Hora de agradecer
janeiro 21, 2012
É claro que eu aprendi muito com a minha atividade, coisas que inclusive eu não teria aprendido em mais lado nenhum, mas eu não acho que faz falta para ninguém entrar nessa atividade para aprender o que eu aprendi. É um mundo muito podre, cheio de gente estúpida e egoísta, e que não aconselho ninguém a conhecer.
Mas há um outro lado. Não é o lado mais forte, mas um lado que existe. Um lado de pessoas que valem a pena. Um lado em que algumas pessoas ainda são capazes de ver uma acompanhante como uma mulher, uma pessoa.
Este post de hoje é apenas para agradecer a estas pessoas. Estas, que foram carinhosas e queridas comigo ao longo da minha atividade. Estes clientes, que se sensibilizaram, que conseguiram compreender aquilo que eu falava do fundo do meu coração. E estes leitores, que vieram ao blog ler o que eu dizia de coração aberto.
Sei que tem gente que me admira em silêncio, à distância. Sei que tem gente que torce por mim. Sei que tem muita gente que interpreta o que eu escrevo apenas da forma que melhor lhes convém, mas também tem gente que se reconhece no que escrevo ou que consegue sentir aquilo que eu escrevo.
Obrigada a todos, de coração. Obrigada pelo carinho e pelos corações abertos.
O pênis com duas cabeças
janeiro 21, 2012
Estava contando ontem no meu twitter que atendi um homem que tinha um pênis que ia entrar para a lista dos mais esquisitos que já vi: era um pênis com duas cabeças!
Não eram dois pênis, mas era como se uma cabeça saísse de dentro da primeira cabeça, que fazia com que metade do pênis parecesse aquele cogumelo, como se fosse um chapéu em cima de outro chapéu.
Qualquer pessoa normal teria dado um salto a gritar «P**a que pariu, que m*rda é essaaaaa?????», mas uma coisa que uma acompanhante tem que aprender é a ser fria, e a reagir com indiferença, até em situações mais críticas.
É claro que tudo tem um limite, mas é aí que a gente tem que ser astuta, e conseguir avaliar uma situação o mais rápido possível. Você nunca sabe, por exemplo, se uma pessoa já não é traumatizada com o problema que ela tem, e não seria nada gentil enfiar o dedo na ferida.
Óbvio que, acima de tudo, eu não faria nada para me prejudicar. Desculpe amorzinho, mas a primeira coisa que avalio é se vai me prejudicar ou não. Sem que ele percebesse, analisei o pinto dele, a cabeça de baixo era mais grossa que a cabeça de cima, mas era só essa parte das cabeças que era mais grossa, o resto era um pau até bem fino e, mesmo a parte das cabeças, não tinha maior grossura que um pinto normal, ou seja, as cabeças só faziam com que o pau fosse assim meio deformado, se é que posso dizer assim. É claro que, só de olhar, eu já conseguia prever o desconforto, talvez até alguma dor em algumas posições, mas nada tão pior do que outras coisas que já passei, então resolvi encarar.
Aí fui, fiz sexo com o gajo, ele gozou – obviamente só ele – e então, só depois disso, que eu fui conversar com ele.
- O seu médico já viu isto?
- Já.
- E ele não quis operar?
- Sim, quis.
- E por que não operou?
- Porque eu não quero.
Ficou um clima tenso, e por isto também que eu falei depois, porque a situação seria muito pior se ainda não tivéssemos feito sexo. Apesar de ter falado com calma e com educação, ele ficou mesmo muito incomodado com este assunto, eu quis insistir na conversa e ele foi cínico, desviou o assunto para “as possíveis coisas piores que eu devo pegar aqui”, mas eu voltei a falar do caso dele e ele disse qualquer coisa meio querendo dizer que o corpo era dele e que ninguém tem nada a ver com isto.
- Claro, o corpo é teu, concordo, você faz com ele o que bem quiser, você pode ter o seu pênis do jeito que quiser… desde que, claro, não vá enfiá-lo em ninguém. Porque a partir do momento em que você pensa em enfiá-lo em alguém, isso acaba dizendo respeito à outra pessoa sim. A partir do momento que eu posso ser esta pessoa, isso é da minha conta sim!
Ele ficou meio sem reação, mas eu continuei:
- O problema da maioria dos homens é o egoísmo. Vocês querem ter o maior pau do mundo, mas não querem nem saber se estão machucando uma pessoa, se estão ou não estão dando prazer para ela. Acho que vocês se importam mais em mostrar para os outros homens que têm um pauzão, em poderem comparar com os outros homens, do que propriamente em serem gentis e delicados com uma mulher, e dar prazer a esta mulher. Se você ama o seu pau, e se encontra uma mulher que também ama o seu pau, até aí tudo bem, mas você não pode obrigar outras pessoas a acharem isso normal e a amarem o seu pau também.
