Escrito no dia 7 de novembro às 14h.

Aconteceu-me uma cena inédita agora. Fui anunciar o meu site internacional num site X, algo que faço frequentemente sempre que viajo para fora como escort, mas dessa vez este site recusou o meu anúncio, pelo simples facto de eu ter um banner para um site y no meu site!

Eles não vieram com rodeios, e disseram: «Não aceitamos o teu anúncio porque fazemos parte de um grupo de sites que não aceitam anunciantes que promovam o site y, que se sustenta basicamente pelo tráfico de seres humanos.»

Fui verificar, e me pareceu verdade. Pelo menos me pareceu evidente. «Conheça 1000 russas ainda hoje», escrito num banner, mais uma página inteira de fotos de acompanhantes russas espalhadas pelo globo, pelo menos me pareceu muito evidente.

Eu já tinha anúncio no site y. Não fico verificando cada anúncio ao pormenor, mas não me pareceu que, na altura que coloquei o anúncio, que aquilo estivesse assim. Mas agora está. E estando, retirei imediatamente os links que tinha para este site.

O tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual é péssimo para quem é vítima, mas péssimo também para todo o mercado. O desafio para quem é escort lá fora é este: concorrer com as máfias, principalmente as russas.  A princípio, era difícil para mim entender tanta aversão que via nas pessoas quando se falava das escorts russas, mas só depois comecei a entender.

Trabalhei num certo país no ano passado, e enquanto eu cobrava no mínimo 400 euros por uma hora, havia russas a cobrar 100 euros por uma noite inteira! Note, eu não estou falando que eu cobrava 400 euros por uma hora e que uma russa cobrava 100 euros por uma hora, eu estou falando que eu cobrava 400 euros por uma HORA e que uma russa cobrava 100 euros por uma NOITE!

Claro que também havia russas a cobrar valores mais altos,  mas aí o desafio já era outro: as fotos falsas! Para começar porque, nos sites onde eu anunciava, a maioria anunciava com rosto, o que realmente chamava mais a atenção. Entretanto, o que acontecia muito é que elas utilizavam fotos de actrizes porno russas, que ninguém conhecia de lado algum, e com isto o cliente chegava, via que a escort era completamente diferente da foto, e vai numa, vai em duas, vai em 100, são todas diferentes, daí ele começava a suspeitar que todas as anunciantes tinham fotos falsas, ou seja, quando chegava em mim ele já vinha cheio de desconfianças, com os dois pés atrás, porque já tinha ido em muitos lugares e se decepcionado.

Acho péssimo ter que caracterizar alguém só por causa da nacionalidade. Péssimo entrar num site e, encontrando centenas de russas, ter que dizer que são traficadas, só pelo facto de serem russas. Me parece xenofobia, e não gosto disso, e enquanto brasileira já passei por esta situação, já fui muito julgada em função disto, inclusive dentro do sector.

Quando você pensa em “acompanhante de alto nível” ou “acompanhante de elite”, raramente você pensa numa brasileira, pelo menos não em Portugal. Quando você pensa numa acompanhante para te acompanhar num jantar ou numa viagem de negócios, que saiba se vestir adequadamente, que saiba conversar e se comportar como cada ocasião exige, me desculpem, mas também não é numa brasileira que uma pessoa pensa. Quando pensa numa mulher gostosa na cama, carinhosa e liberal… aí sim, pensam numa brasileira, mas em geral é isso mesmo, só pensam na brasileira para momentos escondidos entre quatro paredes. Não estou dizendo que isto é com todos, só estou dizendo que é muitíssimo comum. Eu mesma, quantas e quantas vezes não fui excluída de certos eventos para acompanhantes, só pelo facto de ser brasileira? Vocês nem imaginam. Sou educada e sou super discreta, mas é como se eu tivesse que dizer o tempo todo que APESAR de ser brasileira, sou educada e sou super discreta. Aliás, já aconteceu também de ter sido seleccionada para um evento, e de ser a única brasileira, e apenas por ser “a Paula Lee, blogueira, autora de livro”, caso contrário nem teriam pensado em incluir uma brasileira nisso, me disseram na cara.

