sinceramente estou cansada de recomeçar, estou sempre recomeçando, do zero de novo, toda vez, isso já está irritante.
Mas bem, isso foi ontem, e ontem foi outro dia. Ontem levei o tal golpe, chorei tudo o que tinha que chorar, andei pela rua com as lágrimas caindo pela cara e os olhos vermelhos, mas pronto, foi ontem. O problema continua ali, grande, gigante, mas não tenho outra alternativa a não ser resolvê-lo, lutar. Sei que não vai ser uma luta fácil porque o problema é grande, talvez leve uns 10 anos da minha vida para resolver isto agora, mas pronto, tenho alternativa? Ah, não vou stressar não, chega.
Bem, então ontem eu chorei, gritei, me descabelei. Mas depois disso tudo fui para a cama dormir, decidida: «Você já chorou tudo hoje, mas amanhã você vai acordar linda e maravilhosa e vai lutar. Ponto.» E assim foi.
…
Estive ao telefone com vários amigos da minha vida pessoal, amigos mesmo muito próximos, do tipo que passam Natal na minha casa, viajam comigo, saímos toda semana para almoçar, essas coisas. E nessas horas a gente tem que levantar as mãos para os céus, e lembrar que também tem muita gente boa nas nossas vidas.
E eu já tinha pensado também nisso, nas dádivas da vida. Eu estava muito preocupada com o meu problema, achando que era o fim do mundo, achando que era algo praticamente impossível de resolver, mas depois vi: sou saudável, forte, inteligente, e só isso já é muito maior do que qualquer coisa. Se eu não fosse saudável, se não fosse forte nem inteligente, aí sim, eu tinha que me preocupar, mas se tenho essas qualidades, já é meio caminho andado pelo menos.
Amigos então vieram me aconselhar, e me puxar a orelha: você é inteligente, mas não é esperta. Você está sempre se lesando em função dos outros porque deixa que os outros façam isso contigo. Os seus clientes, por exemplo…
- Os meus clientes o quê?
- Você trata-os como se fizessem parte da sua vida. Você inventou um conceito de amante profissional, você quis dar carinho, você quis que eles fizessem parte da sua vida, mas eles não fazem.
- Mas alguns fazem.
- Pára com isso, Paula. Na hora que você precisar, eles não vão estar lá. Talvez um, talvez dois, talvez três, com sorte talvez meia dúzia, mas a maioria não.
- Tá, isso eu já sei faz tempo.
- Sabe não. Se você soubesse, não ficava sempre a defendê-los. Mas Fulano isto, mas aquele outro aquilo… Paula, acorda, você desperdiça tempo e energia com quem não merece, com quem não vai te dar nada em troca.
- Não é verdade, conheço pessoas que são bastante amáveis comigo…
- Tá, Paula, mas é como te disse, talvez um, talvez dois ou com muita sorte meia dúzia. E, mesmo assim, você sabe, você já deve ter percebido que é muito circunstancial. O homem está contigo quando ele quer, quando ele precisa, e não quando você quer ou quando você precisa dele; quando convém a ele, aí sim, ele está contigo, quando ele tem algo a ganhar. E, mesmo assim, não importa se você é a mais linda, a mais inteligente, a mais meiga ou a mais gostosa de cama, se tiver outra do lado da casa dele, ou que ele não conhece, ou que atravesse a mesma esquina dele, ele vai querer estar com ela, porque homem é assim e ponto, você já deve saber disto. O bicho homem está sempre em busca de novidade, do desconhecido, você mesma me disse isto uma vez, por isto não entendo a razão de você se dar tanto a conhecer, se o que motiva-os é o mistério, o que não conhecem, o que não experimentaram ainda, e, principalmente, quem ainda não experimentaram…
- Tá, eu sei.
- Paula, os homens não são leais nem às esposas deles, muito menos então serão às suas acompanhantes. Então pare de defendê-los desse jeito, pare com essa mania de querer sempre dar o melhor, bla bla bla bla, você só está gastando energia, garota, porque as meninas que não dão o melhor continuam ganhando tanto ou mais que você, e sem fazer esforço nenhum.
- Tá, mas elas são elas e eu sou eu.