Eu sei que fui dura. Mas eu tinha que dizer isto para ele, por saber que possivelmente nenhuma mulher disse isto.
Não sei se ele é casado ou se tem namorada, não perguntei. Se tiver, é uma sofredora, porque encarar uma vez pra saber como é ainda vai, mais que uma vez seria tortura e todo dia seria um suicídio sexual. Se ele não for casado e nem tiver namorada conforme suponho, possivelmente a vida sexual dele é completamente assim, visitando acompanhantes. Mas enquanto acompanhante, sei como as coisas funcionam: a gente atende um cara, se não gosta de atender inventa uma desculpa, ou põe o número dele na lista dos rejeitados, ou seja, evita a pessoa. O cara não sai prejudicado, porque o que não falta é acompanhante por aí, então amanhã ele vai em outra, depois outra, depois outra, e nunca vai faltar acompanhante para ele porque o que mais tem é acompanhante em Portugal, sempre vai ter uma que ele ainda não conhece, que ainda não conhece o problema dele. Como ninguém diz nada, como de certa forma não lhe falta sexo, o homem vai passar a vida toda achando que está tudo bem, quando não está.
Às vezes o que mais cansa sendo acompanhante é isto, estar tendo sempre que salvar o mundo (o mundo de alguém), estar vez ou outra pegando situações complicadas, que talvez mais ninguém encararia, exceto nós acompanhantes. Neste aspecto, alguns homens costumam ser muito covardes, porque eles jogam os problemas deles todos em cima de nós, acompanhantes. O que eles fazem, ao nos procurarem, é disfarçar o problema, fingir que ele não existe, porque é muito mais simples do que resolver realmente o problema, encará-lo de frente.
Por isso que desde que entrei nesta atividade que sei que não sirvo para isto, porque eu deveria encarar tudo de forma natural, e não encaro. Eu devia ficar feliz por perceber que os homens precisam de nós, acompanhantes, porque afinal o nosso sustento vem disto, dos homens que precisam de nós por seja lá que motivo for. Não encaro assim, e aquilo que a maior parte das pessoas encara como uma força eu vejo como uma fragilidade.
Só atendo quem eu quero
janeiro 7, 2012
Há uma coisa muito simples, mas pelos vistos muito difícil de entender, por mais que eu já venha falando disto há anos: só atendo quem eu quero.
Não proponho uma violação consentida. Violação, consentida ou não, é violação na mesma, o que faria com que cada um dos meus clientes fosse um violador.
É verdade, eu não sei se vou te querer no primeiro encontro, não tenho como saber isto. Poderei fazer um filtro ao telefone, aceitar quem parece que eu vou gostar de atender, mas nada me garante que, chegando na hora, se eu não poderei ter errado na minha avaliação. Mas, mesmo assim, uma coisa eu garanto: vou fazer de tudo para criar um bom clima entre nós, para tentar gostar de você, para tentar fazer com que tudo corra bem entre nós. E daí, claro, também vai depender de você: se você também for agradável, se me respeitar, não tem motivos para as coisas não correrem bem.
Como eu dizia, num primeiro encontro eu não tenho como saber se vou gostar de uma pessoa ou não, se vou querer estar com esta pessoa ou não. Mas para um próximo encontro, de certeza, eu já vou saber isto sim. Se eu não te disser nada, quer dizer que está tudo bem, mas se eu te disser «Não venha mais», acredite, é para não vir mais mesmo.
Não entendo como é que as pessoas podem ter tanta dificuldade com o «não». Para quê estar com uma pessoa que não te quer, que não gostou de você, que não combina com você, quando poderia estar com outra pessoa, que gosta de você e que quer estar contigo?
Não é qualquer coisa que faz com que eu diga «não» para um cliente, e nem é tão frequente assim. Quando acontece, é porque o desrespeito foi muito grande.
Tenho uma memória relativamente boa, mas sabe como é, conheço muita gente. Se estiver distraída, então, aí fica difícil mesmo a memória funcionar. Ontem, à noite, tinha um senhor tentando marcar um encontro, mas, chegando na minha rua, disse ele que não conseguiu dar com o endereço, então combinou que me ligava hoje, porque ontem estava com um pouco de pressa. Achei melhor assim, afinal ele tinha demorado tanto tempo que já estava um bocado tarde.
Hoje recebi um cliente para quem estive a ensinar as técnicas da posição à canzana (veja detalhes no meu twitter: www.twitter.com/acompanhante), e na hora que este cliente chegou, e entrou para o quarto, o tal que tentou marcar ontem me ligou novamente, mas não era uma boa hora, já que eu ia atender outro, mas, como já havia uma outra chamada perdida dele, perguntei se gostaria que eu lhe desse um toque quando estivesse disponível, e ele disse que sim.