De facto, quando me trouxeram para Portugal, ninguém me disse que eu tinha que ser elegante, que eu tinha que ser educada,  que tinha que saber falar ou ter classe. Isso não faz parte da “cartilha” do que ensinam à acompanhante brasileira. Só querem saber se você é boa de cama, o que topa na cama, e se vai ser carinhosa com os clientes, “como as brasileiras são”.

Não são todas as brasileiras que trabalham a 20 euros ou que fazem oral sem preservativo, mas, como as brasileiras devem ser aproximadamente 80% do mercado, e como mais de 90% das acompanhantes – independente da nacionalidade – ou trabalham a 20 euros ou fazem oral sem preservativo – ou ambos -, é natural que se crie esse estigma que cai mais uma vez sobre as brasileiras. Desde que a Verli – uma acompanhante brasileira – morreu com SIDA, o peso do estigma caiu ainda mais forte.

O que acontece com as brasileiras é o mesmo que acontece com as russas. Você vê uma, você vê duas, você vê 100 e vê 800 fazendo oral sem preservativo, vai pensar que todas fazem, você não quer lá saber a opinião da acompanhante 801. Tão simples quanto isto.

Sobre o tráfico de seres humanos, por um lado me ponho a favor dos clientes, que não têm como saber se uma acompanhante é REALMENTE independente ou não, se foi traficada ou não. Em 200, 300 anúncios ou mais num site, fica realmente difícil de saber! E a questão é que, como as máfias têm sempre muito mais dinheiro do que cada escort independente, obviamente que eles têm sempre muito dinheiro para investir forte em publicidade, ou seja, de certo modo fica sempre mais fácil encontrar uma traficada do que uma independente, justamente porque o anúncio da traficada terá sempre mais destaque, sempre mais publicidade, etc., tudo em função do dinheiro envolvido e do número das pessoas em volta querendo a sua fatia do bolo. Entretanto, por outro lado, também me coloco contra os clientes, ou pelo menos contra uma parte dos clientes. A questão é que, sejamos sinceros, para muitos deles é completamente indiferente o facto de uma acompanhante ter sido traficada ou não. Se ela é bonita, se ela faz o que ele quer, e se ainda por cima por um valor mais baixo… para ele é óptimo! Para ele, o tráfico de seres humanos é bastante conveniente!

Por isto é de admirar a postura do tal site x, que recusou o meu anúncio só porque eu tinha um banner para o site y. Ao me recusar, eles possivelmente estariam recusando também uma entrada financeira. Ao recusar o anúncio das milhares de russas, estarão então recusando uma entrada financeira mil vezes maior. Sim, é algo de louvar.

***

Enquanto anunciante, fico um pouco limitada também. Se entro num site com 1000 acompanhantes anunciadas, e 800 delas são russas, uma coisa é eu suspeitar do tráfico, outra coisa é eu apontar o dedo, não posso, porque afinal de facto não sei. Pode estar na cara, mas não posso provar. Tudo o que posso fazer, neste sentido, é não divulgar tal site.

Mas fica complicada esta coisa do estigma. Porque, se eu conheço hoje uma acompanhante russa, por um lado não vou querer deixar de vê-la como a acompanhante 801, que talvez seja diferente do resto, mas por outro lado vou ficar com receio de divulgá-la, de indicar aos meus clientes, e assim estar eu também, inconscientemente, alimentando o tráfico.

