Escrito no dia 7 de novembro às 14h.

Aconteceu-me uma cena inédita agora. Fui anunciar o meu site internacional num site X, algo que faço frequentemente sempre que viajo para fora como escort, mas dessa vez este site recusou o meu anúncio, pelo simples facto de eu ter um banner para um site y no meu site!

Eles não vieram com rodeios, e disseram: «Não aceitamos o teu anúncio porque fazemos parte de um grupo de sites que não aceitam anunciantes que promovam o site y, que se sustenta basicamente pelo tráfico de seres humanos.»

Fui verificar, e me pareceu verdade. Pelo menos me pareceu evidente. «Conheça 1000 russas ainda hoje», escrito num banner, mais uma página inteira de fotos de acompanhantes russas espalhadas pelo globo, pelo menos me pareceu muito evidente.

Eu já tinha anúncio no site y. Não fico verificando cada anúncio ao pormenor, mas não me pareceu que, na altura que coloquei o anúncio, que aquilo estivesse assim. Mas agora está. E estando, retirei imediatamente os links que tinha para este site.

O tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual é péssimo para quem é vítima, mas péssimo também para todo o mercado. O desafio para quem é escort lá fora é este: concorrer com as máfias, principalmente as russas.  A princípio, era difícil para mim entender tanta aversão que via nas pessoas quando se falava das escorts russas, mas só depois comecei a entender.

Trabalhei num certo país no ano passado, e enquanto eu cobrava no mínimo 400 euros por uma hora, havia russas a cobrar 100 euros por uma noite inteira! Note, eu não estou falando que eu cobrava 400 euros por uma hora e que uma russa cobrava 100 euros por uma hora, eu estou falando que eu cobrava 400 euros por uma HORA e que uma russa cobrava 100 euros por uma NOITE!

Claro que também havia russas a cobrar valores mais altos,  mas aí o desafio já era outro: as fotos falsas! Para começar porque, nos sites onde eu anunciava, a maioria anunciava com rosto, o que realmente chamava mais a atenção. Entretanto, o que acontecia muito é que elas utilizavam fotos de actrizes porno russas, que ninguém conhecia de lado algum, e com isto o cliente chegava, via que a escort era completamente diferente da foto, e vai numa, vai em duas, vai em 100, são todas diferentes, daí ele começava a suspeitar que todas as anunciantes tinham fotos falsas, ou seja, quando chegava em mim ele já vinha cheio de desconfianças, com os dois pés atrás, porque já tinha ido em muitos lugares e se decepcionado.

Acho péssimo ter que caracterizar alguém só por causa da nacionalidade. Péssimo entrar num site e, encontrando centenas de russas, ter que dizer que são traficadas, só pelo facto de serem russas. Me parece xenofobia, e não gosto disso, e enquanto brasileira já passei por esta situação, já fui muito julgada em função disto, inclusive dentro do sector.

Quando você pensa em “acompanhante de alto nível” ou “acompanhante de elite”, raramente você pensa numa brasileira, pelo menos não em Portugal. Quando você pensa numa acompanhante para te acompanhar num jantar ou numa viagem de negócios, que saiba se vestir adequadamente, que saiba conversar e se comportar como cada ocasião exige, me desculpem, mas também não é numa brasileira que uma pessoa pensa. Quando pensa numa mulher gostosa na cama, carinhosa e liberal… aí sim, pensam numa brasileira, mas em geral é isso mesmo, só pensam na brasileira para momentos escondidos entre quatro paredes. Não estou dizendo que isto é com todos, só estou dizendo que é muitíssimo comum. Eu mesma, quantas e quantas vezes não fui excluída de certos eventos para acompanhantes, só pelo facto de ser brasileira? Vocês nem imaginam. Sou educada e sou super discreta, mas é como se eu tivesse que dizer o tempo todo que APESAR de ser brasileira, sou educada e sou super discreta. Aliás, já aconteceu também de ter sido seleccionada para um evento, e de ser a única brasileira, e apenas por ser “a Paula Lee, blogueira, autora de livro”, caso contrário nem teriam pensado em incluir uma brasileira nisso, me disseram na cara.

De facto, quando me trouxeram para Portugal, ninguém me disse que eu tinha que ser elegante, que eu tinha que ser educada,  que tinha que saber falar ou ter classe. Isso não faz parte da “cartilha” do que ensinam à acompanhante brasileira. Só querem saber se você é boa de cama, o que topa na cama, e se vai ser carinhosa com os clientes, “como as brasileiras são”.

Não são todas as brasileiras que trabalham a 20 euros ou que fazem oral sem preservativo, mas, como as brasileiras devem ser aproximadamente 80% do mercado, e como mais de 90% das acompanhantes – independente da nacionalidade – ou trabalham a 20 euros ou fazem oral sem preservativo – ou ambos -, é natural que se crie esse estigma que cai mais uma vez sobre as brasileiras. Desde que a Verli – uma acompanhante brasileira – morreu com SIDA, o peso do estigma caiu ainda mais forte.

O que acontece com as brasileiras é o mesmo que acontece com as russas. Você vê uma, você vê duas, você vê 100 e vê 800 fazendo oral sem preservativo, vai pensar que todas fazem, você não quer lá saber a opinião da acompanhante 801. Tão simples quanto isto.