Ele já havia tentado durante um bom tempo procurar o meu endereço, agora tinha vindo de novo, era injusto se não o atendesse, pensei. Entretanto ele não marcou hora, tentou à sorte ver se eu poderia estar disponível, e deu azar, rs. Entretanto, pelo facto de ter estado ontem à procura, resolvi ter consideração e fiquei de avisá-lo quando estivesse disponível.
Atendi o tal cliente da posição à canzana, ainda conversei com ele, fiquei dando umas dicas, depois disso o cliente foi embora e eu fui tomar banho. Saindo do banho, liguei para o tal senhor que tinha ligado antes, avisando que estava já disponível. Ele tinha decidido ficar pelo bairro à espera, e não estava a mais que 2 ou 3 quarteirões do meu apartamento. Voltei a dar a direção e comecei a me vestir enquanto ele se encaminhava.
Fui buscar uma lima para as unhas, que estava dentro de uma caixa, em cima do armário. Quando o telefone tocou, a campainha tocou ao mesmo tempo, eu estava em cima da cadeira com a caixa na mão e tudo caiu em cima de mim, mas ainda assim continuei falando ao telefone e fui atender o vendedor à porta.
Em resumo, estava distraída, como estou muitas vezes quando tudo acontece ao mesmo tempo. Para concluir, quando o cliente chegou, e apenas quando o cliente chegou, que eu fui reparar que já o conhecia.
Mas nem foi tão simples assim: ele chegou, eu olhei pra cara dele, cumprimentei automaticamente, encaminhei-o para a sala, e só quando chegamos à sala que eu perguntei para ele se a gente já não se conhecia.
Por mais putanheiro que um cliente seja, acho sempre mais fácil um cliente reconhecer uma menina com quem ele já fez programa, do que ser a menina a reconhecè-lo, afinal fazemos sexo todos os dias, mas nem todos os clientes vão a meninas todos os dias, ou mais do que uma vez por dia, rs.
Bem, então vocês acreditam que eu olhei dentro do olho do cliente, perguntei se ele já esteve comigo, e que ele disse que não? «Não, acho que nunca estive contigo não…», disse ele, todo sonso!
Fiquei lembrando de todo o jogo dele, de fingir que não encontrava o endereço, e isso me deu mais raiva ainda, mas fingi serenidade de monge budista.
Perguntei de novo, só para ele ter oportunidade de dizer a verdade, e o sonso novamente disse que não. Realmente, ele não era um tipo fácil de lembrar, porque era um tipo físico bem normal, mas eu reparei que ele tinha o cabelo pintado de preto, esta era a única diferença do outro encontro para cá.
Não lembro há quanto tempo atrás que o atendi e que falei que estava proibido de voltar cá, talvez tenha sido seis meses a um ano atrás, mas não creio que seja mais que isto. Sei que, deste tempo para cá, eu não mudei de endereço. Ou seja, mesmo que ele não se lembrasse de mim – o que já não seria fácil, menos fácil ainda esquecer de alguém que recusou a gente -, ele certamente se lembraria do endereço, certamente se lembraria que já esteve neste apartamento!
Mas não, ele preferiu se fazer de sonso. E pior, preferiu usar da minha possível falta de memória, eles acham que a gente atende milhares de homens e que acabamos por esquecer. Pimenta no olho dos outros é sumo de uva.
Todo cliente sabe o que pode e o que não pode fazer. Claro que não vou levar a mal errinhos bobos, ou que o cliente faça uma coisa errada sem saber que está fazendo errado. Igual ao rapaz que atendi antes, à canzana: ele estava fazendo tudo errado, mas eu não briguei com ele por causa disto, muito pelo contrário, expliquei como é que fazia certo. E ele, claro, foi bom aluno.
Um cliente sempre sabe o que pode ou o que não pode fazer. O que vou entender como respeito ou como falta de respeito. Se ele faz uma coisa errada, e eu digo “não faça isso que eu não gosto, não faça isso que eu vou ficar chateada contigo, não faça isso que eu vou me sentir desrespeitada, não faça isso porque se você fizer isto eu vou deixar de te atender”, acredite, eu estou falando sério. E se eu chego a proibir alguém de vir aqui, acredite, não foi do nada, nem foi por nada: foi por algo grave, e, principalmente, por algo que foi avisado antes.
Não sou tão dura ou tão inflexível o quanto pareço. Pelo contrário, o meu problema é ser flexível de mais, ficar com pena das pessoas, me colocar mais no lugar delas do que no meu. Quanto chega no limite, é porque na verdade este limite já passou faz tempo.