Eu sou a acompanhante 801. Enquanto acompanhante 801, sei o que é estar o tempo todo tendo que provar o que sou e como sou, e principalmente, como não sou. Sei o que é ter que provar que posso ser uma excelente escort, independentemente da minha nacionalidade ou do estigma que cai sobre a minha nacionalidade. Enquanto a acompanhante 801, tenho sempre que provar que não vou ao hotel de saia curta,  que não uso perfume barato, que não vai ter nada escrito na minha testa, que posso me adaptar a qualquer ambiente, que saberei ser calma, discreta e elegante.  Acredite, é muito difícil ser a acompanhante 801, porque nem todas as portas estão abertas para a acompanhante 801. Felizmente, internacionalmente as portas estão abertas às acompanhantes brasileiras – bom, a nossa imagem lá fora continua não sendo a das melhores, isto porque, diferente das acompanhantes europeias, que se promovem em função da classe e da elegância, acompanhantes brasileiras, em geral, ainda insistem na divulgação enquanto “mulher sem tabus e boa de cama” apenas – mas eu fico pensando se eu fosse russa, e se eu fosse independente mas russa, já sei que ia ser bem mais complicado.  Teria que fazer como algumas, que omitem ou mentem a nacionalidade.

***

Como já referi imensas vezes, não tenho nada contra as agências ou agentes de acompanhantes, que são ferramentas/serviços utilíssimos para a nossa promoção hoje. Agentes ou agências, se sérios e profissionais, são muito importantes àqueles que, como nós escorts, trabalhamos na área do entretenimento. Não digo que um agente ou agência são indispensáveis, porque não são, mas acabam por ser uma mão na roda para que a acompanhante possa ter mais tempo para se dedicar ao encontro em si. Porque se eu atender 2 clientes por dia, uma hora cada, todo mundo pensa que eu só trabalhei 2horas, e que ganhei muito por só 2 horinhas de trabalho, mas não é bem assim, duas horas foi apenas o tempo em que fui recompensada financeiramente por este trabalho, porque tudo o que há em volta, e que é feito também durante e depois, também fazem parte do trabalho. Mas, como eu ia dizendo, uma coisa é ter um agente, outra coisa é ter um chulo. Uma coisa é ter alguém que possa fazer a minha divulgação, ou que possa atender os meus telefonemas ou fazer as minhas marcações – um profissional contratado como um outro qualquer, alguém que será uma espécie de relações públicas, secretária, telefonista, etc. -, outra coisa é ter alguém que me explore, que me incite a fazer o que não quero, que passe a viver dos meus ganhos e que tente me forçar a ganhar mais por causa disto, etc. Uma coisa é eu contratar um profissional, outra coisa é eu ser empregada/escrava deste profissional.

Quanto aos sites, a diferença apenas é que antes o tráfico de seres humanos não estava online. Agora está. E por isto fico contente por ver que há ainda aqueles que defendem o sector, mesmo à custa de prejuízos.

Desde que comecei a reconstrução do site amanteprofissional.com, o que faltava apenas era indicar um link para a galeria de fotos na página galeria.

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Agora penso que mais ninguém fica perdido, o amanteprofissional.com já possui todas as informações essenciais!

Um fim-de-semana cheio de prazer para todos!

P.S.: Sobre a minha agenda este fim-de-semana:
- Atendo este Sábado, dia inteiro, até às 21h.
- Domingo atendo durante manhã e início da tarde, só até às 14.30.
- Marcações pelo telefone: 967262559. Só números identificados. Beijo.

Sem Facebook novamente

novembro 24, 2011

Queridos amantes, estou sem Facebook novamente. Peço desculpas a quem me seguia, mas não tenho nada a ver com isto.

Apesar de já ter falado no assunto no Twitter, resolvi falar também por aqui para fechar a questão.

De facto, minha conta no Facebook foi desactivada, de novo. Não por mim, mas por alguém que com certeza não está muito contente comigo ou com a minha actividade, risos. Não dá para agradar a gregos e troianos.

