Ontem, enquanto o computador fazia lentamente aquilo que gostaria que fizesse mais rápido, li o livro Mar Novo da Sophia de Mello Breyner Andressen que o M.N. me ofereceu.

É o quinto livro dela que leio. É o quinto livro dela que tenho. É o quinto livro dela que ganho.

Não tenho como dizer algo concreto de cabeça, mas tenho certeza que, se der uma olhada na minha estante, não terei tantos cinco livros do mesmo autor. Obrigada Fernando Andersen, obrigada M.N.

Foi assim que tive a oportunidade de conhecer melhor a Sophia de Mello Breyner Andresen, ou seja, através dos amigos que conheci enquanto amante profissional. Lindos, lindos.

Eu sei, ter cinco livros da Sophia de Mello Breyner Andresen não é nada perto da quantidade de livros que ela publicou. Mas se posso dizer que li 5 livros da Sophia, mas possivelmente não li 5 livros de muitos outros autores, isso se torna muito sim.

Além do Mar Novo, estes são os outros 4 livros que li da Sophia: Mar (Antologia), Dual, Navegações, O Búzio de Cós e outros poemas.

Scribd/iPaper

Março 31, 2008

Não acho que o Scribd é assim tão popular, mas é desde quando foi lançado um dos meus favoritos (tenho duas contas lá, abafa o caso).

Como sabem tenho os meus e-books para download por lá, e muitos outros documentos em pdf.

Já usava também o Scribd para o meu “blog dos clientes“. Há uma opção, no Scribd, de ter arquivos privados e de eu poder passar esse endereço privado apenas para aqueles que eu quero, faço-o por exemplo para mostrar fotos para os sérios aspirantes a clientes. Além disso, apenas com um código coloco o documento no meu site numa página fechada com senha sem que, dentro do Scribd, uma pessoa possa vê-lo na minha lista de arquivos. Sim, o Scribd para mim é uma mão na roda.

O site apareceu recentemente com uma novidade em termos de visualização de documentos. Sabe aquele tipo de visualização como se você folheasse uma revista ou um livro? Você pode ver um exemplo com o meu e-book O Dobro e a Metade, clique aqui e quando abrir a página numa nova janela clique na setinha que tem ao lado de iPaper e depois em “View Mode” e “Book Mode”. Depois é só configurar a visualização da forma que achar melhor para você, mexendo no Zoom ou passando as páginas.

Estou no Scribd desde o princípio porque acho um site simpático. Uma coisa que achei legal é que ele não criou limitações ou proibições para materiais adultos, simplesmente cada vez que envio um documento tenho a opção de marcá-lo como adulto ou não, e assim, quem for ver tal documento, ter que concordar primeiro que é maior de 18 anos.

Até pouco tempo atrás era a única acompanhante em língua portuguesa a usar o Scribd, mas pelos vistos isso já não será incomum, recentemente até recebi de lá um arquivo de uma agência de acompanhantes daqui de Portugal que, segundo me parece, também está a utilizá-lo com os mesmos propósitos que eu, ou melhor, um deles, dado que lá também disponho meus e-books e outros documentos.

Jenna Jameson – Como fazer amor como uma estrela porno… O livro saiu em 2006, mas acabei não comprando.  Ele tinha lido o livro e me falado sobre ele, e comprou-o para me oferecer no nosso último encontro, coisa bem recente.

Havia tempo que não nos víamos, meses! Para conseguir um tempo para estarmos juntos tem que aproveitar – ou criar – oportunidades numa agenda difícil.

Então quando ele chegou eu quis conferir se estava tudo no lugar como eu tinha deixado da última vez…

Parecia mais alto. Mas o sorriso grande com que chega é o mesmo, ai, aquele sorriso… é de matar. Então ele se curva para me dar beijos na face, a gente se abraça, e o corpo dele não tem a mesma temperatura em partes diferentes.