Sobre o tráfico de seres humanos, por um lado me ponho a favor dos clientes, que não têm como saber se uma acompanhante é REALMENTE independente ou não, se foi traficada ou não. Em 200, 300 anúncios ou mais num site, fica realmente difícil de saber! E a questão é que, como as máfias têm sempre muito mais dinheiro do que cada escort independente, obviamente que eles têm sempre muito dinheiro para investir forte em publicidade, ou seja, de certo modo fica sempre mais fácil encontrar uma traficada do que uma independente, justamente porque o anúncio da traficada terá sempre mais destaque, sempre mais publicidade, etc., tudo em função do dinheiro envolvido e do número das pessoas em volta querendo a sua fatia do bolo. Entretanto, por outro lado, também me coloco contra os clientes, ou pelo menos contra uma parte dos clientes. A questão é que, sejamos sinceros, para muitos deles é completamente indiferente o facto de uma acompanhante ter sido traficada ou não. Se ela é bonita, se ela faz o que ele quer, e se ainda por cima por um valor mais baixo… para ele é óptimo! Para ele, o tráfico de seres humanos é bastante conveniente!

Por isto é de admirar a postura do tal site x, que recusou o meu anúncio só porque eu tinha um banner para o site y. Ao me recusar, eles possivelmente estariam recusando também uma entrada financeira. Ao recusar o anúncio das milhares de russas, estarão então recusando uma entrada financeira mil vezes maior. Sim, é algo de louvar.

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Enquanto anunciante, fico um pouco limitada também. Se entro num site com 1000 acompanhantes anunciadas, e 800 delas são russas, uma coisa é eu suspeitar do tráfico, outra coisa é eu apontar o dedo, não posso, porque afinal de facto não sei. Pode estar na cara, mas não posso provar. Tudo o que posso fazer, neste sentido, é não divulgar tal site.

Mas fica complicada esta coisa do estigma. Porque, se eu conheço hoje uma acompanhante russa, por um lado não vou querer deixar de vê-la como a acompanhante 801, que talvez seja diferente do resto, mas por outro lado vou ficar com receio de divulgá-la, de indicar aos meus clientes, e assim estar eu também, inconscientemente, alimentando o tráfico.

Eu sou a acompanhante 801. Enquanto acompanhante 801, sei o que é estar o tempo todo tendo que provar o que sou e como sou, e principalmente, como não sou. Sei o que é ter que provar que posso ser uma excelente escort, independentemente da minha nacionalidade ou do estigma que cai sobre a minha nacionalidade. Enquanto a acompanhante 801, tenho sempre que provar que não vou ao hotel de saia curta,  que não uso perfume barato, que não vai ter nada escrito na minha testa, que posso me adaptar a qualquer ambiente, que saberei ser calma, discreta e elegante.  Acredite, é muito difícil ser a acompanhante 801, porque nem todas as portas estão abertas para a acompanhante 801. Felizmente, internacionalmente as portas estão abertas às acompanhantes brasileiras – bom, a nossa imagem lá fora continua não sendo a das melhores, isto porque, diferente das acompanhantes europeias, que se promovem em função da classe e da elegância, acompanhantes brasileiras, em geral, ainda insistem na divulgação enquanto “mulher sem tabus e boa de cama” apenas – mas eu fico pensando se eu fosse russa, e se eu fosse independente mas russa, já sei que ia ser bem mais complicado.  Teria que fazer como algumas, que omitem ou mentem a nacionalidade.

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Como já referi imensas vezes, não tenho nada contra as agências ou agentes de acompanhantes, que são ferramentas/serviços utilíssimos para a nossa promoção hoje. Agentes ou agências, se sérios e profissionais, são muito importantes àqueles que, como nós escorts, trabalhamos na área do entretenimento. Não digo que um agente ou agência são indispensáveis, porque não são, mas acabam por ser uma mão na roda para que a acompanhante possa ter mais tempo para se dedicar ao encontro em si. Porque se eu atender 2 clientes por dia, uma hora cada, todo mundo pensa que eu só trabalhei 2horas, e que ganhei muito por só 2 horinhas de trabalho, mas não é bem assim, duas horas foi apenas o tempo em que fui recompensada financeiramente por este trabalho, porque tudo o que há em volta, e que é feito também durante e depois, também fazem parte do trabalho. Mas, como eu ia dizendo, uma coisa é ter um agente, outra coisa é ter um chulo. Uma coisa é ter alguém que possa fazer a minha divulgação, ou que possa atender os meus telefonemas ou fazer as minhas marcações – um profissional contratado como um outro qualquer, alguém que será uma espécie de relações públicas, secretária, telefonista, etc. -, outra coisa é ter alguém que me explore, que me incite a fazer o que não quero, que passe a viver dos meus ganhos e que tente me forçar a ganhar mais por causa disto, etc. Uma coisa é eu contratar um profissional, outra coisa é eu ser empregada/escrava deste profissional.

Quanto aos sites, a diferença apenas é que antes o tráfico de seres humanos não estava online. Agora está. E por isto fico contente por ver que há ainda aqueles que defendem o sector, mesmo à custa de prejuízos.

Há coisas que os clientes não entendem nunca.