Nunca expus, ao longo dos anos, nenhuma foto de genitais. Apesar de no meu site mostrar fotos de seios, em qualquer espaço fora do meu próprio domínio sempre tive o cuidado de só expor as fotos mais “decentes”, geralmente as que estão em lingerie, justamente porque fora dos meus domínios o meu controle dos conteúdos poderia ser menor. Sobre a linguagem, apesar de no início eu ser menos pudorada, também fui cuidando disto ao longo do tempo.

A rede social, para uma acompanhante, ao contrário do que muitos pensam não serve apenas para a sua promoção ou para a divulgação de pornografia. Eu, pelo menos, tenho certeza que dei bom contributo para o sector expondo as coisas do lado de cá da cortina, os sentimentos, os dramas, a realidade escondida. Fora isto, promovia uma interactividade dentro do sector, contrária à tendência de exclusão social.

Mas minha conta foi desactivada, e não é a primeira vez, e não, não voltarei a criar uma conta para a Amante Profissional.

Uma colega me diz que a razão está que, muitos dos nossos clientes ou aspirantes a clientes, nos adicionam através das suas contas pessoais, e com isto suas esposas, com raiva, denunciam os nossos perfis. Verdade seja dita, eu fico besta com isto também, de ver pessoas usando suas contas pessoais para adicionar contactos do mundo do sexo. Sim, claro que um cliente meu não deixa de ser um amigo, mas veja bem, ninguém precisa saber que ele e eu temos uma relação, muito menos quem está perto dele. E não são nem um e nem dois, vejo muita gente que se expõe desse jeito, adicionando acompanhantes, actrizes porno ou mulheres semi-nuas sem nenhum pudor em suas contas pessoais. Aprendi, ao longo dos anos, que não dá para mudar um homem, a natureza de um homem (aliás, não dá para mudar ninguém, uma pessoa só muda por ela própria, se ela quiser e quando ela quiser), e por isto mesmo eu sempre disse para os meus clientes: quer galinhar, galinhe, quer trair, traia, mas por favor, seja discreto, muito discreto. Uma coisa é a nossa vida privada, outra coisa é quem está em volta, que não precisa ser afectado pelos nossos defeitos ou problemas.

Mas pronto, não acho que a questão está toda aí. Sabe que, no sector, sempre tem muita gente em volta, te invejando, te secando. Comigo ainda pior, não só pela dita popularidade, mas porque eu sou reservada por natureza, o que dita algumas inimizades ou dissabores. O que muitas pessoas não entendem é que eu não faço de propósito nem para ser desagradável, nem porque sou egoísta e quero tudo só para mim – ai quem me dera se eu fosse tudo ou se tivesse tudo que as pessoas pensam que eu sou ou que eu tenho -, mas que esse é o meu jeito, sempre fui uma pessoa assim, mais no meu canto, mais sossegada mesmo. Bom, e daí pode ser qualquer um.

Curiosamente, enquanto não tinha divulgado no blog, não tinha dado problema nenhum. Aliás, tenho outra conta que não vou divulgar aqui, é uma conta que utilizo em outro país quando trabalho fora, tenho esta conta há vários anos também, esta nunquinha que deu problema. De facto, descobri que afinal o problema não é com os meus conteúdos, mas com aquilo que posso representar por aqui.

Tenho pelo menos 2 colegas independentes que também tiveram suas contas desactivadas. Enquanto quase ninguém sabia quem eram elas, estava tranquilo, mas depois, quando foram se tornando mais populares, foi o que aconteceu. Apenas uma constatação.

Não estou com raiva quando escrevo essas linhas. Não, nem chateada. Há pessoas que seriam mais felizes se cuidassem das suas vidas do que da minha, mas não tem importância não, quanto mais me invejam mais forte eu sigo em frente.

Eu só queria, de facto, comunicar isto por aqui. Para depois não perguntarem a razão de eu não estar mais lá. Não, amantes, não estou. A gente vai comunicando por aqui, ou pelo twitter, ou pelo site, ou pelo telefone, ou por pensamento. Mas se comunica, de alguma forma.