- Ok, Paula, você que sabe. Mas você vai ter que aprender que não pode passar a sua vida perdendo sempre tanto tempo. Te liguei um dia desses, você disse que ia atender cliente, eu te disse que ligava depois, liguei meia hora depois você nada, quarenta minutos depois você nada, uma hora depois você nada, você só retornou a chamada uma hora e vinte depois, ou seja, atrasou com cliente, e aposto que nem cobrou dele o tempo extra, e eu sei que você vive fazendo isto, com esta sua ideia de “dar sempre o melhor atendimento”. Se liga, garota, esse valor que ele te pagou ele vai dar para qualquer uma, independente se ela atender bem ou se atender correndo, independente de ela dar um atendimento mais ou menos com sorriso falso ou se der melhor atendimento, você não sabe disso?
- Sim, eu sei.
- Desculpa estar falando isto, mas é que eu vejo: você perde muito o seu tempo.
- Eu também sei.
- Você já aprendeu que não pode ficar contando sempre só com os clientes mais carinhosos, mais educados, mais humanos e tudo isto, não aprendeu? Já aprendeu que aquele que diz que gosta muito de você, que é muito carinhoso contigo, que acha que o tal do atendimento humano é a melhor coisa do mundo etc., fazendo as contas, não é o que paga as suas contas, não aprendeu?
- Vixi… Faz tempo que eu já sei disso.
- Você sabe, Paula. O homem até pode achar o conceito muito interessante, mas, na prática, o que acontece é que ele está de pau duro. E se ele está de pau duro, ele não está nem aí se quem vai resolver o problema dele vai ser uma acompanhante humana ou não, se vai dar o melhor atendimento ou não, se ela é traficada ou não, se ela está sendo explorada ou não, o que ele quer, simplesmente, é que alguém resolva o tal “problema” dele.
- Eu sei.
- Sabe e não sabe. Porque ao longo dos anos eu vi você se desgastar por causa de cliente, quando não vale a pena. Quer ser amiga deles? Seja, mas só durante o atendimento. Ele vem, você recebe durante aquele tempo, ele vai embora então acabou a relação, não vale a pena, até porque amanhã você nunca sabe mesmo.
- Hummm.
- Você percebeu isto tarde, eu sei, e foi esse um dos seus grandes dramas dos últimos tempos. Você acreditou numa coisa que na verdade não existe. Mas essa coisa só existia mesmo na sua cabeça, Paula, porque qualquer menina com meia semana de atividade já tinha percebido tudo bem antes de você.
- Tá bom, me chame de idiota, eu mereço.
- Só te dando um toque, mas agora vamos falar de outro assunto que esta conversa enjoou. Vou dormir aqui na sua casa hoje, está bem?
- Tá, mas mais tarde vou atender um cliente, então você se tranque no quarto.
…
Sempre fui contra esse negócio de ter gente em casa, até porque sou reservada, e gosto da minha privacidade. Mas agora quase todo dia eu tenho gente aqui, ou vou para a casa de alguém. Sei lá, estava me sentindo estranhamente sozinha nos últimos tempos. E apesar de não gostar que ninguém se meta muito na minha vida, pessoas mais íntimas – mesmo íntimas – eu permito. Por vezes, faz muita falta um olhar vindo de fora, um puxão de orelha construtivo, uma opinião de alguém que realmente gosta de você.
Meu outro amigo concorda plenamente com a minha amiga, apesar de ele não ser do babado. Ele conhece muita gente da atividade, e diz que só eu que fico com essa frescurice toda. «Paula, atende o cliente, mas ponto. Não fica aí se consumindo com tudo isto não. Acabou o atendimento? Volte imediatamente para a sua vida, ao invés de fazer do resto do seu dia uma continuação daquilo que acabou de viver.»
…
Faz tempo, já faz muito tempo, que de vez em quando atendo clientes da minha amiga. Às vezes vou para a casa dela, ou ela vem para a minha, a gente fica conversando, de vez em quando aparece cliente no meio da conversa, uma ou outra vai atender cliente, depois a gente continua a conversa de onde parou, como se não tivesse sido interrompida.