Conforme expliquei, há casas onde as meninas trabalham à base de diária e comissão.  Amiga minha estava atendendo numa casa, lá o valor era 60 por meia hora, e ela tanto podia atender pelo seu anúncio como pelo anúncio da casa, com a diferença apenas que, se vir cliente pelo anúncio da casa, ela tem que dar metade – neste caso 30 – para o dono da casa, fora os outros 30 de diária, independente se atender cliente da casa ou cliente dela.

Bom, então num dia ela atendeu um cliente, o cliente veio pelo anúncio dela, pagou 60, destes 60 ela tirou 30 e deu para a casa pela diária, ficou com 30, ok.

No dia seguinte o que acontece? O mesmo cliente viu outros anúncios, viu o anúncio da casa, sabia que era a mesma casa onde ela estava – porque afinal, quando a outra menina que atende o telefone dá o endereço, ele constata que é o mesmo local -, e resolve voltar à mesma casa, por um lado para conhecer as outras meninas – coisa que não acontece quando você liga para um anúncio individual -, mas, por outro lado, também sabendo que, se não gostar das outras, tem lá a minha amiga que o atendeu no dia anterior.

E muitas vezes, na verdade, o que acontece é que o cliente prefere vir assim, tendo ligado por outro número que não é o seu, como uma forma – vaidosa – de dizer “haha, está vendo? Descobri o teu outro número, uma outra forma de te encontrar”, pensa ele, se sentindo o agente 007 pela façanha. (Há coisas que realmente só têm graça para quem não tem o que fazer…) E não sabe ele que, por ter se metido a espertalhão, acabou prejudicando tudo.

Deixa eu continuar a história… O tal cliente da minha amiga apareceu lá, tendo ligado para o anúncio da casa, viu as outras meninas, não gostou muito… e escolheu estar de novo com a minha amiga!

Só que, enquanto da outra vez ele pagou 60, ela ficou com 30 e deu outros 30 para a casa pela diária, desta vez ela vai atendê-lo e ficar sem nada, porque 30 ficam para a casa pela diária, outros 30 também ficam para a casa por ser a metade do valor do atendimento vindo pelo anúncio da casa.  Se contar que uma menina usa preservativo, lubrificante, etc., etc., pode-se dizer que aquele cliente, naquele dia, representou um prejuízo. E se neste dia ela não tiver vontade de estar com mais ninguém, por causa dele ela vai ser OBRIGADA a atender outros, só por causa daquele prejuízo que ele representou. Teria sido muito mais fácil se ele tivesse voltado a ligar para o telefone dela, não seria? Mas não, o bicho quer ser vaidoso, tem mania que é James Bond…

Pior, depois que um cliente aparece numa casa, vindo através do anúncio da casa, sempre ficam a pensar que o cliente é da casa, e não da menina. Isto porque cliente individual da menina pode se tornar cliente da casa, mas cliente da casa não pode se tornar cliente individual da menina, explicando melhor, se um dia você vai numa casa pelo anúncio da casa, mas depois encontra o anúncio da menina e passa a contactá-la pelo número dela, sempre vão achar que ela te passou o número dela no quarto, com o propósito de deixar de ter que pagar comissão, mas isso dificilmente acontece, quando você vai pelo anúncio da casa é assim, a menina continua a ter que dar metade do valor do atendimento, mesmo se você depois passar a ligar para o número dela.

E depois um cliente ainda fica sem entender por qual razão que foi atendido mal e porcamente.

O sector está mudando, o tempo todo. E o que algumas meninas que eu conheço têm me dito é o seguinte: agora as casas funcionam muito mais através do pagamento de diária do que através de comissão.

O que acontece é que o sector foi explorado mais do que podia; chuparam a mesma laranja até ao bagaço. Excepto casas mais fortes ou mais antigas, mais nenhuma tem condição de oferecer uma boa quantidade de clientes às meninas que buscam trabalho à comissão.

Em geral, nos bordéis onde trabalhei, a gente dava no máximo 25% para a casa, e ainda assim tinha direito a alojamento, água, luz, gás, e, muitas vezes, até ao transporte e alimentação. Tinha casa também que, além de oferecer isto tudo, também nos pagava um salário, uma pequena quantia diária, apenas por termos ido trabalhar, independente de termos feito clientes ou não, afinal de contas era para nos ver que os clientes tinham ido até lá e, bem ou mal, cada cliente já teria gastado uma boa quantia no cartão de consumo obrigatório.

Mas as coisas foram mudando nos últimos tempos. Quando os bordéis fecharam, o número de apartamentos de convívio aumentou imenso, primeiro porque era a única alternativa para as meninas que antes trabalhavam em bordel, depois porque para os novos proxenetas o apartamento de convívio se tornava um investimento mais fácil e menos arriscado.

A primeira mudança visível era na percentagem; antes a gente pagava no máximo 25% às casas e de repente a maior parte das casas de convívio começaram a trabalhar a meio a meio, coisa que antes era só habitual no que diz respeito aos copos (alterne).

Outra mudança visível era o comportamento sexual – de risco – e a redução dos honorários: aos poucos aumentava o número de meninas a aceitar a prática de relações sexuais desprotegidas – de 25 a 30% do sector a, hoje, mais de 90%, algo fácil para qualquer um ver -, assim como os honorários, ano após ano, foram sendo reduzidos a valores humilhantes – hoje há meninas que atendem a 20€, dos quais elas ficam com apenas 10€.