Olá, amantes! O amanteprofissional.com está sendo reconstruído, conforme adiantei no post «As fotos que nunca publico».

Apesar de já ter colocado o site no ar, muitos dos links ainda não funcionam porque estou reconstruindo tudo do zero, e fazendo modificações à medida do que vejo ser necessário. Agradeço a vossa compreensão.

Por favor acompanhem meu twitter, nele vou dando sempre novidades.

Por enquanto por aqui…

setembro 23, 2011

Este blog provisório me deu mais jeito do que aquilo que eu esperava, até porque não imaginava precisar assim tanto dele! Problemas no servidor, vira e mexe, ou ter que aumentar espaço, ou ter que aumentar isso ou aquilo… aff, isso se tornou uma coisa demasiado extensa, difícil dar conta e a vontade muitas vezes é de esquecer que a internet existe, premir o delete e pronto.

Sim, há meses que tenho falado nisso, no quanto tem sido difícil para mim dar conta de tudo. Dar conta dos blogs, dos e-mails, dos contactos com as pessoas.

De vez em quando então eu sumo, deixo de ser a Paula Lee, por vezes só pra voltar a ser a acompanhante normal, que atende telefonemas e clientes, só telefonemas e clientes.

Sim, até eu resolver o que faço, ficaremos por aqui, pelo endereço provisório: amanteprofissional.wordpress.com.

Beijinhos,
paula lee.

« Homenagem à Beth Butterfly – Parte 1

Disse uma vez e repito que a minha vida teria sido muito mais fácil se eu tivesse conhecido a B. mais cedo, lá naqueles tempos em que eu ainda trabalhava em bordel. Eu não teria passado tanto perrengue se tivesse aparecido na minha vida uma mulher como ela.

Naquela altura, eu não tinha consciência de que sim, eu podia escolher os meus clientes, este era um direito meu também. Muito menos, teria capacidade para perceber, não naquela altura, explorada de todas as maneiras, que podia haver uma forma digna de estar no sector, uma forma de igual para igual entre homem e mulher, sem ser explorada até à última gota.

Estava ali, passando sufoco com cliente idiota, o cara me pagando o maior misêrê, e ainda achava que “ai coitadinha de mim, fui entrar nesta actividade então eu tenho que aguentar”. As coisas mudaram quando chutei o balde e deixei os bordéis, me tornando independente, e passando a escolher os meus clientes, não exactamente só em função da liberdade que tinha adquirido meio que à bruta, mas porque também já estava de saco cheio de passar perrengue.

É claro que isto gerou muita revolta e indignação “Vê lá se pode, uma acompanhante querendo ter o direito de escolher os seus clientes, vê só que atrevida!”, principalmente numa sociedade que acreditava – e ainda acredita – que uma mulher vende o seu corpo e não tem liberdade sobre ele e sobre o seu tempo, fazendo com que ela tenha que ser uma mera escrava do caprichos alheios.

Então quando a B. apareceu, tão independente, tão segura de si e tão cheia de ideias firmes e libertárias, eu me senti amparada pela primeira vez. Inclusive por não haver muitas vozes pelo sector, todas estas minhas ideias pareciam apenas coisa de gente esquisita, até inclusive por não ser muito regular ver acompanhantes que se preocupam em passar um bom momento com os seus clientes, ao invés de serem apenas escravas deles e do dinheiro deles. Ela mostrou que eu não estava sozinha e que era realmente possível fazer algo muito digno, seja dentro do sector como também dentro de mim.

Hoje reencontrei-me no Twitter com a BethButterfly, que eu não via há tempos, por descuido meu, de não ter percebido que ela tinha criado um novo blog, inteligentemente chamado de «Imoral Decência».

Veio aquela sensação gostosa de nostalgia, sabe? Aquela lembrança gostosa de alguns anos atrás, em que tanto eu e ela, que hoje é ex-acompanhante, desempenhávamos um papel que creio ser nosso – digo, de acompanhantes – também na web: o papel de educadoras.