No caso dele foi também assim. Eu avisei, disse para não fazer uma coisa, e ele fez, insistiu. Eu falei com ele: Há coisas que uma pessoa não pode fazer nem de brincadeira, se você insistir eu deixo de te atender. E ele insistiu.
Neste dia, coloquei-o para fora da minha casa, avisando que nunca mais aparecesse. Ele sabia o motivo. Ele sabe.
Agora apareceu e, para piorar, tentou usar da minha suposta falta de memória. “Lembrei-o” que já tinha estado comigo, ele concordou com aquele tom de que só naquele momento recuperava a memória, e então estive a recordá-lo também do que tinha se passado. Ele pediu desculpas, mas eu já tinha dito a ele que não desculpava e, mesmo que desculpasse, não ia ter clima para fazer sexo com ele porque sempre que fosse fazer sexo com ele me lembraria do que aconteceu, e perderia o clima.
Foi ruim pra ele de novo. Porque afinal ele gastou o tempo dele, veio até aqui, para não ser atendido. Se fosse esperto, teria ido em alguém que pudesse querer estar com ele, e não teria perdido tempo.
amanteprofissional.com renovado
janeiro 6, 2012
Há pelo menos 2 tipos de clientes:
- O cliente que na verdade é um não-cliente muito curioso, que está sempre à caça de pornografia e de aventuras pela internet, mas que não é um cliente regular, apenas uma pessoa que está sempre em busca de novidade, algo ou alguém que não conhece;
- O cliente regular de acompanhantes, que o faz independente de qualquer coisa.
Ao contrário do que muita gente pensa, sempre mantive o amanteprofissional.com mais pela questão filantrópica – e do que ele é, do que representa, do idealismo, etc. - do que pela parte financeira. O amanteprofissional.com me trouxe bons clientes sim, mas, também, muita gente curiosa, muita perda de tempo. Cliente que é cliente não faz muito barulho: só faz o telefonema, vem e pronto, depois só me liga novamente quando for para marcar o próximo encontro. O amanteprofissional me trouxe bons clientes sim, mas trouxe uma maioria de gente que só fica fazendo barulho, que gosta de ficar no meio de acompanhantes, que se deslumbra, etc. O tempo todo ficou um montão de gente me dizendo que eu devia colocar foto, que eu devia fazer isto e mais aquilo, mas afinal os clientes que nunca viram uma única foto minha são, e continuam sendo, aqueles que realmente me sustentam. É que uma coisa é trabalhar para aqueles que visitam acompanhantes regularmente, outra coisa é estar com aqueles que o fazem só esporadicamente, porque de repente deu vontade. Esse cara que fica pensando muito, que demora muito tempo visitando páginas até de facto escolher alguém, na verdade, será apenas uma perda de tempo: porque o sujeito fica visitando milhares de páginas, anotando números, depois liga para todo mundo, depois não lembra que já te ligou e liga pra você de novo, não há um único dia que não me liga alguém que já me ligou, mas que acha que está me ligando pela primeira vez.
Para essa semana mesmo, eu tinha 3 marcações através do amanteprofissional: uma de um cliente conhecido (que realmente veio, mas, se vocês perceberam, o amanteprofissional.com esteve fora do ar até hoje de manhã), depois de um médico que me ligou em Janeiro do ano passado dizendo que um dia vinha e que durante um ano inteirinho não veio, e outra de um rapaz que disse que vem no Domingo, mas eu tenho certeza absoluta que ele não virá. Sobre o tal médico, em Janeiro do ano passado ele tinha ligado e eu já tinha ficado na dúvida em relação a ele; a questão é que ele falou de mais, e cliente que fala de mais geralmente faz pouco. A regra é a seguinte: se cliente me liga, mas se no máximo no próximo mês ele não marca um encontro de facto, é porque ele provavelmente é só garganta. E não deu outra: tem um ano já isso, e olha que ele já voltou a me ligar depois, e de novo não marcou, e agora ligou esse mês, dizendo que vinha, marcou para um dia desses, ao meio-dia, e quando foi quinze para meio-dia ele mandou mensagem, dizendo que não teve vôo, que ia tentar vir no meio da tarde, mas se desde o dia anterior ele sabia do problema do vôo, por que não desmarcou desde o dia anterior? Não gostei mesmo, e mandei uma mensagem para ele dizendo que não foi educado desmarcar com 15 minutos de antecedência, porque eu podia ter colocado outra pessoa para aquele horário e não coloquei. Agora sobre o rapaz que marcou para Domingo, eu nem vou ficar esperando, vou é atender outra pessoa, porque já sei que ele não vem. Ontem mesmo ele mandou uma mensagem, caçando conversa, e não “lembrava” que já tinha marcado encontro comigo, rs.