Na Zona Centro, quando comecei, havia uns 6 apartamentos de convívio, contando comigo. Em 2 anos, mais de 70. Hoje, já não sei quantos. Para uma cidade pequena, 6 era mais do que suficiente. Com 6 apartamentos, conseguíamos atender dentro de um valor razoável, sem concorrência desleal e mantendo a dignidade de todos os envolvidos no sector. Mas, quando aumenta de forma assim tão gigante a concorrência, você vê gente fazendo de tudo por um trocadinho, e vê, inclusive, muito cliente tirando partido da situação.

A maior parte dos clientes das casas de convívio busca por novidade, quer chegar numa casa e encontrar meninas que ele ainda não comeu, o negócio é simples assim.Conhecendo a vaidade e o ego masculinos, os donos de casas que tinham mais do que uma casa, habitualmente trocavam as suas meninas, quem estava na casa x ia para a casa y, e vice-e-versa, assim o cliente sempre via menina nova, e as meninas semi-independentes, que não trabalham para uma casa só, mas para qualquer casa que lhe pareça lucrativa, também começaram a viajar, porque assim podiam ser “novidade” por cada nova cidade onde passavam.

Eu fiz este circuito; estava umas semanas numa cidade, outras semanas em outra. Mas, na minha altura, eu viajava e pagava apenas uma parte de cada cliente que atendia. Mas acompanhei o que foi acontecendo, através dos relatos das minhas colegas: primeiro começaram a cobrar 50%, depois começaram a cobrar 50% mais a diária.

Entretanto ainda era lucrativo, para algumas casas, trabalhar a 50% com as meninas. Hoje nem em todas. Tanto que, em muitas casas, hoje, trabalha-se fundamentalmente com base na diária.

Agora, segundo o que me contaram algumas colegas, as coisas funcionam mais assim, com diária.

É assim: você vai para uma casa, paga uma diária, atende nesta casa os TEUS clientes, através do TEU anúncio. Se a casa tiver clientes, se quiser você ainda pode atender os clientes da casa, pagando, além da diária, os 50% do valor do tal cliente, mas o negócio é que hoje as casas já não querem se comprometer a oferecer clientes para as meninas, é o que as meninas têm me dito.

O que acontece é que, quando uma menina vai trabalhar numa casa, ela logo pergunta se está tendo movimento e quanto dinheiro que ela pode vir a ganhar lá. Excepto no caso de casas mais fortes ou mais antigas, o que acontece é que, para as outras casas vencerem a concorrência e os maus hábitos dos clientes, precisam de investir muito em publicidade, o que custa muitíssimo caro, e bem mais caro ao longo dos anos.

Eu, particularmente, gosto do funcionamento actual, através da diária. Afinal de contas, atender cliente de uma casa, e sabendo que este cliente tem os seus maus hábitos, e sabendo que este cliente acompanhou o sector e tentará tirar proveito das suas fragilidades… bem, nem sempre é coisa boa. (Se já não é fácil atender clientes de uma colega, menos fácil ainda atender clientes de uma casa. Geralmente minhas colegas não gostam muito dos meus clientes porque eles são muito cultos, gostam de conversar e de passar bons momentos, enquanto para elas interessa o “combate” mais breve e objectivo possível; para mim, não costumo gostar dos clientes delas porque, justamente pela falta desse “algo mais” na relação, sempre me parecem porcos, homens que buscam apenas por um objecto, e não por uma pessoa. Clientes de casas, então, muito pior.)

Através da diária, pelo menos, a menina tem a liberdade de atender os seus próprios clientes e ganhar o seu. Entretanto, apesar de eu achar positivo, as minhas colegas não concordam. A questão é que, para a  menina que já paga o seu anúncio, não é fácil ter sempre dinheiro para a sua diária. E no dia que ela não trabalha, que não tem dinheiro, ela tem que pagar a diária na mesma. Daí o que adianta ela ter liberdade de escolher os seus clientes se, vez ou outra, ela vai ter que atender quem não quer, pensando na tal diária que tem que pagar? Realmente não faz sentido. Se for para ser mais independente, mas continuar a praticar honorários das não-independentes, não faz sentido mesmo, porque afinal sempre serão necessários 1 a 2 clientes por dia apenas para pagar a diária se for assim.

 É claro que isto não tem muito a ver com o universo das acompanhantes independentes, mas acredito que o sector funciona como um todo e que uma coisa liga à outra.

***

Por que as tuas colegas não se tornam todas independentes, como você? – é o que as pessoas mais me perguntam. E a resposta é simples: pelas mesmas razões que nem todas as pessoas se tornam empresárias.

Você chega ali pro moço da farmácia e pergunta a ele por qual razão ele não monta a sua própria farmácia, ao invés de trabalhar numa farmácia que não é dele? Você vai a um restaurante e pergunta a todos os funcionários por qual razão eles não montam cada um deles o próprio restaurante, ao invés de trabalhar para alguém?

É claro que, sendo dona do meu corpo e do meu tempo, defendo a 100% que o melhor de tudo é ser acompanhante independente. Mas é preciso saber que nem tudo funciona assim conforme a gente pensa ser o melhor ou o mais lógico.

Como há contrastes tão grandes dentro do mesmo sector!