Houve quem pensasse que tinha sido coisa combinada, mas não era. Naturalmente, eu e Butterfly acabávamos por, apesar de termos vindo de mundos diferentes, lutar pelas mesmas causas, principalmente no que toca à tentativa de educar acompanhantes e clientes em relação ao uso – imprescindível – do preservativo.

Mais do que eu, a Butterfly tentou movimentar as águas no sentido de tentar mobilizar acompanhantes para uma atitude concreta, seja através da campanha que lançou com o banner do fellatio protegido, seja na sua ajuda gratuita a um site de anúncios de acompanhantes, na altura o Prazer Sublime, cujo objectivo era também mobilizá-las, incentivar a troca de banners e links, a “rede social” de acompanhantes, a manifestação de opiniões através de blogs e, consequentemente, um melhor relacionamento tanto entre acompanhantes e clientes como entre acompanhantes e acompanhantes numa esfera mais global do que meramente local. Sim, muito mais do que eu, a B. tentou gerar esta mobilização, este “tira a bunda do sofá, acompanhante!”, mas não foi algo que tenha gerado resultado, e talvez eu também não tenha me empenhado por causa disto: porque não acreditava que ia dar certo, por ver nas acompanhantes em Portugal uma posição sempre muito mais passiva do que activa no sector.

É que ninguém estava nem aí para o sector, cada uma queria era ganhar o seu, será que me entendem? Apesar de terem surgido algumas pequenas vozes – o que já foi melhor do que nada, mas também não foi muita coisa -, o facto é que o acompanhamento – termo que também adoptei, mas que devo dizer que foi usado pela primeira vez pela própria B., em tradução ao escorting – em Portugal apresentava demasiadas deficiências para se pensar que de repente haveria uma união no sector.

Sobre as deficiências do sector em Portugal, a mais grave é, com certeza, a prática de relações desprotegidas e a postura submissa das colegas, que pensam apenas no “dinheiro rápido” e não se impõem aos seus clientes, não valorizam as próprias vidas e claro, muito menos então se preocupariam com o que esta atitude pode repercutir negativamente em todo o sector, estimulando outras colegas a terem práticas prejudiciais à saúde, adoecendo e propagando doenças, sendo mesquinhas para consigo próprias e para com o outro. Mas há outras deficiências para além destas, como por exemplo a voluntária falta de voz das acompanhantes – digo “voluntária” pelo facto de hoje o acesso à internet ser muito mais fácil, e o facto de criar um blog idem, além de poder ser gratuito – e desinteresse de participar com suas opiniões no sector, o ainda existente tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual, o habitual proxenetismo – tanto em situações de prostituição de rua, como também com acompanhantes de alto escalão -, o número de pessoas em volta querendo explorar negativamente as vulnerabilidades do sector, em função de quererem aquilo que julgam como “a parte delas do bolo”, a falta de referências positivas e confiáveis para as acompanhantes, a falta de credibilidade das acompanhantes, o comportamento de “amadoras” no sector – falo daquelas meninas que têm atitudes levianas e impróprias por aí, o que depois traz uma imagem negativa para todo o resto do sector -, a facilidade com que muitas são manipuladas pelos clientes ou pela concorrência, o eufemismo da palavra “acompanhante”, que muitas vezes significa apenas “garota de programa”, e um desconhecimento total de que uma coisa, na verdade, não tem praticamente quase nada a ver com a outra, etc.

Claro que, quando falo das deficiências do sector de acompanhantes em Portugal, muita gente me olha atravessado, da mesma forma que também olharam para a B. na altura em que ela era acompanhante e manifestava suas opiniões sobre o sector em Portugal. Mas de facto, olhem em volta: somos milhares, milhares de acompanhantes em Portugal, mas quantas de nós manifestam opiniões pela web? Meia dúzia? Quantas de nós participam em campanhas pelas relações protegidas, ou têm consciência do papel que têm enquanto educadoras? O problema é este, somos milhares! Você pode encontrar milhares de anúncios, mas com vida para além das fotos e dos perfis parece não existir mais do que meia dúzia.

