Sono trocado
Setembro 12, 2008
Ando com o sono muito trocado. E com sono, muito sono, principalmente em horas impróprias.
Mas hoje decidi resolver esse problema. Não gosto de remédios, detesto. Mas há mais de um ano atrás eu tomava uns estimulantes, remédios naturais e algumas vitaminas, e isso me dava mais energia. Não sei bem o motivo, eu acho que simplesmente me esqueci de tomá-los.
Aprendi com uma amiga minha, que conheci no segundo bordel. Uma das garotas mais especiais que conheci, com ela aprendi muita coisa, muita coisa mesmo. Infelizmente hoje já não tenho notícias dela. Sabe o dono do bordel em Viana? Foi ela que me levou para Viana, e este ano estive com o dono do bordel de Viana, ele disse que a viu uma vez há algum tempo atrás, mais de um ano ou dois. Mas eu não, nunca mais tive notícias, porque quando nos conhecemos ela já estava praticamente de partida. Foi uma guria muito legal mesmo, me ajudou muito, me ensinou muita coisa. Então eu falava com ela da minha aversão aos remédios, mas ela me dizia assim: “Paula, você tem que se lembrar que hoje a sua vida é outra. Nós trabalhamos o dia todo, seja física ou psicologicamente. Nosso horário de comer hoje é um, amanhã é outro. Não comemos direito, e nem às horas certas. Estamos sempre preocupadas, com tudo. Quantas vezes, horas da madrugada, não vamos a um lugar qualquer comer uma porcaria qualquer? Comemos em horários estranhos, e isso não nos alimenta. Ou não nos alimenta de forma suficiente para darmos conta de toda a energia que gastamos. Não adianta, Paula, hoje o seu corpo funciona de outra forma e tem outras necessidades. Se você não tomar pelo menos umas vitaminas, o seu corpo não aguenta mesmo, você vai ver.”
Então desde esta época pelo menos umas vitaminas passei a tomar, e me senti muito bem, com mais energia.
Há meses ando me sentindo cansada. Ainda pensei que podia ser da idade, risos, risos. Mas aí hoje me lembrei e fui procurar pelas vitaminas, afinal as que eu tiver no armário têm que ir para o lixo.
Aqui perto de casa não tinha, mas como eu tinha mesmo que ir numa loja lá longe, sabia que lá perto dessa loja tinha uma loja de produtos naturais que podia ter o que procuro. Estou tomando ginseng, também. É em chá, e o chá é horrível, mas vale o sacrifício.
O que eu quero para hoje? Dormir não muito tarde e amanhã acordar outra, revigorada.
Os códigos – Parte 2
Setembro 2, 2008
Às vezes posso estar numa loja, estar na rua, etc., e não ter como falar direito. Dia desses mesmo um cliente de uma amiga minha me ligou, querendo saber onde ela está. Eu estava numa loja, então respondi baixinho: “Olha, ela não está aí mais não, agora ela está dando expediente lá no Porto.”
Tenho algumas amigas que ainda trabalham em bordéis. Algumas porque se habituaram a trabalhar à noite, outras porque não têm paciência para ficar atendendo telefone, outras porque, de certa forma, você consegue ter mais vida própria trabalhando em bordel do que trabalhando em apartamento, dado que, depois que o bordel fecha, a vida volta a ser sua, pelo menos você não tem telefone para atender, não tem que se preocupar com quem vai atender amanhã ou na semana que vem, os que você atende são simplesmente os que aparecem no bordel, você só se preocupa com a noite actual, você só vive a noite actual. O problema é que o dia se torna mais curto, dado que você trabalha à noite, dorme a manhã inteira, quando acorda vai almoçar, depois disso há pouco tempo para resolver as coisas antes que as lojas fechem. Então por vezes precisam ir ao supermercado, à farmácia, e têm de fazê-lo logo, porque depois as lojas fecham, depois chega a hora de jantar, a seguir ao jantar precisam começar a “produção”, secador de cabelo, escolher a roupa, fazer a maquilhagem, etc. Às vezes, se não há muito o que resolver durante o dia, é possível conseguir tempo para um cineminha. Duas colegas minhas, por exemplo, vão ao cinema umas duas vezes por semana. Mas por vezes, mesmo raramente, aparece alguém indicado por outra menina, alguém