Amiga minha – não interessa quem nem onde – estava trabalhando numa casa de convívio numa certa cidade, e daí estava atendendo, ela e outra colega, uma média de 15 clientes por dia cada uma. Ela é loira, bonita, tem um bom corpo, e diz que a colega dela – não conheço pessoalmente – era bonitona também, cabelão preto batendo na cintura, mulherão. Mas diz ela que, além dos 15 clientes que cada uma atendia, o que dá uma média de 30 homens que entravam por dia naquela casa, havia também mais uns 8 a 10 que entravam lá, todos os dias, e recusavam estar com elas!

Amiga minha ficou de queixo caído. Quando é com a gente, a gente até entende que o cliente possa não ter gostado de uma coisa ou de outra, ou não ter ido com a nossa cara, ou preferir uma morena e não uma loira, etc., mas ali havia opção de, por exemplo, se não quisesse uma loira poder escolher a morena, vice-e-versa, e ela ficou de queixo porque diz que a tal colega dela era mesmo muito bonita, ela nunca imaginava que um homem recusaria uma mulher feito aquela.

- Nem precisa dizer o resto! – respondi para a minha amiga. – Aposto que os homens que recusavam vocês eram todos podres e nojentos! Tipo velho babento idiota, homem fedendo a cigarro dos pés a cabeça,  homens que usam a mesma jaqueta há meses, homens de cabelo sebento, homens de unhas grandes, amareladas e sujas, etc.

Não estou nesta actividade desde ontem e é claro que acertei na definição. Conheço bem a cidade, e conheço também o público.

Menina se apronta toda bonitinha, toma banho e passa creme no corpo, põe lingerie sexy… e daí você acha que é quem que recusa ela, homens de alto nível? Ledo engano. Na maior parte dos casos, os homens que nos recusam são aqueles que, afinal, seríamos nós a recusar!

Se aparece um cara de cabelo sebento e unha grande amarelada e suja num apartamento de convívio, muito dificilmente uma menina vai recusá-lo. Obviamente não é por estar mortinha de vontade de atendê-lo,  nem é por ser mais um dinheirinho a receber, mas por uma questão de respeito. Tipo, o cara está ali e infelizmente alguém vai ter que atendê-lo, porque ele também é filho de Deus. Mas tipo, é quase uma caridade, um sacrifício, mas a menina faz, até para evitar problemas, e, por ela já estar acostumada a encarar de tudo, vai dar para ele o mesmo sorriso que daria para o Leonardo Dicaprio.

Aparece muito homem normal numa casa de convívio. Digo, aquele homem que, se não fosse este o cenário, você também gostaria dele em outros ambientes. Aquele cara que, se você o visse dentro de uma discoteca, talvez o paqueraria. Aquele cara de quem você não tem nojo, sabe? Aquele cara com quem você iria para a cama numa situação comum, fora deste ambiente.

Esse cara normal também frequenta estes ambientes de casa de convívio. Ele vem, te trata bem, faz sexo contigo, te trata como deusa, volta a estar contigo de novo, e geralmente te dá gorjeta. É aquele trabalhinho que nem dá trabalho nenhum, por tão agradável que foi. Esse cara te leva à lua, faz com que você se sinta a mais perfeita de todas, a mais deliciosa.

Mas nenhuma menina está livre de conhecer este outro grupo, aqueles homens com os quais você não faria sexo numa situação normal. E acredite: muitos deles vão até te recusar!

É uma minoria, claro. Nesta cidade onde a minha amiga estava o grupo era grande, 25%, mas no geral não costuma ser assim não, na verdade o valor costuma ser menor, muito menor. Nesta cidade é assim porque lá é um dos locais à parte, há uma coisa de tradição em cada cidade, tudo depende da “cultura de casas de convívio” em cada lugar, quem já esteve antes, o que foi feito antes, como foi feito, isto que vai fazer com que os clientes de uma cidade sejam melhores ou piores.

Agora veja o contraste: este cara maravilhoso te trata super bem, te dá gorjeta, volta a se encontrar contigo. Enquanto que, por vezes um cara super nojento… recusa a mesma menina! Sim, meus caros, este é o grande contraste, e que acontece diariamente em várias casas de convívio: a menina abre a porta e lá entra um velho todo mal cheiroso, com o cabelo sebento e unhas sujas, e daí ele olha para as meninas de cima a baixo, avaliando-as, e é muito, muito capaz de um cara destes, nojentíssimo… recusá-las! Ainda por cima colocam defeito, dizendo que elas são menos isto ou menos aquilo que eles imaginavam que fossem… sim, estes caras nojentos!

Tipo, é claro que nenhuma menina fica triste porque afinal de contas é um favor que estes caras fazem, afinal assim evita-se que tenham que fazer o sacrifício de atendê-los. Mas pronto, não deixa de ser uma falta de respeito da parte deles.

Conheço muitas situações de pessoas que já foram em apartamentos, mas as meninas realmente não eram nada bonitas, ou era tudo muito bagunçado e porco, nada discreto, etc. Mas mesmo assim, nada justifica que o homem ande a fazer tour pelos apartamentos de convívio.  Num bordel sim, um homem vai, pede uma bebida, senta-se numa mesa e pode ficar ali, só olhando se quiser. Num apartamento de convívio não, o homem já vai para algo de facto. É claro que, obviamente, ele não tem que ser obrigado a fazer sexo com quem não quer, mas ele não pode ir ali só para olhar para a cara da menina, afinal de contas, se for só para olhar, ele que vá para um bordel; apartamento de convívio é coisa mais discreta, ninguém trabalha em apartamento de convívio para homem que vai ali só pra ver, o homem tem que ir porque já quer estar com alguém. Mas claro, como dizia ele não é obrigado a fazer sexo, mas, se ele realmente não gostar da menina, se ele for um homem correcto irá recompensá-la pelo tempo, e depois simplesmente não vai voltar ali, tão simples como isto.