A arte de comunicar

janeiro 2, 2011

Sou uma comunicadora nata, esta é uma das minhas melhores qualidades. Sei expressar com facilidade o que penso e o que sinto, sou articulada, eu só não sou é concisa ou hipócrita.

Saber me comunicar sempre me ajudou muito enquanto escort, com toda a certeza. Saber me comunicar me ajudou a me divulgar, e, inclusive, a saber me divulgar para o público certo, ou melhor, para o público certo para mim, o público que eu queria, aquele que eu queria receber.

Saber me comunicar ajudou a gerar simpatias, pessoas que se identificavam comigo, com o que eu dizia, com o que eu pensava, com o que eu sentia. De repente, eu também podia descrever o tipo de cliente que eu gostava de atender e, este se reconhecendo, ter encontrado em mim também a escort que ele queria que a atendesse.

Clientes que eu recebo me dizem que sou pioneira, inovadora. Dizem que trouxe para o sector uma visão muito mais humana, sensível, sentimental. Que o atendimento/encontro com uma acompanhante deixou de ser uma mera prestação de um serviço para ser uma relação, um relacionamento humano entre duas pessoas iguais, mas cada qual com seus desejos, qualidades, medos, sonhos, frustrações, carências, fragilidades. O mero encontro entre desconhecidos passou a ser algo complexo, observado de dentro, não à distância nem por meio estatístico. De repente deixamos de ser números.

Gosto de ouvir isto. Quando ouço isto é quando vejo que, afinal, não andei a dar murros em ponta de faca. Se pensei em desistir? Ui, quantas vezes! É que era muito menos complicado ser apenas mais uma, sabe?

Nem preciso ir muito longe na memória: o último cara que me disse que fui pioneira e inovadora foi o último cliente que atendi. Foi bom ouvir isto, reconfortante.

Mas não pensem que é tudo assim. Ser uma comunicadora nata e ter facilidade para se expressar também origina inveja e desafectos. Há pessoas que, simplesmente, não se conformam por eu ser assim; há outras que, simplesmente, invejam a atenção que acabo por ter em consequência de ser uma boa comunicadora; em terceira análise há aqueles que, simplesmente, podem não concordar ou não aceitar as minhas opiniões e em função disto me odiarem para todo o sempre.

Não dá para agradar a gregos e troianos. E nem quero. Mas fica difícil isto, por vezes. Um dia disse, por exemplo, que não gosto de atender homens com disfunção eréctil, e esta é a mais pura verdade, não gosto mesmo. Desculpa lá, mas quem gosta de pinto mole, diz? Pinto amolece, pinto endurece, pinto está dentro e está duro, de repente está mole, de repente duro de novo… ai, decide! Ok, sei que é uma situação de saúde, que nem é por culpa do cara, mas talvez seja uma das poucas situações em que o cliente é culpado involuntariamente com a qual não consigo lidar. Desculpa aí, eu não sou perfeita. É que pode comprometer também a minha saúde, sabe? Tipo, nessa de duro e mole o preservativo pode sair, e pode ser um risco para a acompanhante, por isto eu já não gosto de atender homens com disfunção eréctil, sou sincera, não gosto, exige atenção redobrada com o preservativo, e daí ou mulher trepa ou fica prestando atenção no preservativo, e então não dá para ter qualquer prazer quando você tem que ficar assim, em completo estado de alerta. E então eu fui dizer isto no blog, com toda a minha sinceridade peculiar. Só que, dizer certas coisas deste tipo, acaba por afectar pessoas, algumas que você conhece, outras que você não conhece. De facto, ao escrever o post, eu podia nem estar pensando em alguém específico, mas, na hora de publicar um texto com este tema, claro que parece uma bala disparada no alvo. Foi apenas um sentimento, saca? E isto, apenas isto, pode gerar uma confusão daquelas. Quantos e quantos e-mails não recebi, de pessoas que diziam que “não concordavam” que eu não gostasse de homens com disfunção eréctil?! Ih, vários. E tipo, eu ficava abestada com isto, abestada por ver as pessoas se manifestarem assim, com uma coisa que, ao meu ver, não tinha nenhuma importância. Digo, o facto de eu não gostar era algo que não tinha nenhuma importância, porque cada um tem a liberdade de gostar do que quer gostar. Era o mesmo que você não gostar de verde, e fazer um post-desabafo no seu blog sobre o facto de você não gostar de verde, e eu te contactar indignada com o facto de você não gostar de verde, e eu a todo custo querer te impingir que você tem que gostar de verde. Pois é, tem até árvore que escreve pra mim.