Eu não tinha renovado o domínio, foi isso que aconteceu, por isso que o amanteprofissional estava fora do ar por esses dias. E eu não tinha renovado porque, pelo menos financeiramente, o amanteprofissional não me faz falta, nunca fez. Aliás, até posso dizer que o amanteprofissional me atrapalha em muitos aspectos, mais do que me ajuda.
O amanteprofissional sempre representou um ideal para mim. Ele era, e de certo modo continua sendo, o espaço onde eu posso passar a minha mensagem, o que penso, o que passo, o que vivo e o que sinto. Mas com o passar dos anos, até eu cansei de dar murro em ponta de faca. É que eu tive que ver que as coisas nas quais eu acreditava eram pura utopia. Eu preguei o tempo todo sobre uma relação humana entre acompanhante e cliente, mas, de facto, isso só interessa para meia dúzia de homens, talvez não mais que isto. Infelizmente, nenhuma acompanhante vive trabalhando só para meia dúzia de homens, até porque essa meia dúzia de magníficos não poderá visitá-la com a regularidade necessária. Eu achava que se calhar tinha alguma espécie de missão com o amanteprofissional, que seria um agente modificador, entretanto veja o exemplo, eu há anos falo de doenças, alerto sobre as relações protegidas, mas nem por isso diminuiu no setor o número de pessoas que fazem relações desprotegidas, pelo contrário. Eu contei tanta coisa, eu alertei tanta coisa, mas tive que perceber que, exceto para uma meia dúzia, para o resto é indiferente se a mulher foi traficada ou não, se ela vai te atender obrigada ou não, o que interessa é que ela seja gostosa e possa fazer o que o cliente quer, independente da vontade dela. A questão é que, para uma maioria, o conceito de violação consentida é completamente aceitável e até normal.
Eu já tinha clientes antes do amanteprofissional, e nunca misturei os clientes com os clientes do amanteprofissional, e isso foi bom porque eu pude perceber as diferenças das coisas. Os clientes antes do amanteprofissional eram pessoas que nunca tinham visto uma única foto minha, e que pouco ou quase nada sabiam de mim, enquanto que no amanteprofissional eu me dei, me entreguei, me expus, na tentativa de construir uma coisa humana. Aos clientes do amanteprofissional, eu sempre tentei dar o melhor: um atendimento com muita atenção, muito carinho, e inclusive muito tempo, porque raros foram os clientes que atendi por uma hora certinha, pelo contrário, com grande parte eu passei do tempo. Já com os clientes que não eram do amanteprofissional, eu atendia bem sim, mas dentro do quase frio limite daquilo que é apenas uma relação profissional: oferecia aquilo que eles buscavam, mas nem mais e nem menos; fazia de tudo para nunca exceder o tempo e, se possível, rentabilizar ao máximo esse tempo. Em resumo: enquanto os clientes do amanteprofissional eu deixava-os à vontade, aos outros clientes eu deixava claro que havia um tempo e que este tempo tinha que ser respeitado, e que tinha alguém para atender depois deles, possivelmente alguém que já estava à espera. É claro que, por mais que atendesse bem a todos, os clientes do amanteprofissional tinham um atendimento mil vezes melhor, isto é facto. Todavia, agora veja só como a vida é traiçoeira, eu fui percebendo, ao longo do tempo, que aqueles clientes que atendo com pressa, no estilo “ai benzinho, vamos lá que tem um outro cliente lá fora já me esperando” são muito mais fiéis do que aqueles que atendo sem pressa alguma. Se calhar isso também tem a ver com o ego masculino, o cara está comigo e sabe que tem outro me esperando e isso talvez dê a ele aquela coisa da competição, sei lá. O que eu sei é apenas isso: não tenho clientes do amanteprofissional que estejam comigo 2 vezes por semana, os clientes do amante profissional vêm no máximo 2 vezes por mês (isso falando dos mais assíduos), enquanto que os outros, que não atendo com tanta qualidade, que atendo sempre na metade do tempo que era suposto, estão comigo entre 2 a 3 vezes por semana, e ainda dizem que não encontram nada melhor em lado algum.