Só que os clientes dela são… como vou definir? Ah, são “clientes de convívio”, sabe? Cara chega, quer sexo do bom, mas só isto. Pra ele, pouco importa se eu chamo Maria ou Catarina, a vida que eu tenho, o que penso do mundo ou o que quero para o meu futuro. Importa que ele quer se satisfazer, só isso. Claro que, dentro disto, vou tratá-lo bem e ele vai me tratar bem, mas ponto, tudo começa e termina ali. E não, não é tão ruim quanto parece, mas é só de vez em quando que eu atendo clientes dela, só quando a gente está no papo e marca com vários ao mesmo tempo, risos, aí tipo, chega um e ela atende, mas depois liga outro dizendo que chegou também, então é feio deixar o cara esperando, por isto que atendo. É que o atendimento dela não tem marcação, até porque, onde ela atendia, os clientes marcavam e não apareciam, ela ficava igual boba esperando cliente aparecer – muitas vezes perdendo cliente que estava à porta por causa daquele que jurou que vinha àquela hora -, mas rapidamente mudou a estratégia e hoje só atende assim, e pra todo mundo – não é exatamente todo mundo, notei que existe sim um filtro – ela diz que está disponível na mesma hora, até porque cliente às vezes é enrolado, pergunta daquela hora mas afinal só vem mais tarde, não dá pra ficar contando, e assim funciona bem melhor.
Existe uma grande diferença entre “cliente de convívio” e “cliente de acompanhantes”. Cliente de convívio quer encontro na hora, cliente de acompanhante marca hora. Cliente de convívio quer meia horinha, vinte minutos, cliente de acompanhante quer no mínimo uma hora. Cliente de convívio não importa se você tem mais 30 mulheres dentro do apartamento, cliente de acompanhante não, quer privacidade, não quer ser visto por ninguém. Cliente de acompanhante quer conversar contigo, saber mais de ti, por vezes fala dele também, o que é sempre interessante, já o cliente de convívio vem já tirando a roupa, a gente troca nome, dois beijinhos e depois é só sexo, objetivamente, o que por vezes até é interessante. Cliente de acompanhante costuma ser mais confiável, são pessoas mais distintas, cliente de convívio às vezes é mais complicado, e por isto mesmo que por vezes as meninas se sentem muito mais seguras trabalhando para uma “casa” do que enquanto independentes.
Minha amiga, acho que já contei aqui, não tem muita paciência para ficar conversando com cliente. Prefere aquele atendimento jogo-rápido, do que ter que ficar muito tempo com cliente, ou esperando cliente. De certo modo, nem posso dizer que ela está de todo errada.
Conheço pessoas em todo lado. Conheço acompanhantes do mais alto nível, como também pessoas que trabalham com convívio, boites, alterne, rua, etc. E como disse aqui várias vezes, respeito todas de igual maneira, nenhuma é melhor que a outra.
Aliás, eu mesma comecei em boîte, depois fui para o convívio, e só depois me tornei acompanhante. Mas como disse, de vez em quando ainda faço convívio também, e de vez em quando é interessante, vivo coisas engraçadas…
…
Mas o que eu ia dizer? Esta minha amiga veio pra cá ontem à noite porque estava preocupada comigo. Veio e falou muito na minha cabeça, risos.
Mas o principal que quero contar mesmo… vai ser no post seguinte. Diz respeito a um atendimento que acabei de fazer.
Cada vez mais homens experimentam a “massagem prostática”
dezembro 6, 2011
Alguns anos atrás, acho que até falei nisso numa entrevista, a média dos homens que me procuravam pedindo por alguma estimulação no ânus – digo, no deles – era entre 19 a 20%. Agora ponha essa coisa mais ou menos ao contrário, porque aqueles que não aceitam nenhuma estimulação no ânus – nem a massagem prostática, muito menos a simulação masculina – que são estes 20%.
Não é que o mundo tenha mudado. Não é que agora de repente todos os homens tenham decidido experimentar. Pergunte para as outras meninas, elas não vão te dizer que com elas se passa a mesma coisa. É que eu fui dando muita informação sobre isto ao longo dos anos no meu blog, e por isto é natural sim ser procurada por pessoas que tenham este desejo, e é bom que fique claro que estou falando de mim e dos meus clientes e de algo que é consequência desta minha comunicação com os meus clientes ao longo dos anos, e não de uma tendência em todo o sector.