A partir de hoje voltamos oficialmente para o blog http://amanteprofissional.com/blog.

Eu, por mim, ainda ficava mais alguns dias no amanteprofissional.wordpress.com, até porque há ainda algumas coisas para consertar no amanteprofissional.com/blog. A questão é que: quanto mais tempo eu passar aqui, mais posts terei que levar para o blog oficial, e isso também dá trabalho.

Ao chegarem no amanteprofissional.com/blog verão que fiz algumas mudanças. Ia mudar também o layout, mas depois desisti, isso porque já mudei várias vezes e, depois de uma pessoa se habituar com a página, com o local onde vai sempre encontrar aquele link x ou y, é chato você mudar tudo e obrigar as pessoas a terem que se habituar de novo.

Algumas páginas estão ainda com problemas, porque há plugins que tenho que actualizar. Para não dar erro, desactivei-os e volto a activá-los assim que tiver tempo de actualizá-los.

Também há um erro nas páginas de comentários, mas é algo que pretendo resolver hoje, mais tarde.

Sejam bem vindos de volta ao meu blog oficial…

Todos os sites e blogs no ar!

setembro 13, 2008

Enfim, enfim, enfim… Todos os meus blogs e sites no ar! Alugo, olivro, amanteprofissional, escort, blog, contoseroticos e brinquedos, todos os endereços que vocês conhecem já estão no ar e funcionais.

Confesso, tive alguma dificuldade nessa mudança de servidor. Mas confesso também que, em momento algum, resolvi pedir ajuda a alguém. Sabe por quê? Porque é assim que a gente aprende as coisas, quebrando a cabeça, tentando, fuçando. Eu sempre fui assim. Eu sei, é a maneira mais demorada, a mais complicada, etc. Mas prefiro dessa forma. Não é que eu só goste das coisas difíceis… eu simplesmente apenas não gosto das coisas fáceis.

Tudo na minha vida sempre aconteceu da forma mais difícil, e agora estou falando de tudo. Nada nunca veio parar de graça à minha mão. Raramente tive alguém que me ensinasse isto ou aquilo. De tudo o que hoje sei – que não é tanto ainda – a maioria aprendi sozinha, buscando, queimando os miolos se necessário, experimentando, errando e acertando, mas lutando, lutando sempre.

Não é que eu não goste que me ensinem ou que não gostasse que nesse aspecto as coisas tivessem sido mais fáceis, alguém no meio do caminho para me ensinar, por exemplo. Eu só não gosto é das coisas mastigadas, porque acho que isso é abusar do outro enquanto posso fingir não ser uma preguiçosa.

E preguiçosa é uma coisa que não sou, nunca fui. Aliás, sou bastante persistente.

Sim, acabo por fazer as coisas da maneira mais difícil, mas aprendo muito assim, e, além disso, resta também aquele gozo, aquele ilimitado gozo de poder bater no peito e poder me orgulhar de, afinal, nada ter vindo de graça mas eu ter conseguido tudo por mérito meu, mérito de todos os dias de luta.

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