Já aprendi a reconhecer o seu cheiro, o cheiro do seu gel de banho, é um cheiro que só ele tem.

Está completo, inteiro, da mesma forma que o deixei da última vez, mas dá vontade de morder e de arrancar pedaço…

“Vai ser gostoso assim lá em casa!”, essa é uma frase que umas amigas minhas costumam gritar de dentro do carro quando vêem um homem como ele na rua. E esse homem estava ali, no meu quarto, na minha cama, e com aquele sorriso gigante.

E na cama a gente se toca e se espreme. Os movimentos são curtos, porque não queremos afastar os nossos corpos, a pele fica colada uma na outra, e eu firmo os braços segurando nos seus ombros, os meus seios bem encostados ao peito dele, e é só o jogo de ancas, depois os joelhos dele inclinados, a penetração intensa, os gemidos, a sensação de quase desespero, o prazer, o gozo, o coração a bater forte, a respiração ofegante que depois se acalma, mais um pouco de conversa e o adeus na porta, não sei quando nos vemos novamente, mas o sorriso ainda mais gigante continuava nos lábios.

Sei que esperavam de mim algo lógico, algo que posso justificar, algo até científico. Mas confesso, não consigo explicar esse arrepio no braço direito, o suor frio nas mãos – por vezes até com tremor – e essa sensação de mal-estar, a garganta apertando e o aperto no peito com um simples telefonema. Nas vezes que contrariei a minha intuição eu até gostaria de te dar uma justificativa lógica, “ah, eu tive a intuição e fui atender o gajo, me contrariando, e por estar contrariada que o atendimento não correu bem”, mas não, quando contrariei a minha intuição fiz de tudo justamente para provar a mim mesma que a intuição estava errada, ou seja, dei o meu melhor sorriso, fui a pessoa mais simpática e mais querida desse mundo com o cliente, mas é como se sentisse que o que ele tinha de ruim já vinha lá de fora, que não adiantava nada da minha parte para mudar a situação, ou para mudá-lo.

“Ah, talvez você não estivesse muito bem naquele dia, ou com algum problema na cabeça” – você tenta me explicar. Mas como posso explicar que não sinto essas mesmas sensações com os outros telefonemas naquele mesmo dia, telefonemas estes que por vezes vêm no minuto seguinte?

Sim, eu sei que é complicado de entender, mas dessa vez eu não tenho mesmo como explicar.

Sempre confiei na minha intuição. Talvez porque ela seja a minha caixa de sapatos. Talvez pelo simples facto de ela sempre ter me mostrado estar certa. Não importa, cada um tem a sua própria fé e a sua própria crença, não vou mudar a sua como ninguém vai me fazer abandonar ou desacreditar na minha intuição.

Um dia conversava sobre isso com o “Homem que não usa óculos”, temos que acreditar em alguma coisa, seja isso lógico ou não, motivado ou não pela razão. Precisamos é de ter certezas, de nos sentir seguros em algo.

Os clientes costumam me perguntar: “Como você sabe se atende ou não um cliente?” e as respostas que dou são diferentes entre si, uma cheia de lógica e outra sem nenhuma. Pela voz, pelo que ele me diz, pelo que percebo dos seus interesses ao telefone, essa é a parte lógica. Mas depois completo: “Mas o homem pode se mostrar muito sério, muito simpático, etc… Mas se o meu braço arrepiar e se eu sentir um nó na minha garganta… Ah, aí não tem Jesus Cristo que desça à Terra em pessoa que me convença de atender esse cliente! E todas as vezes que isso aconteceu e eu duvidei da minha intuição, aceitando tal pessoa… foi batata, me arrependi depois!”

Posso não acreditar em vários conceitos reunidos num só mas acreditar num deles ou em vários deles separadamente.

E em outras coisas, mesmo que não acredite, posso respeitar e também pode ser que eu aceite.