Foi, de certo modo, o mesmo susto que levei com os clientes de hotéis. Até então, quando morava na Zona Centro, eu não fazia muitos hotéis por lá, depois quando vim para Lisboa me senti muito insegura nisso, demorei muito a começar a fazer hotéis. E até então eu achava que eu conhecia clientes bonzinhos em função do meu blog, mas depois, quando comecei a atender clientes estrangeiros em hotéis, que percebi que não tinha nada a ver com isto, porque afinal os clientes estrangeiros não liam o meu blog. Eu achava estranho as meninas falarem tão bem dos clientes de hotéis, e depois vi que elas realmente estavam certas: quanto maior o nível do homem, menos trabalho ele dá para a acompanhante. Enquanto que no atendimento no apartamento o homem quer coisas a mais, no hotel o cliente se contenta com bem pouco. Por vezes eu acabo o atendimento no hotel, olho pro relógio e falta ainda tempo pra caramba, pergunto então se o cliente não quer uma massagem, ou se calhar mais sexo, mas ele está sempre satisfeito, diz que se quiser eu já posso ir e etc., quando volta a Portugal me contacta de novo, sinal que aquilo agradou. Tem cliente que se deixar ele canta no seu chuveiro e fica morando na sua casa, enquanto que no hotel é o cliente que controla o tempo, que morre de medo de desrespeitar o seu tempo, e que geralmente te despacha bem antes de ter dado a hora. Eu sei nome e sobrenome do cliente de hotel, e o que vem no apartamento muitas vezes mente o nome, como se também tivessem nome de guerra, ô bobeira.
Em função de tudo isto e mais algumas coisas, eu tinha decidido não renovar o domínio amanteprofissional.com. Mas sabe como é, já são muitos anos e o amanteprofissional também se tornou um hábito para mim, uma casa. Calculo que continuarei como acompanhante mais um ano, dois anos no máximo, e então por via das dúvidas foi por este tempo que renovei o amanteprofissional.com, por mais 2 anos. Depois, sinceramente, não sei o que faço com ele. A sugestão que me deram foi transformar o amanteprofissional num site de anúncios, quando eu sair dessa atividade, porque, bem ou mal, o amanteprofissional é realmente um nome muito conhecido. Mas não sei não, por enquanto ainda tem muita coisa para acontecer.
Recomendo vivamente que, antes de ler este post, leia o Regras fundamentais antes de procurar uma acompanhante. Conforme eu dizia, não posso julgar um homem por ele ser casado ou não, não posso julgar ninguém pelos seus momentos privados, mas é preciso uma pessoa não ser egoísta nem irresponsável; procurar uma acompanhante não é coisa para meninos, é coisa para homens, não é para curiosos, deslumbrados ou indecisos, mas para aqueles que já sabem o que querem.
A situação mais chata que aconteceu hoje mais cedo foi que o cliente, no fim, me mostrou uma foto da família dele. Não é a primeira vez que acontece, e eu não gosto. Até entendo que clientes que me conhecem através do blog façam isto, porque criam uma relação de confiança em mim, mas este me viu em outro site, um site de anúncios, onde só sabia meu nome, foto e honorários. Para começar foi um encontro muito tenso, em que tive que fazer um esforço sobrenatural para ser simpática com uma pessoa que era arrogante, egoísta e pouco agradável (sabe quando você tenta colocar a pessoa à vontade, mas a pessoa não ri, está sempre seca, sempre desconfiada, sempre de nariz em pé e se achando melhor que todo mundo?), depois foram acontecendo uma série de situações que só me demonstravam que aquele homem não deveria de modo algum estar aqui, que não pertencia, que não tinha a característica dos meus clientes, que não fazia parte, e no fim foi isto, como cereja podre no topo do bolo, uma coisa é a vida dele, uma coisa é ele ser casado, mas a família dele não tem nada a ver com isto, portanto ele não tinha nada que ter me mostrado a foto da esposa e filha no telemóvel, porque eles não têm nada com isto e tinham que ser preservados.