Mas o que acontece mesmo é que, para alguns homens, a visita a apartamentos de convívio já se tornou uma espécie de parafilia. É que em muitos apartamentos as meninas atendem a porta em lingerie, e então há estes homens embabacados que são capazes de ir a um apartamento só para ver mulher em lingerie. E vocês sabem, há homens que já ficam satisfeitos só com isto, seja pelo prazer de ter visto uma mulher em lingerie, seja pelo prazer de ter “enganado” uma mulher de convívio (pelo facto de ele já ir com o intuito de recusá-la).  E há aqueles que, surpreendidos por não serem atendidos por uma mulher em lingerie, já se chateiam por causa disto, pelo espectáculo gratuito que não receberam (muitos já se chatearam comigo por isto, porque eu me recuso a pegar pneumonia, e só tiro a roupa quando o homem também tirar a dele…)

O contraste é que, se você faz uma deslocação, o número de homens bons e maus não será igual ao das casas de convívio.

Daí você me pergunta: se os homens que pagam mais são sempre muito mais educados, se tratam elas sempre muito melhor e etc., por que não trabalham todas apenas para este público que paga mais? Porque esse tipo de homem não chove todo dia e toda hora. Esse tipo de homem aparece em datas específicas, em alturas específicas, mas não é todo homem que pode pagar centenas de euros por uma hora, milhares de euros por uma noite. E daí há aqueles que podem pagar menos, mas que são igualmente educados, e que representam um maior número de pessoas. Sim, a desvantagem é que também aumenta a probabilidade de aparecer aquele homem nojento e porco, mas no meio dos que pagam menos há um grupo também dos que tratam bem uma menina de convívio.

Mas uma coisa não invalida a outra:  há sim, muita gente legal e educada que não paga tão bem quanto os cavalheiros que procuram acompanhantes de elite, mas é de facto, neste meio em que os homens pagam menos, onde uma menina encontra o maior de pessoas desagradáveis.

Com a experiência que tenho, posso calcular as coisas mais ou menos assim: Deslocações a hotéis representam 1 a 2% de situações/pessoas desagradáveis; atendimentos no apartamento por tempo superior a 2 horas representam entre 5 a 10% de probabilidade de aparecer situações/pessoas desagradáveis; atendimentos no apartamento por tempo de uma hora representam a possibilidade de 10 a 15% de situações/pessoas desagradáveis, e tudo que seja inferior a isto – tempos menores que uma hora – representarão um nível – probabilidades – de desprazer superior a 20%.

A minha sorte é que posso me defender com o nome que melhor me define, amante profissional. Porque se não tivesse começado a me expor na web através do nome Terapeuta Sexual, que foi o que primeiro me “popularizou” – e que inclusive me distinguiu numa época em que os conceitos se baseavam no “mais do mesmo” – e logo depois avançado para Amante Profissional - uma definição muito mais ampla, que engloba não só a terapia do sexo ou do sexo enquanto terapia como na primeira definição, mas todo um conjunto de factores, sem excluir outras vertentes enquanto seres humanos, sensações e os sentimentos, meus e daqueles que me procuram – e tivesse que escolher entre um ou outro, acompanhante ou prostituta…  Bem, olhando para o lado eu teria excelentes referências, mas numa questão quantitativa teria péssimas, por isso se não tivesse pensado nessas outras definições, em função de tanta coisa ruim que vejo talvez me sentisse melhor me definindo como prostituta do que enquanto acompanhante.

Porque em termos quantitativos você olha para os lados e vê umas posturas que Deus me livre, e aí você pensa: “Ser acompanhante é então isso? Ih, eu não sou isso aí não”.

Aí você me diz: “Mas ah, Paula Lee, você já não tinha dito que a diferença entre a prostituição e o acompanhamento era que no primeiro as pessoas estavam forçadas, a fazer algo que não queriam?” Sim, eu disse. Mas tem aquela coisa do “nome bonitinho”. Aquela acompanhante que está com o cliente apenas porque é “mais um que paga” é prostituta na mesma, a diferença é que, porque ganha mais que a prostituta com um único cliente, talvez ainda force um sorriso na cara e arrebente as cordas vocais com um gemido, e nesse aspecto admiro muito mais a honestidade e a frontalidade da prostituta – aquela que não se diz acompanhante, que cobra menos mas que não significa que vai ser melhor ou pior apenas por causa disso. Aliás, aquela que se denomina acompanhante mas que atende um cliente apenas por ser “mais um que paga” para mim é muito mais prostituta que a pior prostituta. Porque a pior prostituta ainda recusa alguns tipos de clientes, enquanto esse tipo de acompanhante acha que tudo na vida tem um preço.

Em alguns aspectos o acompanhamento – ou por regra, algumas posturas de muitas pessoas que dizem praticar o acompanhamento, ou seja, serem acompanhantes – é pior que a prostituição.