Mas eu não posso impor para ninguém que acredite ou aceite as mesmas coisas que eu, porque o outro pode não ter a mesma cultura ou a mesma história, e principalmente porque o outro pode – e deve – ter a sua própria fé e as suas próprias crenças.

Talvez tenha passado desapercebido, ou talvez tenham notado uma contradição no meu livro (Alugo o Meu Corpo). Por um lado mostrava um lado catolicíssimo, por outro lado falava por exemplo de Dona Maria Padilha. Porque na minha terra isso não é nada incomum ou assim tão estranho (claro, em todos os lugares há os fanáticos e aqueles que não aceitam as crenças e a fé alheia). Ao mesmo tempo que por parte da família directa eram todos católicos, tinha também um parente que me levava para a Umbanda e por vezes também ia para o Centro Espírita para receber o passe. (Apesar de não admirar tais livros enquanto literatura, talvez tenham percebido isso em mim pelo facto de já ter lido por exemplo Zíbia Gasparetto ou de ter falado um dia do livro Violetas na Janela, livros estes que, apesar de nem sempre gostar da escrita, leio pelas histórias e inclusive em função de um pedaço da minha fé).

Para alguns talvez não se encaixem alguns conceitos, outros dirão que assim uma pessoa adora a vários deuses, outros dirão que estou acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo, mas eu continuo acreditando que Deus é um só – dividido em três, Pai, Filho e Espírito Santo, conforme me ensinaram na catequese – e que não importa a religião, desde que se mantenha o amor por Deus, desde que se mantenha o amor pelo próximo e inclusive, que a fé não seja um acto passivo, mas que se demonstre em actos para com o outro.

Isso, creio eu, é uma grande dificuldade para qualquer pessoa: compreender a fé ou a crença alheia ou de um outro povo.

No caso do livro do Salas, para mim, por uma questão cultural, era fácil compreender a situação das nigerianas, sua fé e sua crença, e entender o quanto para elas era grave saberem-se enfeitiçadas. É claro que sou muito levada pela lógica, mas isso não me impede de compreender essa crença, justamente pelo que disse, pela tal questão cultural, por não ser algo tão distante de mim e de saber do que significa, pelo menos psicologicamente, para uma pessoa com essa cultura saber-se enfeitiçada.

Mas obviamente, porque não tenho esta outra cultura, para mim é muito mais difícil compreender uma pessoa que, movida pela fé no seu Deus – um Deus que sendo um só possivelmente é também o meu Deus – envolve o corpo em bombas e se explode no meio de uma multidão.

Se para mim é fácil de compreender é porque venho de um país que, de certa forma, há convivência entre várias religiões e crenças.

Quando cheguei em Portugal lembro de um dia estar assistindo tv e de ver uma reportagem num telejornal onde as pessoas estavam todas assustadas porque encontraram “macumba” naquela região.

Ainda sem compreender a cultura daqui, e apenas impregnada pela cultura do meu país, até achei absurdo aquele “furdunço” todo por causa de uma simples macumbinha, afinal no Brasil estava acostumada a ver macumba em várias encruzilhadas, jardins ou cachoeiras, para mim era algo completamente normal, fazia parte do meu quotidiano. E não conseguia compreender que aqui, com um outro tipo de cultura, era como se tudo estivesse fora do lugar.

Pensei nisso quando falava com o Nuno da Sábado sobre o livro do Salas. Há uma parte muito forte nesse livro que fala sobre as nigerianas que eram levadas para a Espanha e que assinavam um contrato de uma dívida enorme e faziam de tudo para pagar essa dívida, não só pelo problema de terem sido traficadas, mas também porque havia ali uma outra questão – religiosa, cultural, psicológica – a fé e as suas crenças.

O traficante e proxeneta dessas meninas diziam que lhes haviam feito um feitiço, e por causa desse feitiço elas se viam amarradas à dívida, à prostituição e ao proxeneta.

E isso para mim era muito fácil de compreender. Aceitar claro que não, mas compreender sim.