Raramente, mesmo raramente atendo uma pessoa desagradável, mas pensa, estava aquele clima super tenso, a questão é que o cara resolveu ter crise de culpa e de consciência justamente na hora do encontro (ele devia ter tido essa crise antes, e não durante o encontro, rs, depois de ter ligado várias vezes, pedido informação, marcado, e olha que eu fui dura com ele ao telefone, praticamente quase o convenci a não vir, isto porque ele veio com muitas exigências e eu expliquei que era do meu jeito e pronto, mas que ele tinha outras opções, que ele não precisava vir ter comigo, mas veio porque quis, disse que ia pensar e que ligava depois, e ligou, aceitando tudo, ou seja, não foi algo por impulso, ou sem pensar), e foi a tal crise de culpa e de consciência que fez com que tudo se tornasse tão desagradável entre nós, porque por um lado ele estava tomando o meu tempo, por outro lado ele estava sendo egoísta, pensando só nele, qual menino mimado que ainda não sabe o que quer e achando que todo mundo pode girar em torno dele, mas no fim da nossa conversa ele fez isso, mostrou a foto da mulher e da filha, e foi bastante estranho porque era como se só de repente ele tivesse percebido que elas tinham alguma importância, mas veja bem, o clima estava tenso e desagradável, e se eu fosse uma pessoa que levasse aquilo a mal? Veja, ele estava tomando o meu tempo e desrespeitando o meu trabalho e a minha privacidade, estava um clima péssimo entre nós, ele mal sabia quem eu era, mostrar a foto da família foi uma atitude muito arriscada. Porque tipo, imagina se isto não é comigo, mas com outra pessoa? Imagina uma pessoa se sentir lesada e desrespeitada, imagina que um dia essa pessoa encontra por acaso com a tal esposa do homem? Não, não estou dizendo que as acompanhantes ou garotas de programa não são éticas, o que estou dizendo é que somos de carne e osso e que ninguém gosta de ser desrespeitado, por isto, apesar de termos a nossa ética, não foi nada legal ele mostrar a foto da família porque ele estava expondo alguém que não tinha nada a ver com aquilo. Tem gente que é mais calma, tem gente que ferve em pouca água, vai que fosse com uma garota que fervesse em pouca água, e que um dia, vendo a mulher dele na rua, falasse poucas e boas sobre o marido dela? Como disse, não é ético fazermos isto, mas também não foi ético nada daquilo que o cliente fez, inclusive o facto de ter exposto a família numa coisa privada dele.
Note, não estou contando uma cena sobre um cliente com quem tenho bons momentos e uma relação de cumplicidade. Não estou falando de um cliente amigo. Estou falando de um cara que eu ia atender pela primeira vez, que eu nunca vi em lado nenhum, e que também mal me conhecia porque nem meu blog ele lê. Não estou falando de uma situação agradável, mas de duas pessoas estarem ali e de eu estar rezando para não ter que atender aquele homem (sim, Ele ouviu as minhas orações). Ele era bem aparentado, mas era aquele tipo de pessoa que, quando chega, faz tudo ficar tenso, como se o tempo tivesse fechado no olhar dele, na postura, no modo de ser. Já conheci algumas pessoas como ele, mas felizmente não muitas. Apesar de estar acostumada a lidar com isto, e de já ser muito experiente e de já ter lidado com todos os tipos de situações, esta foi uma situação mesmo impossível de resolver porque para começar ele tinha a tal crise de culpa e de consciência, depois porque ele entendia o encontro como uma espécie de violação consentida (ele veio achando que era só pagar pelo sexo, e ainda veio com o papo de que não fazia aquilo muitas vezes, e eu com a experiência toda que tenho nem vou dar palpite a dizer o que acho, rs), e de seguida porque ele se achava melhor do que todos os clientes que eu atendo, e aí eu tive que explicar que não, que os clientes que eu atendo que eram muito melhores que ele porque os clientes que eu atendo não fazem aquela palhaçada toda e nem tomam o meu tempo.
Para ter momentos maravilhosos com uma acompanhante, você deve estar preparado para isto. Você deve querer isto, como algo só teu.
Regras fundamentais antes de procurar uma acompanhante
janeiro 5, 2012
Não é todo homem que pode procurar uma acompanhante. Há regras, entretanto, que são básicas e que a gente nem precisa falar tanto (de novo) nelas, como por exemplo ser maior de 18 anos, ter condições físicas, mentais, psicológicas e inclusivamente financeiras para procurar uma acompanhante, ser uma pessoa discreta, etc.
Tá bom, até aí é tudo muito óbvio.
Logo a seguir entra a questão do ACORDO. É um acordo verbal, que se inicia desde a página web ou anúncio ou conversa telefônica. Este acordo verbal é quando a acompanhante diz as suas condições ao cliente, e este, se aceita tais condições, marca um encontro com ela.
É tudo muito mais simples do que parece: se concorda o cliente vem, se não concorda ele não vem, e procura por outra, que talvez ofereça aquilo que ele procura.
O que pode complicar, justamente, é quando o cliente tenta impor as suas próprias regras, assim não dá. Por exemplo, se digo que não faço nada sem preservativo, o que o cliente tem que fazer – quer dizer, não teria, mas é a opção dele, eu não tenho nada com isso – é procurar uma outra pessoa que então faça o que ele quer, ao invés de tentar convencer quem ele já sabe que não quer e que não faz.
Já aconteceu isso, e não foi só uma vez: eu tinha dito pro cliente ao telefone que não fazia nada sem preservativo, o cliente disse que aceitava esta condição e marcou o encontro, mas, quando chegou aqui, tentou me induzir a fazê-lo. Na cabeça do cliente, eu ia ver que ele era “limpinho” e por isto ia aceitar fazer, ou então ia ver que ele era lindo de morrer, ia ter um ataque de tesão e acabaria por fazer algo sem preservativo com ele, só por ver o quanto ele era lindo. Tenso, viu?
