O pênis com duas cabeças
janeiro 21, 2012
Estava contando ontem no meu twitter que atendi um homem que tinha um pênis que ia entrar para a lista dos mais esquisitos que já vi: era um pênis com duas cabeças!
Não eram dois pênis, mas era como se uma cabeça saísse de dentro da primeira cabeça, que fazia com que metade do pênis parecesse aquele cogumelo, como se fosse um chapéu em cima de outro chapéu.
Qualquer pessoa normal teria dado um salto a gritar «P**a que pariu, que m*rda é essaaaaa?????», mas uma coisa que uma acompanhante tem que aprender é a ser fria, e a reagir com indiferença, até em situações mais críticas.
É claro que tudo tem um limite, mas é aí que a gente tem que ser astuta, e conseguir avaliar uma situação o mais rápido possível. Você nunca sabe, por exemplo, se uma pessoa já não é traumatizada com o problema que ela tem, e não seria nada gentil enfiar o dedo na ferida.
Óbvio que, acima de tudo, eu não faria nada para me prejudicar. Desculpe amorzinho, mas a primeira coisa que avalio é se vai me prejudicar ou não. Sem que ele percebesse, analisei o pinto dele, a cabeça de baixo era mais grossa que a cabeça de cima, mas era só essa parte das cabeças que era mais grossa, o resto era um pau até bem fino e, mesmo a parte das cabeças, não tinha maior grossura que um pinto normal, ou seja, as cabeças só faziam com que o pau fosse assim meio deformado, se é que posso dizer assim. É claro que, só de olhar, eu já conseguia prever o desconforto, talvez até alguma dor em algumas posições, mas nada tão pior do que outras coisas que já passei, então resolvi encarar.
Aí fui, fiz sexo com o gajo, ele gozou – obviamente só ele – e então, só depois disso, que eu fui conversar com ele.
- O seu médico já viu isto?
- Já.
- E ele não quis operar?
- Sim, quis.
- E por que não operou?
- Porque eu não quero.
Ficou um clima tenso, e por isto também que eu falei depois, porque a situação seria muito pior se ainda não tivéssemos feito sexo. Apesar de ter falado com calma e com educação, ele ficou mesmo muito incomodado com este assunto, eu quis insistir na conversa e ele foi cínico, desviou o assunto para “as possíveis coisas piores que eu devo pegar aqui”, mas eu voltei a falar do caso dele e ele disse qualquer coisa meio querendo dizer que o corpo era dele e que ninguém tem nada a ver com isto.
- Claro, o corpo é teu, concordo, você faz com ele o que bem quiser, você pode ter o seu pênis do jeito que quiser… desde que, claro, não vá enfiá-lo em ninguém. Porque a partir do momento em que você pensa em enfiá-lo em alguém, isso acaba dizendo respeito à outra pessoa sim. A partir do momento que eu posso ser esta pessoa, isso é da minha conta sim!
Ele ficou meio sem reação, mas eu continuei:
- O problema da maioria dos homens é o egoísmo. Vocês querem ter o maior pau do mundo, mas não querem nem saber se estão machucando uma pessoa, se estão ou não estão dando prazer para ela. Acho que vocês se importam mais em mostrar para os outros homens que têm um pauzão, em poderem comparar com os outros homens, do que propriamente em serem gentis e delicados com uma mulher, e dar prazer a esta mulher. Se você ama o seu pau, e se encontra uma mulher que também ama o seu pau, até aí tudo bem, mas você não pode obrigar outras pessoas a acharem isso normal e a amarem o seu pau também.
Eu sei que fui dura. Mas eu tinha que dizer isto para ele, por saber que possivelmente nenhuma mulher disse isto.
Não sei se ele é casado ou se tem namorada, não perguntei. Se tiver, é uma sofredora, porque encarar uma vez pra saber como é ainda vai, mais que uma vez seria tortura e todo dia seria um suicídio sexual. Se ele não for casado e nem tiver namorada conforme suponho, possivelmente a vida sexual dele é completamente assim, visitando acompanhantes. Mas enquanto acompanhante, sei como as coisas funcionam: a gente atende um cara, se não gosta de atender inventa uma desculpa, ou põe o número dele na lista dos rejeitados, ou seja, evita a pessoa. O cara não sai prejudicado, porque o que não falta é acompanhante por aí, então amanhã ele vai em outra, depois outra, depois outra, e nunca vai faltar acompanhante para ele porque o que mais tem é acompanhante em Portugal, sempre vai ter uma que ele ainda não conhece, que ainda não conhece o problema dele. Como ninguém diz nada, como de certa forma não lhe falta sexo, o homem vai passar a vida toda achando que está tudo bem, quando não está.
Às vezes o que mais cansa sendo acompanhante é isto, estar tendo sempre que salvar o mundo (o mundo de alguém), estar vez ou outra pegando situações complicadas, que talvez mais ninguém encararia, exceto nós acompanhantes. Neste aspecto, alguns homens costumam ser muito covardes, porque eles jogam os problemas deles todos em cima de nós, acompanhantes. O que eles fazem, ao nos procurarem, é disfarçar o problema, fingir que ele não existe, porque é muito mais simples do que resolver realmente o problema, encará-lo de frente.
Por isso que desde que entrei nesta atividade que sei que não sirvo para isto, porque eu deveria encarar tudo de forma natural, e não encaro. Eu devia ficar feliz por perceber que os homens precisam de nós, acompanhantes, porque afinal o nosso sustento vem disto, dos homens que precisam de nós por seja lá que motivo for. Não encaro assim, e aquilo que a maior parte das pessoas encara como uma força eu vejo como uma fragilidade.