Excepto aquelas amigas das quais já falei aqui no blog, excepto mais algumas que conheço e gosto, mas de quem não falo aqui porque não têm um espaço na web, excepto mais algumas poucas que tenho boas referências através de bons clientes sobre elas, excepto mais algumas poucas que penso que serão boas pessoas e consequentemente boas profissionais… desculpe a expressão, de resto considero o acompanhamento em Portugal uma merda.

Do que estou falando? Estou falando num “acompanhamento” que não é acompanhamento, mas apenas um nome bonitinho usado para se dizer “eu cobro mais caro”. Estou falando numa política apolítica. Estou falando numa postura, vezes e vezes constatada, em que apenas se segue o que o outro faz.

Sempre fui sincera desde o princípio, não comecei no acompanhamento, para chegar nisso tive que inclusive mudar muita coisa que estava errada, ou errada para os parâmetros do acompanhamento. Sim, fui prostituta, e não tenho a mínima vergonha de confessá-lo. Sim, trabalhei em locais com altas e baixas tabelas, e confesso, não era o valor da tabela que fazia com que tivesse melhores ou piores clientes, há pessoas e pessoas em todos os lugares e cenários.

Aí você se torna acompanhante porque vê que tem mais lógica, porque vê que tem uma filosofia mais justa e digna. Aí se você olha para os lados logo pensa: a prostituição parecia mais honesta.

Continuo esse post em breve…

Boa pergunta, obrigada! Se não tivesse perguntado eu esquecia de explicar… ;)

Sim, daqui a pouco respondo a tal pergunta que afinal tem se mostrado mais frequente, risos, estão querendo saber sobre a ejaculação precoce!

Mas primeiro vamos a esta pergunta relacionada com o post abaixo sobre quando eu digo: «O que acontece é se duas pessoas adultas o querem e se estão preparadas para isso.»

Uma pessoa atenta – como disse não vou revelar nomes ou e-mails aqui – pergunta: Quando então o cliente pode “não estar preparado” para fazer sexo?

Sim, uma excelente pergunta, até porque a gente sabe, todo mundo ou quase todo mundo gosta de sexo.

Mas o que também devemos saber é que a gente não pode avaliar os outros – e os seus desejos e expectativas – apenas conforme aquilo que a gente pensa ou vive.

As pessoas não são iguais e por isso não gosto de generalizar, por essa razão adoro dar exemplos, porque só assim vocês podem perceber as outras realidades.

Então vamos a um exemplo… Imagine um homem que foi traído ou que cisma que foi traído pela esposa.

Conseguiu imaginar? Não, você não conseguiu imaginar… Pense melhor… Pense no quanto o homem é ferido com a traição… Pense no ego… Pense em como esse homem vai estar se sentindo… Pense no que ele imagina como razão para ter sido traído… Sim, pense, pense, pense, porque é isto o que faço quando estou com um cliente, pensar, reflectir, analisar. Claro, a minha vantagem é que no meu caso eu tenho o cliente à minha frente para me dar algumas respostas, enquanto a vocês ficam apenas as perguntas. Mas pensem…

Não é o “cliente-padrão”, mas já devo ter atendido uns dez que se encaixam nessa situação, apesar de claro, ainda assim as situações não serem completamente iguais porque cada um tem o seu histórico. 

Ele chega com um objectivo interno de se vingar da esposa, ou seja, ‘ah, ela me traiu e eu vou trair também, preciso fazer isso para me sentir melhor’. Mas vai se sentir melhor mesmo? É isto que eu, enquanto acompanhante, enquanto amante profissional e terapeuta sexual tenho que descobrir.

É muito fácil pensar que sim ou pensar que não sem analisar todos os factores. Há pessoas e pessoas e cada uma tem a sua história, e eu posso até estar com vontade de fazer sexo com ele, mas não poderei fazê-lo se não sentir que é esta realmente a sua vontade e que isso vai lhe fazer bem.

Porque, usando esse exemplo do homem que foi traído, pode ser que eu esteja com um que sim, isso resolva o problema dele – falando psicológica ou moralmente – e há casos em que o homem – principalmente se ele nunca tiver traído a esposa, se for apaixonado por ela e talvez nunca nem olhado para outra mulher – vai se sentir péssimo depois, vai sentir que fez a coisa errada ao procurar uma acompanhante em função da traição da esposa.

Eu sei que muito homem pensa que deve mostrar que é homem, que não pode ter amigas que não possa ir com elas para a cama, que deve fazer sexo com qualquer coisa que tenha saia, não respeitando nem aos padres, risos… Mas ao contrário do que pensam, há homens que não são assim! Há homens que têm sentimentos e que não deixam de ser homens por causa disso, aliás, para mim um homem que não tem sentimentos nem é homem, mas um bicho qualquer.

Imagine então, para piorar ainda o cenário, que este homem que acha que foi traído depois descobre que afinal não foi, que foi apenas uma cisma da cabeça dele?

E claro, há aí também outro detalhe: ele está me procurando mas não por mim, mas em função do que lhe aconteceu com a esposa, ou seja, o foco não sou eu, é ela, e ao invés de estarmos os dois na cama, a sensação será de estarmos três ou quatro (eu e ele, a esposa e o tal amante da esposa).