Sério, eu não sei onde é que as pessoas estão com a cabeça. É tudo muito mais simples quando há um acordo, quando este acordo é respeitado. Bom pra mim, bom pra você, bom pra todo mundo.
Mas há outras coisas que eu também acho importante o cliente saber, antes de procurar uma acompanhante:
1) Um encontro não é uma violação consentida
Gente, em que era estamos, hein? É um absurdo pensar que há homens que encaram um encontro como uma violação consentida, por ser paga. Violação, mesmo que consentida, é violação na mesma. Uma coisa é um homem ir ter com uma acompanhante, pagar pelo tempo dela, mas ir consciente de que tudo o que vir a acontecer será de consentimento e desejo de ambas as partes; outra coisa é o homem já ir achando que vai pagar pelo sexo, e que vai obter o sexo só porque ele paga, independente da vontade dela ou não. Claro, há sexo na maior parte dos casos, não vou mentir, mas uma coisa, até da minha parte, é eu sentir esta liberdade da parte do cliente, sentir que ele não veio para impor algo, porque isto é o que faz, justamente, que eu tenha vontade de estar com ele mais intimamente. Não, eu não sou obrigada a fazer sexo com quem quer que seja, assim como o meu cliente também não é obrigado a fazer sexo comigo, mas há um acordo, há um tempo de companhia que deve ser respeitado.
2) Relação One-to-One
A relação que eu tenho com os meus clientes, com cada um dos meus clientes, é única. A relação que tenho com o cliente A não tem nada a ver com a relação com o cliente B ou C, porque cada um é uma pessoa diferente, única. Mas além disso, a relação que eu tenho com o meu cliente é só com o meu cliente: esta relação não tem nada a ver com o pai dele, a mãe dele, a esposa dele, os filhos, cachorro ou papagaio. Apesar de ter sim, muitos clientes que chegam dizendo “ai, eu tenho relação aqui contigo porque me falta sexo lá em casa”, a verdade é que, no fundo, esta procura não tem nada a ver com a esposa dele ou com o sexo que a esposa dele faz ou deixa de fazer (até porque também tenho clientes que têm sexo bom e em quantidade em casa, e que nem por isto deixam de procurar acompanhantes), mas com uma relação que ele tem com ele próprio, com o seu próprio corpo, com suas próprias carências, com sua própria identidade, até porque ele podia ser um tipo de homem que tem pouco sexo mas que se contenta com o pouco que tem, assim como também podia ser o tal que tem muito e nem por isto procurar fora. Claro que eu também sou mulher e, como tal – principalmente enquanto ser humano, com defeitos e qualidades – tenho os meus próprios juízos, os meus próprios conceitos sobre o certo e errado, assim como acredito que muitos também têm em relação ao meu trabalho. Claro que, enquanto mulher, não acho a coisa mais linda do mundo um homem casado ir procurar sexo com outra, independente de ser acompanhante ou não, mas é justamente enquanto acompanhante que evitarei fazer sempre qualquer juízo. Enquanto acompanhante, eu estou ali para o cliente, e não para o passado dele, a família dele, ou tudo aquilo que o rodeia. Ele vem para ter comigo, uma coisa só eu e ele, e de facto nada mais além disso me interessa. É como se esse tipo de fuga fosse uma coisa só dele, que só pertence ao universo dele, e eu respeito isso, mas uma exigência importante é que, para viver o seu mundo, você de forma alguma prejudique aquilo que tem em volta. Por exemplo: se o cara é casado, eu não tenho nada a ver com isto e não posso julgá-lo, mas é obrigação dele tomar todas as precauções para não prejudicar a família dele em função daquilo que ele faz em privado.
3) É para quem faz, não para quem só faz barulho
Tenho vários amigos que conheci através do blog e que não são meus clientes, nem serão, e não é deles que falo. Falo daqueles que me procuram o tempo todo prometendo um programa um dia, e que nunca marcam: estes só fazem barulho, e nunca serão clientes. É preciso um homem ser homem, e encarar uma coisa: há quem esteja preparado para isto, há quem não esteja, há quem seja apto, há quem não seja, há quem possa fazer, há quem não possa. Não está preparado? Então não procure uma acompanhante, não perca o seu tempo e nem o dela. Há muita, muita gente que acha interessante estar sempre no meio de acompanhantes, seduzir acompanhantes e etc., sem no fundo nunca vir a procurá-la como cliente, mas isso na verdade é um grande incómodo, e uma grande perda de tempo. Não só isso: a falta de decisão, por exemplo, pode prejudicar a discrição dela. Isso não é para todos, meus caros. Se não sabe brincar, se não está preparado para brincar, saia da fila e não atrapalhe quem quer e pode brincar.