Sim, hoje muita gente já sabe que não tem nada a ver com homossexualidade. Muita gente sabe que o ânus é uma zona muito sensível, muito cheia de nervos, e fora isto tem a próstata, logo uma zona de muito prazer para o homem.
Eu também aprendi muita coisa nos últimos tempos, muita coisa em mim mudou também nos últimos tempos, descobri novos prazeres, novas formas de dar e de receber prazer. A massagem prostática tornou-se uma das minhas especialidades, e confesso, adoro quando uma homem aparece por aqui pedindo por isto.
Há vários dias já que não sei o que é atender um homem que não queira a massagem prostática. Nos últimos dias, pelo menos, tem sido assim. Teve só um que eu achei que não queria, era a primeira vez dele comigo, eu falei com ele que era muito importante ele não ter pudores na comunicação comigo, que não precisava de ficar tímido ou acanhado, porque afinal de contas o meu propósito é que o encontro seja bom e cheio de prazer para ambos, e que então por isto, se ele não se abrisse, podia acabar perdendo a oportunidade de viver uma experiência que desejasse viver. Expliquei pra ele que eu não podia forçar um homem a querer uma coisa ou outra, não podia fazer algo contra a vontade dele, que o magoasse, o perturbasse, fizesse com que, propositadamente, ele saísse desse encontro se sentindo mal, pelo contrário, o objectivo é o homem se encontrar comigo e sentir muito prazer, e gostar desse encontro, e o encontro ser agradável para ambos. Bem, e até aí ele continuou insistindo na conversa que queria só a massagem com descompressão, e eu iniciei a massagem terapêutica, começo sempre com uma massagem terapêutica, profissional, isto porque acho que a objectividade de chegar logo na zona erógena quebraria com todo o encanto de tudo, e daí então depois ele disse, acabou confessando, queria experimentar a massagem prostática, e se nessa hora ele já não tivesse de costas para mim, ele teria visto: meus olhinhos até brilharam.
***
Meu site com toda a informação sobre os encontros: www.amanteprofissional.com. Telefone: 967262559.
Boicote aos websites que promovem o tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual
dezembro 3, 2011
Escrito no dia 7 de novembro às 14h.
Aconteceu-me uma cena inédita agora. Fui anunciar o meu site internacional num site X, algo que faço frequentemente sempre que viajo para fora como escort, mas dessa vez este site recusou o meu anúncio, pelo simples facto de eu ter um banner para um site y no meu site!
Eles não vieram com rodeios, e disseram: «Não aceitamos o teu anúncio porque fazemos parte de um grupo de sites que não aceitam anunciantes que promovam o site y, que se sustenta basicamente pelo tráfico de seres humanos.»
Fui verificar, e me pareceu verdade. Pelo menos me pareceu evidente. «Conheça 1000 russas ainda hoje», escrito num banner, mais uma página inteira de fotos de acompanhantes russas espalhadas pelo globo, pelo menos me pareceu muito evidente.
Eu já tinha anúncio no site y. Não fico verificando cada anúncio ao pormenor, mas não me pareceu que, na altura que coloquei o anúncio, que aquilo estivesse assim. Mas agora está. E estando, retirei imediatamente os links que tinha para este site.
O tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual é péssimo para quem é vítima, mas péssimo também para todo o mercado. O desafio para quem é escort lá fora é este: concorrer com as máfias, principalmente as russas. A princípio, era difícil para mim entender tanta aversão que via nas pessoas quando se falava das escorts russas, mas só depois comecei a entender.
Trabalhei num certo país no ano passado, e enquanto eu cobrava no mínimo 400 euros por uma hora, havia russas a cobrar 100 euros por uma noite inteira! Note, eu não estou falando que eu cobrava 400 euros por uma hora e que uma russa cobrava 100 euros por uma hora, eu estou falando que eu cobrava 400 euros por uma HORA e que uma russa cobrava 100 euros por uma NOITE!