Fazer sexo com ele podia ser fácil, era só abrir as pernas. Ele tanto poderia seguir apenas o seu corpo e ter a ejaculação comigo, como também poderia estar com a cabeça lá na esposa – e por isso perder a erecção – e sair frustrado porque afinal não conseguiu “trair de facto” (rs).

Mas eu não vou pelo caminho fácil. Eu vou pelo caminho que entendo como certo, aquele que poderá ser bom para mim e para ele. Amanhã a gente não pode voltar atrás e corrigir o que fez de errado ontem.

Essa é a segunda pergunta que recebo – a primeira é igual à terceira, por isso vou deixar para responder tudo junto – acho que é sobre a parte em que digo na reportagem sobre o tal cliente com quem não faria sexo, ficando apenas a conversar, e antes explico que é uma opinião e postura minhas.

Quando falava sobre isso na reportagem, explicava que o sexo não é uma obrigatoriedade, o sendo é prostituição.

Para quem está acostumado a frequentar bordéis e casas de convívio é habitual se pensar que é obrigatório o sexo, quando não é. O que acontece é se duas pessoas adultas o querem e se estão preparadas para isso. Além do mais, tudo que é obrigação perde a graça, pelo menos para aquele que é “obrigado”, e sexo feito entre menos de duas pessoas é masturbação.

P.S.: Ainda estou online, podem continuar mandando as perguntas. Salve o teclado, vai precisar de lubrificante… ;)

Explicando o que aparece no fim:

Quando digo da sensação do corpo a rasgar estou falando da diferença entre prostituição e acompanhamento, o número de clientes que se atende num mesmo dia. Explicava para a jornalista que o problema para uma prostituta não é a vagina, porque, depois de várias penetrações, para a vagina há o gel que pelo menos ajuda dando lubrificação… mas o resto do corpo – e o emocional – depois de tantos toques, tantas mãos e bocas, um puxa dali, outro aperta, outro chupa… isso é o que é mais difícil para uma prostituta, a resistência.

Continuem me mandando perguntas, aproveitem que estou online, estou separando as perguntas para ir dando as respostas.

Mas como eu ia dizendo…

Há que se ter cuidado com a mentirada que há por aí.

Como disse, acredito – e admiro – na B. quando ela diz que gosta de ser acompanhante porque há toda uma série de argumentos e uma consistência nos seus actos. Você vê na postura, no profissionalismo, no trabalho todo que faz a nível de imagem, etc., etc. Quem pensa que não dá trabalho está muito enganado. Ser sério dá mais trabalho do que não ser.

Mas eu não acredito em muita gente que diz que gosta de ser acompanhante, porque falta essa consistência, porque falta esse “reconhecimento”. Primeiro porque, por vezes, a garota diz que gosta de ser acompanhante e nem é acompanhante, esse foi apenas “um nome bonitinho para o que faz”. Ou às vezes nem faz.

Um exemplo muito comum… Às vezes a pessoa afirma que gosta de ser acompanhante. Aí você pergunta a razão e a pessoa responde: “Porque gosto de sexo, porque gosto muito de sexo”. Claro, é isso o que o cliente quer ouvir. (Como se fosse muita novidade alguém gostar de sexo, ou como inclusive quisesse dizer que toda pessoa que gostasse de sexo tivesse que ser prostituta, ou acompanhante, a tal palavrinha que utilizam).

Se uma pessoa gosta de sexo, nem seria normal que ela fosse acompanhante ou prostituta (digo, se fosse esta a razão principal como dizem).

Porque se é apenas um desejo por sexo, este é conseguido com uma facilidade muito maior fora do acompanhamento ou da prostituição. Veja só, você vai num bar ou numa discoteca, e convenhamos, o simples facto de ser mulher garante que, se você quiser, poderá ter sexo com um ou com vários homens.

Você pode andar na rua e lançar um olhar para alguém, e de repente estarem a fazer sexo, simples assim.

Acham que é complicado para uma mulher arranjar alguém para fazer sexo? Difícil é encontrar alguém para casar, ou para namorar, para te enviar flores, para ir contigo num museu, para cuidar de você quando está com febre, para te ligar no dia do seu aniversário… para fazer sexo é muito fácil encontrar alguém, você nem precisa de procurar. 

Até numa casa de prostituição o cliente precisa ir até lá, ou precisa ligar antes, saber as condições, etc., etc., e o sexo que deveria ser “fácil” não é tão fácil assim, afinal há uma série de regras. Sexo fácil, para mim, é quando ando na rua, olho para um homem e ele olha para mim, a gente tem vontade, vai e faz, o resto é tudo muito complicado.

Enquanto amante profissional, mais complicado ainda. Eu podia dizer, “gosto muito de sexo”, o que não seria uma mentira. Mas era o mesmo que responder aquela pergunta “qual é a sua posição favorita”. Eu prefiro estar por cima, é verdade, afinal sou tântrica e não fujo à regra, mas na verdade a minha posição favorita – ou o que quer que seja – vai depender também do outro, o que sinto com uma pessoa não é o mesmo que sinto com outra. Tenho por exemplo um cliente com quem adoro fazer sexo de pé, o que não quer dizer que vou querer fazer sexo de pé com todos os homens, é apenas uma coisa entre eu e ele, uma sensação, uma vontade que dá, não há algo que se aplique em todos os casos.

Sexo por sexo é algo muito simples, o que quero é algo muito além.

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