que quer um atendimento num hotel, por exemplo. Não há, pelo menos não na cidade onde vivem, clientes em hotéis para atender todos os dias, ainda mais assim, num horário no meio da tarde, por isso que esse tipo de situação é rara. Apartamentos de convívio lá há, aos montes, mas elas não gostam de trabalhar em apartamento não, e também não podem atender nesse apartamento onde vivem, que é do dono do bordel, porque se o bicho pega para o lado dele elas podem acabar ficando sem tecto de um dia para o outro, por isso só utilizam o ap para viver mesmo. Como em muitos bordéis – não todos, mas muitos -, há um dono do bordel que é apenas “de fachada”, ou seja, ele aparece ali como dono, mas muitas vezes pode ser apenas o “sócio minoritário”, ou por vezes alguém que alugou o bordel para explorá-lo durante um x tempo (sim, isso também acontece, vocês nem fazem ideia, há bordel que tem até franchising, risos). Mas o apartamento onde estão é do dono verdadeiro mesmo, aquele que nunca aparece como dono, logo, se fizerem programa no apartamento, poderia acabar dando muito nas vistas, por isso lá é proibido atender. Aí elas aproveitam as tardes para, muitas vezes, ir ao cinema. Mas vez ou outra – aquela vez ou outra que é raramente – aparece então alguém para uma delas atender num hotel. Então se estão num café conversando e uma pergunta se vão ao cinema, será muito comum a outra não responder simplesmente que “vai atender um cliente num hotel”, mas dizer algo do género “hoje tenho um ‘freela’ para fazer mais tarde”.
Os “códigos”
Setembro 2, 2008
Um amigo me perguntou de onde foi que eu fui tirar esse nome para o “blog-agenda”, Expediente…
Bem, o endereço seria agenda da amante profissional, mas não gosto desses endereços com letras repetidas. Tipo agenDADAAmanteprofissional, viu as letras repetidas? agendadeumaamanteprofissional ficaria grande de mais, e também teria repetição de letras. Simplesmente agenda já estava registado.
Aí me lembrei dos “códigos”.
Tipo assim… Se estou com colegas de actividade num lugar onde há pessoas perto, ou se por exemplo converso com o Gatito ao telefone e ele pode ter pessoas perto a ouvir a conversa, logo a alternativa é que a conversa seja toda em código.
Como já contei, me encontro com o Gatito quase todos os dias, é raro o dia que a gente não se vê. Uma coisa é sagrada, pelo menos uma das refeições fazemos juntos. O problema é que o horário de almoço e jantar costumam ser os “mais concorridos” pelas pessoas que marcam encontro, logo muito dificilmente conseguimos comer às horas certas. E como – obviamente – ele trabalha, no almoço fica mais difícil, já que ele tem hora para voltar ao trabalho – ele não pode justificar assim para o patrão: “ah, patrão, desculpe, demorei na minha hora de almoço porque a minha namorada foi atender um cliente, e só depois disso que a gente então conseguiu sair para almoçar…” – portanto é mais fácil a gente jantar do que almoçar. Bom, como ele tem “horário de expediente”, se jantamos às 7, às 8 ou às 9 – às vezes às 10 – não faz diferença, afinal não vou estar atrapalhando algum trabalho, alguma responsabilidade. Eu não tinha o costume de jantar não, mas como o meu tempo já é tão pouco para mim – consequentemente acaba sendo pouco para “nós” – eu faço questão de jantar para ser um momento que possamos passar juntos.
Bom, então eu sempre costumo ligar para o Gatito no meio da tarde para informar a hora que vamos jantar naquele dia, e, em alguns casos, a informar que não poderemos jantar. Como pode ter gente ao lado dele de butuca tentando ouvir a conversa, eu não falo com ele ao telefone de forma directa, mas sempre utilizando códigos. “Vou ter uma reunião”, é o que digo mais habitualmente, afinal quando se juntam duas ou mais pessoas não deixa de ser uma reunião, risos.
Então se ele quiser por exemplo sair com os amigos para tomar um copo, e estes lhe perguntarem onde está a sua namorada, ele também já sabe a resposta: “ih, hoje ela tem uma reunião, só sai do trabalho às 8…”