Claro que também havia russas a cobrar valores mais altos, mas aí o desafio já era outro: as fotos falsas! Para começar porque, nos sites onde eu anunciava, a maioria anunciava com rosto, o que realmente chamava mais a atenção. Entretanto, o que acontecia muito é que elas utilizavam fotos de actrizes porno russas, que ninguém conhecia de lado algum, e com isto o cliente chegava, via que a escort era completamente diferente da foto, e vai numa, vai em duas, vai em 100, são todas diferentes, daí ele começava a suspeitar que todas as anunciantes tinham fotos falsas, ou seja, quando chegava em mim ele já vinha cheio de desconfianças, com os dois pés atrás, porque já tinha ido em muitos lugares e se decepcionado.
Acho péssimo ter que caracterizar alguém só por causa da nacionalidade. Péssimo entrar num site e, encontrando centenas de russas, ter que dizer que são traficadas, só pelo facto de serem russas. Me parece xenofobia, e não gosto disso, e enquanto brasileira já passei por esta situação, já fui muito julgada em função disto, inclusive dentro do sector.
Quando você pensa em “acompanhante de alto nível” ou “acompanhante de elite”, raramente você pensa numa brasileira, pelo menos não em Portugal. Quando você pensa numa acompanhante para te acompanhar num jantar ou numa viagem de negócios, que saiba se vestir adequadamente, que saiba conversar e se comportar como cada ocasião exige, me desculpem, mas também não é numa brasileira que uma pessoa pensa. Quando pensa numa mulher gostosa na cama, carinhosa e liberal… aí sim, pensam numa brasileira, mas em geral é isso mesmo, só pensam na brasileira para momentos escondidos entre quatro paredes. Não estou dizendo que isto é com todos, só estou dizendo que é muitíssimo comum. Eu mesma, quantas e quantas vezes não fui excluída de certos eventos para acompanhantes, só pelo facto de ser brasileira? Vocês nem imaginam. Sou educada e sou super discreta, mas é como se eu tivesse que dizer o tempo todo que APESAR de ser brasileira, sou educada e sou super discreta. Aliás, já aconteceu também de ter sido seleccionada para um evento, e de ser a única brasileira, e apenas por ser “a Paula Lee, blogueira, autora de livro”, caso contrário nem teriam pensado em incluir uma brasileira nisso, me disseram na cara.
De facto, quando me trouxeram para Portugal, ninguém me disse que eu tinha que ser elegante, que eu tinha que ser educada, que tinha que saber falar ou ter classe. Isso não faz parte da “cartilha” do que ensinam à acompanhante brasileira. Só querem saber se você é boa de cama, o que topa na cama, e se vai ser carinhosa com os clientes, “como as brasileiras são”.
Não são todas as brasileiras que trabalham a 20 euros ou que fazem oral sem preservativo, mas, como as brasileiras devem ser aproximadamente 80% do mercado, e como mais de 90% das acompanhantes – independente da nacionalidade – ou trabalham a 20 euros ou fazem oral sem preservativo – ou ambos -, é natural que se crie esse estigma que cai mais uma vez sobre as brasileiras. Desde que a Verli – uma acompanhante brasileira – morreu com SIDA, o peso do estigma caiu ainda mais forte.
O que acontece com as brasileiras é o mesmo que acontece com as russas. Você vê uma, você vê duas, você vê 100 e vê 800 fazendo oral sem preservativo, vai pensar que todas fazem, você não quer lá saber a opinião da acompanhante 801. Tão simples quanto isto.
Sobre o tráfico de seres humanos, por um lado me ponho a favor dos clientes, que não têm como saber se uma acompanhante é REALMENTE independente ou não, se foi traficada ou não. Em 200, 300 anúncios ou mais num site, fica realmente difícil de saber! E a questão é que, como as máfias têm sempre muito mais dinheiro do que cada escort independente, obviamente que eles têm sempre muito dinheiro para investir forte em publicidade, ou seja, de certo modo fica sempre mais fácil encontrar uma traficada do que uma independente, justamente porque o anúncio da traficada terá sempre mais destaque, sempre mais publicidade, etc., tudo em função do dinheiro envolvido e do número das pessoas em volta querendo a sua fatia do bolo. Entretanto, por outro lado, também me coloco contra os clientes, ou pelo menos contra uma parte dos clientes. A questão é que, sejamos sinceros, para muitos deles é completamente indiferente o facto de uma acompanhante ter sido traficada ou não. Se ela é bonita, se ela faz o que ele quer, e se ainda por cima por um valor mais baixo… para ele é óptimo! Para ele, o tráfico de seres humanos é bastante conveniente!
Por isto é de admirar a postura do tal site x, que recusou o meu anúncio só porque eu tinha um banner para o site y. Ao me recusar, eles possivelmente estariam recusando também uma entrada financeira. Ao recusar o anúncio das milhares de russas, estarão então recusando uma entrada financeira mil vezes maior. Sim, é algo de louvar.
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Enquanto anunciante, fico um pouco limitada também. Se entro num site com 1000 acompanhantes anunciadas, e 800 delas são russas, uma coisa é eu suspeitar do tráfico, outra coisa é eu apontar o dedo, não posso, porque afinal de facto não sei. Pode estar na cara, mas não posso provar. Tudo o que posso fazer, neste sentido, é não divulgar tal site.
Mas fica complicada esta coisa do estigma. Porque, se eu conheço hoje uma acompanhante russa, por um lado não vou querer deixar de vê-la como a acompanhante 801, que talvez seja diferente do resto, mas por outro lado vou ficar com receio de divulgá-la, de indicar aos meus clientes, e assim estar eu também, inconscientemente, alimentando o tráfico.
Eu sou a acompanhante 801. Enquanto acompanhante 801, sei o que é estar o tempo todo tendo que provar o que sou e como sou, e principalmente, como não sou. Sei o que é ter que provar que posso ser uma excelente escort, independentemente da minha nacionalidade ou do estigma que cai sobre a minha nacionalidade. Enquanto a acompanhante 801, tenho sempre que provar que não vou ao hotel de saia curta, que não uso perfume barato, que não vai ter nada escrito na minha testa, que posso me adaptar a qualquer ambiente, que saberei ser calma, discreta e elegante. Acredite, é muito difícil ser a acompanhante 801, porque nem todas as portas estão abertas para a acompanhante 801. Felizmente, internacionalmente as portas estão abertas às acompanhantes brasileiras – bom, a nossa imagem lá fora continua não sendo a das melhores, isto porque, diferente das acompanhantes europeias, que se promovem em função da classe e da elegância, acompanhantes brasileiras, em geral, ainda insistem na divulgação enquanto “mulher sem tabus e boa de cama” apenas – mas eu fico pensando se eu fosse russa, e se eu fosse independente mas russa, já sei que ia ser bem mais complicado. Teria que fazer como algumas, que omitem ou mentem a nacionalidade.
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Como já referi imensas vezes, não tenho nada contra as agências ou agentes de acompanhantes, que são ferramentas/serviços utilíssimos para a nossa promoção hoje. Agentes ou agências, se sérios e profissionais, são muito importantes àqueles que, como nós escorts, trabalhamos na área do entretenimento. Não digo que um agente ou agência são indispensáveis, porque não são, mas acabam por ser uma mão na roda para que a acompanhante possa ter mais tempo para se dedicar ao encontro em si. Porque se eu atender 2 clientes por dia, uma hora cada, todo mundo pensa que eu só trabalhei 2horas, e que ganhei muito por só 2 horinhas de trabalho, mas não é bem assim, duas horas foi apenas o tempo em que fui recompensada financeiramente por este trabalho, porque tudo o que há em volta, e que é feito também durante e depois, também fazem parte do trabalho. Mas, como eu ia dizendo, uma coisa é ter um agente, outra coisa é ter um chulo. Uma coisa é ter alguém que possa fazer a minha divulgação, ou que possa atender os meus telefonemas ou fazer as minhas marcações – um profissional contratado como um outro qualquer, alguém que será uma espécie de relações públicas, secretária, telefonista, etc. -, outra coisa é ter alguém que me explore, que me incite a fazer o que não quero, que passe a viver dos meus ganhos e que tente me forçar a ganhar mais por causa disto, etc. Uma coisa é eu contratar um profissional, outra coisa é eu ser empregada/escrava deste profissional.
Quanto aos sites, a diferença apenas é que antes o tráfico de seres humanos não estava online. Agora está. E por isto fico contente por ver que há ainda aqueles que defendem o sector, mesmo à custa de prejuízos.
